Carlos Menem, ex-presidente da Argentina, é condenado a 3 anos e 9 meses de prisão por fraude | Rio das Ostras Jornal

Carlos Menem, ex-presidente da Argentina, é condenado a 3 anos e 9 meses de prisão por fraude

Ex-presidente da Argentina Carlos Menem em julgamento em fevereiro
sobre atentado ocorrido em 1994 em Buenos Aires. Ele foi condenado a
 3 anos de prisão em outro caso, envolvendo fraude imobiliária 
 Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Menem ocupa cargo de senador e, por isso, só será preso se outros senadores votarem a favor da prisão. Ex-ministro da Economia também foi condenado.
A Justiça da Argentina condenou nesta quarta-feira o ex-presidente Carlos Menem a três anos e nove meses de prisão por fraude na venda de um imóvel. No entanto, por ocupar o cargo de senador, Menem tem imunidade parlamentar e só será preso caso os colegas de Senado aprovem a detenção.
O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, também foi condenado a três anos e seis meses de prisão por participação em crime de peculato. Ele inabilitado para exercer cargo público pelo resto da vida
Os juízes da Suprema Corte consideraram que Menem e Cavallo cometeram fraude ao vender na década de 1990 um imóvel que pertencia ao Estado no bairro de Palermo, um dos mais badalados de Buenos Aires, à Sociedade Rural Argentina (SRA) por US$ 30 milhões.
No momento da venda, o valor de mercado do imóvel era de US$ 131,8 milhões porque a Argentina adotava na época uma política de paridade cambial com a moeda americana.
Por esse motivo, a Suprema Corte decidiu que o valor acertado para a venda constituiu um crime de peculato, ou seja, desvio de recursos públicos.
Justiça acusou outros 10
Outros dez acusados foram julgados pela Suprema Corte da Argentina hoje, entre eles dois ex-presidentes da SRA e integrantes da Comissão de Venda de Imóveis Estaduais do Ministério da Economia.
Matías Ordóñez e Gastón Figueroa Alcorta, os dois integrantes da comissão governamental, também foram condenados a três anos de prisão por serem considerados cúmplices do crime de peculato.
O caso ocorreu há 27 anos. Em 20 de dezembro de 1991, Menem assinou um decreto no qual autorizou a venda direta do imóvel em Palermo para a SRA, um dos principais sindicatos patronais do país.
A primeira denúncia sobre a venda irregular foi registrada na década de 1990, mas o ex-presidente e o ex-ministro da Economia só foram processados em 2014.
Menem inocente em caso de atentado
Há um mês, tribunal argentino declarou Menem inocente da acusação de encobrir os autores do atentado contra o centro judaico AMIA, em Buenos Aires, em 1994. A Justiça condenou, no mesmo julgamento, o ex-chefe de Inteligência do ex-presidente e um ex-juiz, entre outros ex-funcionários e cúmplices. O ataque deixou 85 mortos e 300 feridos.
A Argentina acusou ex-governantes iranianos pela bomba na Associação Mutual Israelita (AMIA), mas nunca conseguiu levá-los a julgamento. Suspeita-se, além disso, que tiveram uma poderosa conexão local, que ainda não foi identificada.
Em outubro, Menem foi absolvido da acusação de tráfico de armas – mais um dos casos envolvendo o ex-presidente da Argentina.
Por Agência EFE

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