Imigrantes venezuelanos anti-Maduro dizem ter medo de serem expulsos da Bolívia | Rio das Ostras Jornal

Imigrantes venezuelanos anti-Maduro dizem ter medo de serem expulsos da Bolívia


Migrantes da Venezuela pedem ajuda nas ruas de La Paz,
capital da Bolívia. — Foto: David Mercado/Reuters
Governo boliviano, de Evo Morales, apoia o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. No mês passado, a polícia de La Paz prendeu manifestantes venezuelanos que protestavam em frente à embaixada de Cuba.
Dezenas de venezuelanos que fugiram para a Bolívia nos últimos meses para escapar dos transtornos econômicos e políticos na Venezuela dizem que temem ser deportados de um dos poucos países da região que ainda apoiam o governo do líder venezuelano, Nicolás Maduro.
No mês passado, a polícia prendeu mais de uma dúzia de venezuelanos que foram identificados como lideranças de protestos anti-Maduro diante da embaixada cubana em La Paz. O presidente da Bolívia, o socialista Evo Morales, é aliado de Caracas.
Os manifestantes exigiam o fim do que chamam de interferência em assuntos venezuelanos por parte de Cuba, nação caribenha liderada por um partido comunista. Os opositores do regime Maduro culpam o governo cubano por provocar a crise humanitária da Venezuela.
Os protestos atraíram a atenção da polícia local, que prendeu 14 de seus líderes, disseram manifestantes e grupos de direitos humanos. Seis deles foram deportados e oito foram soltos, segundo o governo boliviano. Cinco fugiram para o Peru por receio de represálias.
"Estou com um pouco de medo de ser expulso, porque eles já expulsaram venezuelanos", disse Nelson, engenheiro civil de 43 anos, à Reuters. Ele pediu que seu sobrenome não fosse relevado para evitar o que disse serem represálias prováveis.
O governo boliviano emitiu um comunicado para explicar a detenção de imigrantes venezuelanos.
Imigrante venezuelano vende balas no centro de La Paz,
capital da Bolívia — Foto: David Mercado/Reuters
"Foi determinado que estes cidadãos não têm ocupação legal ou atividade econômica para (justificar) sua estadia no país", disse o comunicado. "Eles confessaram estar envolvidos em conspiração e participar de atividades políticas que afetam a ordem pública em troca de dinheiro", acrescentou.
Maduro anuncia racionamento de energia
Após mais um dia de apagões na Venezuela, Nicolás Maduro anunciou no domingo (31) que iniciará um plano de racionamento de energia elétrica com duração de 30 dias. Segundo a rede de televisão estatal VTV, partidária do regime chavista, o plano entrou em vigor já naquela noite.
Com o racionamento, Maduro espera que, nesse tempo, ele consiga resolver os problemas dos blecautes no país, intensificados desde 7 de março. Ele não detalhou, porém, como funcionará esse plano.
O domingo, inclusive, foi marcado por panelaços e protestos por toda a Venezuela em repúdio à falta de luz e água no país. O autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, pediu aos opositores do regime chavista, no sábado, que comparecessem às ruas a cada novo blecaute.
Por Reuters

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