Entidade
anunciou que suprimentos chegaram a uma comunidade próxima da cidade de Beira
que ficou completamente isolada após a passagem de ciclone. ONU começou
campanha de vacinação contra cólera na cidade, que já tem mais de 1,4 mil
pessoas infectadas.
A Cruz Vermelha
anunciou, nesta quarta (3), que os primeiros mantimentos enviados pela
organização chegaram à comunidade de Búzi, em Moçambique. Segundo a
organização, mais de 2,3 mil pessoas estavam isoladas no local, que fica a
cerca de 160 km ao sul da cidade de Beira, a
mais afetada pelo ciclone Idai, que atingiu o país no dia 14 de março.
A entidade
informa que a leva de mantimentos — que incluiu kits de abrigo, galões, jogos
de cozinha, lonas, baldes e ferramentas — é a primeira de muitas que devem
chegar a 20 mil pessoas em Búzi.
" Todos
os suprimentos de socorro trazidos para esta distribuição foram entregues por
barco e por ar, já que todo o acesso rodoviário foi completamente impossível
", explicou Jamie LeSueur, líder de equipe no Comitê Internacional da Cruz
Vermelha.
A Cruz Vermelha
já estava no território cerca de duas semanas antes de o ciclone chegar ao país
e continua a apoiar "mais de 200 mil pessoas na zona de desastre",
segundo comunicado. A cidade costeira de Beira, com quase meio milhão de
habitantes, foi destruída em 90% pelo ciclone Idai, que deu origem à pior crise
humanitária na história recente de Moçambique.
“Sabemos que existem muitas áreas duramente
atingidas, como Búzi, onde as pessoas precisam desesperadamente de ajuda.
Estamos fazendo tudo o que podemos para alcançar essas pessoas o mais rápido
possível ”, disse LeSueur. “As famílias que encontramos ontem já passaram por
tantas coisas. Mas houve verdadeira alegria hoje, e foi incrível ver a
resiliência dessas pessoas quando elas começaram a trilhar o caminho para
reconstruir suas vidas ”, afirmou.
Nesta terça
(2), o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique
comunicou que 598
pessoas morreram e 1.641 ficaram feridas por causa da tempestade tropical.
Vacinação
Também na
Beira, oficiais de saúde da ONU lançaram nesta quarta (3) uma
campanha de vacinação contra o cólera — que já infectou 1.428 pessoas em
Moçambique, de acordo com o governo. A agência de saúde da
organização afirma que enviou cerca de 900 mil doses da vacina, que é dada por
via oral, para o país. O objetivo é imunizar essa quantidade de pessoas em seis
dias.
"Não
devemos focar tanto nos números, já que há, ainda, muitas pessoas que não estão
sendo testadas para o cólera", afirmou o porta-voz da ONU Christian
Lindmeier. "O mais importante é tratar as pessoas doentes o mais rápido
possível".
A campanha deve
vacinar, inicialmente, 100 mil pessoas, e tem previsão de se estender para fora
de Beira nos próximos dias.
Existem três
vacinas para o cólera pré-qualificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
todas de administração oral e que requerem duas doses para proteção total: a
primeira garante proteção por seis meses. A segunda, por um período de três a
cinco anos, segundo a organização.
Nos primeiros
quatro meses de 2018, mais de 15 milhões de doses da vacina contra o cólera
foram aprovadas para uso global, diz a OMS. Para ser incluída na lista da
organização, uma vacina precisa estar de acordo com as especificações operacionais
para embalagem e apresentação para compra e ser adequada para uso na população
alvo.
Em 2016, uma
outra versão da vacina, de dose única, foi aprovada nos EUA, onde as versões
pré-aprovadas pela OMS não estão disponíveis.
O cólera é
endêmico em Moçambique, que teve surtos frequentes nos últimos cinco anos.
Cerca de 2 mil pessoas foram infectadas no último deles, que terminou em
fevereiro de 2018, de acordo com a ONU. A escala de destruição da
infraestrutura sanitária de Beira, assim como a população densa da cidade, têm
levantado temores de que outra epidemia seja difícil de controlar.
Na terça-feira
(2), as Nações Unidas pediram US$ 392 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) à
comunidade internacional para financiar a resposta humanitária no sul da África
pelos próximos três meses. Até agora, US$ 46 milhões (cerca de R$ 177 milhões)
foram recebidos.
Por G1

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