Grupo de
parlamentares quer que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras seja
transferido para o Ministério da Economia.
O ministro da
Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, voltou a defender que o Conselho
de Controle de Atividades Financeiras permaneça na pasta. Um grupo de parlamentares
quer que o Coaf seja transferido para o Ministério da Economia.
O Coaf é
considerado o cérebro financeiro de grandes operações, desde o mensalão à Lava
Jato. É um órgão de rastreamento de transações atípicas, suspeitas. Na comissão
mista que analisa a medida provisória, a mudança que está sendo articulada é
retirar o Coaf da estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e
vincular o órgão ao Ministério da Economia, ou seja, reverter uma das primeiras
mudanças do governo que, em janeiro, transferiu o Coaf do extinto Ministério da
Fazenda para a Justiça. A mudança foi defendida pelo ministro Sérgio Moro, que
quer usar o Coaf para reforçar o combate à lavagem de dinheiro.
No Congresso,
há oito emendas na medida provisória que reestrutura a organização do governo.
Seis são assinadas por parlamentares do PT. E outras duas, pelo PSOL e PCdoB.
Integrantes do "Centrão" e de outros partidos também apoiam a medida.
Entre eles, vários investigados na Lava Jato.
Entre os que
apoiam, o líder do Cidadania na Câmara defende que o Coaf vá para o Ministério
da Economia para evitar, na opinião dele, que as investigações possam ferir
garantias individuais.
“O sigilo
fiscal do cidadão é uma questão de liberdades individuais. Então, não pode
misturar isso com aqueles que tenham cometido corrupção. Quem cometeu
corrupção, que abram as contas, que se quebre sigilo, que vá se investigar”,
afirmou Daniel Coelho.
A proposta de
mudança veio depois do caso Fabrício Queiroz. Foi o Coaf que identificou
transações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado
estadual e hoje senador Flavio Bolsonaro. Um relatório de inteligência apontou
movimentações atípicas de Queiroz de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017. Os dados
foram enviados ao Ministério Público do Rio e anexados ao inquérito da Operação
Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato.
O relator da
medida provisória que muda os ministérios, senador Fernando Bezerra Coelho, do
MDB, confirmou à TV Globo que o Caso Queiroz reforçou entre parlamentares a
ideia de tirar o Coaf do Ministério da Justiça.
Na próxima
segunda-feira (6), o relator, que também é líder do governo no Senado, disse
que vai se reunir com o presidente Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Onyx
Lorenzoni.
A intenção é
fechar o relatório final, que será apresentado à comissão que analisa a MP.
Para o relator,
a mudança envolvendo o Coaf facilitaria a aprovação da medida provisória. Essa
MP tem que ser aprovada até o dia 3 de junho, senão perde a validade, o que
comprometeria a organização formal de ministérios e órgãos vinculados à
presidência.
De janeiro até
hoje, já na gestão de Sérgio Moro, foram produzidos 2.735 relatórios de
inteligência financeira do Coaf, um aumento de 25% em relação ao mesmo período
de 2018.
Em entrevista à
TV Globo, o ministro da Justiça afirmou que está fortalecendo o Coaf,
aumentando a estrutura de 37 para 65 servidores.
"Em
matéria de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, a integração
é tudo. Nós, então entendemos que o Coaf é um órgão extremamente importante
para a prevenção da lavagem de dinheiro. E isso vai facilitar a integração
principalmente com os órgãos policiais e do Ministério Público. Assim isso vai
facilitar o enfrentamento a lavagem de dinheiro, ao crime organizado e a
corrupção. Essa é a ideia. O presidente Bolsonaro, assim como eu, nós
respeitamos a decisão do Congresso. Nós estamos respeitosamente querendo
convencê-los de que o melhor lugar para o Coaf, é aqui no Ministério da
Justiça. Agora, evidentemente, a decisão é dos parlamentares. "
O senador
Randolfe Rodrigues, do Rede Sustentabilidade, disse que os políticos estão
tentando se blindar e criticou o presidente por não se opor à mudança que o
Congresso quer fazer.
"O Coaf
faz parte do sistema de Justiça, do sistema de combate à lavagem de dinheiro e
de combate à corrupção. Não tem sentido ele ficar fora do Ministério da
Justiça."
No início da
noite, o porta-voz da Presidência afirmou que "do ponto de vista
pessoal" do presidente Jair Bolsonaro, o Coaf permanece junto ao
Ministério da Justiça, mas que a decisão ainda não foi tomada.
"A posição
do senhor presidente da República neste momento é de manutenção do Coaf junto
ao Ministério da Justiça. Estudos prosseguem no sentido de analisar se essa
decisão inicial do nosso presidente deve ser referendada ou eventualmente
retificada."
O Conselho
Nacional dos Chefes de Polícia Civil divulgou uma nota em que declara que as
polícias consideram fundamental a integração do Coaf ao Ministério da Justiça e
que só com esforços conjuntos haverá o fim da impunidade.
Por Jornal Nacional
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