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Venezuelanos protestam em meio a falta de
água e
luz no país — Foto: Carlos Garcia
Rawlins/Reuters
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Juan Guaidó
pediu a manifestantes que continuassem nas ruas e disse que está perto de
ocupar o palácio presidencial. Apagão chegou ao sexto dia.
Manifestantes ocuparam as ruas de diversas
cidades da Venezuela,
na tarde desta terça-feira (12), em protesto contra o apagão no país. O
blecaute começou há cinco dias e interrompeu também o fornecimento de água em
algumas cidades venezuelanas.
O autoproclamado presidente interino da
Venezuela, Juan Guaidó, discursou na capital Caracas e pediu que os
manifestantes não deixassem as ruas.
"Nenhum
coletivo [milícia pró-Nicolás Maduro] nos mete medo. Seguimos nas ruas",
disse.
Na segunda-feira, a Assembleia Nacional da
Venezuela – de maioria opositora a Nicolás Maduro – aprovou
o estado de emergência declarado por Guaidó. O regime chavista, por
outro lado, abriu investigação para apurar se o líder opositor tem
responsabilidade pelo blecaute. Maduro, inclusive, tem dito que o apagão é
resultado de "sabotagem" ao sistema elétrico venezuelano.
Segundo o jornal venezuelano "El
Nacional", a energia elétrica voltou a algumas regiões da capital Caracas.
Não há, no entanto, um balanço preciso de quantas pessoas ainda não tem acesso
a água nem luz.
Guaidó quer
ocupar Palácio de Miraflores
Nos protestos, Guaidó também disse que o
"fim da usurpação está muito próximo". Ele afirmou que "precisa
de um escritório para trabalhar" e que, assim que obtiver apoio das Forças
Armadas, vai começar a despachar do Palácio de Miraflores – edifício
presidencial ainda ocupado por Nicolás Maduro.
"Muito
em breve, quando tivermos as forças alinhadas, vamos a Miraflores buscar meu
escritório", afirmou Guaidó.
O líder oposicionista insistiu que os
manifestantes mantivessem a calma e respeitassem a propriedade pública, segundo
registro do "El Nacional". "Entendemos os desespero, mas pedimos
que se mantenha a ordem."
Blecaute
deixa famílias sem comunicação
Segundo reportagem da Reuters, famílias de
venezuelanos vivem problemas de comunicação desde o início do blecaute. Jessica
Díaz, ouvida pela agência, passou quatro dias sem ter nenhuma informação de sua
família, que vive no leste da Venezuela, devido à interrupção dos serviços de
telefonia desencadeada pelo gigantesco blecaute que tem afetado grande parte do
país petroleiro.
"Hoje
[terça-feira] pude me comunicar com eles em Puerto La Cruz, porque as mensagens
não eram enviadas desde sábado", disse a operadora de caixa de 31 anos.
Na quinta-feira, quando começou a falta de
eletricidade, Jessica pagou um taxista com um quilo de sal para que ele a
deixasse em casa, na comunidade de Petare, oeste de Caracas, porque não
conseguia ligar para seu marido para que ele a buscasse no trabalho.
Em Caracas, entre sexta e segunda-feira, era
uma cena usual ver grupos de veículos estacionados em ruas e estradas enquanto
seus motoristas buscavam sinal de telefone.
Na Venezuela, o serviço de telecomunicações
tem limitações porque as empresas de telefonia enfrentam restrições cambiais
devido ao controle de câmbio de moedas imposto em 2003, afetando o investimento
e a reposição de equipamentos.
O blecaute foi mais um golpe para a atividade
econômica do país. "A falha elétrica acontece quando há deterioração no
setor de telecomunicações", disse o engenheiro José María De Viana, que
presidiu uma empresa de telefonia na década de 1990.
Apagão na
Venezuela
A emergência afeta Caracas e 22 dos 23
estados do país e mantém diversos serviços em funcionamento intermitente.
Algumas áreas do interior, no entanto, estão completamente sem luz desde
quinta-feira.
O apagão provocou o colapso do fornecimento
de água, que já era deficitário, porque as bombas das cisternas precisam de
energia elétrica para funcionar. Muitos venezuelanos tentam obter água em
supermercados ou fontes naturais.
Em Caracas, um grupo
de moradores desesperados desceu ao canal do poluído rio Guaire para coletar
água.
"Temos
a garganta seca", gritaram aos militares que os expulsaram do local.
Alguns têm que pagar em dólares ou esperar os
caminhões-pipa enviados pelo governo de Maduro a bairros populares ou
contratados por prefeituras comandadas pela oposição.
Diante da crise, o governo ampliou para esta
terça-feira a suspensão da jornada de trabalho e das aulas, medida anunciada na
quinta-feira.
Em alguns lugares, água e alimentos estão
sendo cobrados em dólares pela escassez de cédulas, em um país onde até as
pequenas compras devem ser pagas em máquinas de cartão, que estão fora de
serviço pela falta de energia. Há também registro de saques a comércios em
algumas cidades do país.
Maduro anunciou a distribuição de comida e
assistência a hospitais, onde segundo Guaidó quase 20 pessoas morreram. A ONG
Codevida afirma que 15 pacientes renais faleceram por falta de diálise. O
regime chavista, porém, nega que haja vítimas.
Por G1

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