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© Daniel
Teixeira/Estadão O ataque começou
durante
horário de visita
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Apenas nesta
segunda, agentes penitenciários encontraram 40 presos mortos durante vistorias
nas quatro unidades, a maior parte por asfixia. Quatro desses corpos estavam no
Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). No domingo, uma briga
entre internos deixou 15 mortos durante o horário de visita dos
familiares. Todos os executados no domingo seriam alinhados a Zé Roberto da
Compensa. O ataque desencadeou confrontos dentro das celas no Centro de
Detenção Provisória Masculino 1 (5 óbitos), na Unidade do Puraquequara (6
vítimas) e no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat, 25 mortos). Há relatos de
que tentativas de homicídio foram flagradas por agentes penitenciários em
vistorias.
Uma triagem
ocorreu após as primeiras mortes no Compaj para separar os grupos rivais. O
Estado diz que isolou cerca de 200 presos nas quatro unidades. Eles seriam alvo
de novas execuções. Oficialmente, a administração estadual não reconhece a FDN.
Segundo o governo, uma dupla de detentos tentou fazer dois funcionários reféns,
mas não teve sucesso e foi contida a tiros. Não houve agentes penitenciários ou
parentes de presos feridos, conforme o Estado.
No Compaj, na
frente de familiares, presos foram mortos com escovas de dente e asfixiados com
golpes “mata-leão”. A chacina em dia de visita descumpriu uma regra entre os
criminosos, segundo o secretário de Administração Penitenciária do Amazonas,
Marcus Vinícius de Almeida. “Foi a primeira vez no Estado (que houve
mortes durante o horário de visita).”
As escovas de
dente foram raspadas até ficarem pontiagudas, segundo o secretário. Entre os
mortos encontrados no dia seguinte, a maior parte foi enforcada. Segundo o
governo, as escovas foram retiradas das unidades após o ataque.
“Quanto a
evitar 100% que uma morte acontecesse, temos de ter a maturidade de entender
que, em qualquer prisão do mundo, quando se quer matar, infelizmente vai se
matar, como mataram. Enforcados, alguns com mata-leão. Então, isso o Estado não
tem como evitar”, declarou Almeida.
A situação
teria sido controlada por volta das 15 horas, mas a falta de informações sobre
as vítimas deixou dezenas de familiares sob tensão na entrada dos presídios.
Por segurança, visitas nas cadeias foram suspensas por 30 dias.
Reforço federal
Após os
massacres, o governo Jair
Bolsonaro decidiu enviar um reforço de segurança ao Amazonas, a
pedido do Estado. A Força-tarefa de Intervenção Penitenciária servirá para
reforçar a atuação dos agentes carcerários. O Amazonas já tem a presença da
Força Nacional de Segurança, que atua no policiamento ostensivo e no entorno
das penitenciárias.
Segundo o
governador Wilson Lima (PSC), haverá cerca de cem homens
para reforçar a segurança dos presídios. A chegada deles é aguardada, de acordo
com ele, para esta terça-feira, 28.
Enquanto isso,
a Secretaria de Administração Penitenciária amazonense pediu a transferência de
nove líderes para presídios federais de segurança máxima. Desses, três já
tiveram a mudança autorizada nesta segunda-feira. O governo aguarda a liberação
dos outros seis para hoje, e deve solicitar a transferência de outros 20
detentos envolvidos em massacres. Ao Estado, Lima disse que o
sistema prisional está “controlado” e que as mortes eram inevitáveis.
No entanto, a
carência de pessoal - por causa do excesso de detentos - foi o problema mais comum encontrado pelo Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) nos quatro presídios, conforme inspeções feitas
mês passado. O conselho recomendou como medida “imprescindível” que o Estado
redimensionasse o efetivo previsto no contrato com a empresa que gere os
presídios.
Em abril, a
superlotação levou à transferência de 200 internos do Ipat - onde faltava
policiamento. O CNJ ainda classificou como alto o índice de apreensão de
celulares e facas artesanais nos outros três presídios que tiveram mortes.
‘É preciso
conter a violência nas ruas’
Após o
massacre, é importante conter possível efeito cascata da violência no Estado,
segundo Bruno Paes Manso, especialista em segurança pública da Universidade de
São Paulo (USP). Em 2017, quando houve uma série de ataques em presídios do
País, notou-se incremento dos crimes nas ruas.
“É preciso
identificar os focos dos conflitos e evitar que se espalhe para as ruas”, diz
Paes Manso. Para evitar mais violência nas celas, de acordo com ele, é
importante transferir e isolar líderes da facção criminosa.
O promotor
Edinaldo Medeiros, que atuou no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em
2017, disse ser “intolerável” a explicação do governo de que não era possível
prevenir as brigas dentro das celas. “Essa filosofia de manter a ‘paz’ em
certas unidades à custa de ceder o controle a uma facção não é aceitável.”/COLABOROU
JÚLIA MARQUES
Tulio
Kruse, Felipe Frazão e Bruno Tadeu

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