
Com base na
análise de imagens de satélites, centro de estudos americano observou atividade
em Sohae após fracasso na reunião de Kim e Trump.
A Coreia do
Norte retomou a reconstrução de uma área de lançamento de satélites
imediatamente após o fracasso da
reunião de cúpula com os Estados Unidos em Hanói, anunciou nesta
quarta-feira (6) o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS)
americano.
Apenas dois
dias depois da segunda reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o
líder norte-coreano, Kim Jong-un, terminar sem resultados, os especialistas do
CSIS, com base na análise de imagens de satélites, detectaram uma nova
atividade na área de Sohae, noroeste da Coreia do Norte.
O encontro
entre Trump e Kim foi concluído na quinta-feira (28) de modo abrupto, antes do
previsto, sem um acordo sobre a delicada questão dos programas nuclear e
balístico de Pyongyang.
A Coreia do
Norte utilizou esta plataforma para lançar satélites em 2012 e 2016.
"[Porém], esta instalação não registrava atividade desde agosto de 2018, o
que indica que as atividades atuais são deliberadas e têm um objetivo",
afirmou o CSIS, que tem sede em Washington.
Para os
especialistas, a nova atividade em Sohae poderia "ilustrar uma
determinação ante a rejeição americana" ao pedido norte-coreano de um
alívio das sanções.
Sohae, na costa
noroeste da Coreia do Norte, é utilizado para colocar satélites em órbita, mas
pode ser adaptado facilmente aos mísseis balísticos. A comunidade internacional
afirma que o programa espacial norte-coreano acoberta um programa de armamento.
Em setembro do
ano passado, após uma reunião com Kim, o presidente sul-coreano Moon Jae-in
anunciou que a Coreia do Norte havia aceitado "fechar de forma
permanente" o local detestes de motores de mísseis de Sohae, assim como a
plataforma de lançamentos.
Imagens de
satélites obtidas em julho de 2018 mostravam o início das operações para
retirar as instalações.
Nesta quarta-feira,
o CSIS citou atividades "evidentes" na área de testes de motores e na
estrutura sobre trilhos utilizada para transportar foguetes até a plataforma de
lançamento.
Pyongyang
'nunca lançou um ICBM de Sohae'
O CSIS destaca
que Sohae "foi utilizado no passado para o lançamento de satélites com a
tecnologia ICBM (míssil balístico intercontinental) proibida pelas resoluções
do Conselho de Segurança" da ONU.
O serviço de
inteligência sul-coreano informou esta semana a uma comissão parlamentar que
havia detectado sinais de atividade em Sohae.
Joel Wit,
diretor do site 38 North, com sede em Washington, declarou que os indícios
observados não são necessariamente "coerentes com a preparação de um teste
ICBM".
"Além
disso, (a Coreia do Norte) nunca lançou um míssil intercontinental de Sohae -
esta é uma área de lançamento de veículos espaciais -, a preparação de qualquer
lançamento implicaria toda uma série de atividades que não foram observadas nas
imagens", disse.
A Coreia do
Norte realizou em 2006 o seu primeiro teste nuclear. Em 2017 Pyongyang afirmou
que poderia adaptar uma carga nuclear em um míssil intercontinental com
capacidade para atingir a costa leste dos Estados Unidos.
Ankit Panda, da
Federação de Cientistas Americanos (FAS), concorda que as imagens obtidas por
satélites não sugerem a preparação do lançamento de um míssil ICBM, mas pode
ser uma "recordação de quando as relações eram piores e o que pode ser
perdido caso o processo (de diálogo) entre em colapso".
O site 38 North
indica que os esforços para reconstruir as estruturas da área de Sohae
começaram em algum momento 16 de fevereiro e 2 de março.
"O momento
importa, as imagens contam a história de que isto aconteceu (...) nas semanas
anteriores a Hanói", tuitou Ankit Panda.
Por France Presse
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