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Bolsonaro e
Trump durante entrevista em Washington
Foto: REUTERS/Carlos Barria
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Após
encontro de Donald Trump com Jair Bolsonaro, o Brasil pode ter acesso
preferencial a equipamentos militares norte-americanos. No entanto, a medida
dificilmente evoluirá para um ingresso do país na Otan, dizem professores.
Ser um aliado
prioritário extra-Otan aproxima militarmente o Brasil dos Estados Unidos. Ao
entrar nessa classificação, o Brasil consegue:
O presidente
norte-americano, Donald
Trump, afirmou nesta terça-feira (19) que pretende tornar o Brasil um
aliado prioritário extra-Otan dos Estados Unidos,
após reunião com o presidente brasileiro, Jair
Bolsonaro, em Washington.
Neste rol,
estão países como Israel, Austrália e Argentina – o único sul-americano a
integrar a lista. O governo norte-americano confirmou
a intenção de incluir o Brasil durante encontro entre os dois presidentes.
Eles ainda não oficializaram, porém, os termos da medida.
Veja
perguntas e respostas sobre o Brasil se tornar um aliado prioritário extra-Otan
dos EUA:
O que é um
aliado prioritário extra-Otan?
- Tornar-se comprador preferencial de equipamentos e
tecnologia militares dos EUA;
- Participar de leilões organizados pelo Pentágono
para vender produtos militares;
- Ganhar prioridade para promover treinamentos
militares com as Forças Armadas norte-americanas.
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Caça F/A-18
Hornet dos EUA decola de porta-aviões
Foto:
Marinha dos Estados Unidos
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Ao todo, 17
países receberam essa classificação do governo norte-americano. Confira
na arte abaixo.
O professor de
relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Juliano Cortinhas diz
que os benefícios dessa parceria são mais comerciais do que essencialmente
militares.
"O
Brasil não tem ameaças concretas à sua soberania. E mesmo se pensarmos em
termos comerciais há muitos benefícios, porque o país não tem estratégia para
se inserir no mercado de equipamentos de defesa", avaliou Cortinhas.
Em outra linha,
o professor Adriano Gianturco, coordenador de relações internacionais do
Ibmec-MG, não se trata apenas de um acordo meramente formal.
"É tudo
muito estratégico, e, sendo assim, há um crivo pelos quais as empresas
participantes [dos processos de compra e venda] devem passar", comentou.
O acordo
pretendido por Trump precisa ser formalizado – o que não ocorreu, ainda. No
entanto, os professores consultados pelo G1disseram não ser claro o
processo de tramitação de uma medida desse tipo. Em 2012, a então secretária de
Estado norte-americana, Hillary Clinton, declarou, unilateralmente, o
Afeganistão como aliado prioritário extra-Otan.
"É meio
polêmico. Alguns dizem que o Congresso precisa aprovar, alguns dizem que Trump
só precisa comunicar", analisou o professor Gianturco.
Por outro lado,
o professor Cortinhas relembra que tratados de grande porte – como, talvez, a
declaração do Brasil como aliado prioritário extra-Otan – precisam da aprovação
pelo Congresso. Nesse caso, Trump poderia ter dificuldades porque tem minoria
na Câmara dos Representantes. "Além disso, esses acordos passam por
tramitação que leva muito tempo", disse.
E o Brasil
pode entrar de vez na Otan?
Dificilmente,
responderam os professores ouvidos pelo G1. A dúvida surgiu ao
longo do dia por causa da seguinte declaração de Trump durante coletiva de
imprensa conjunta com Bolsonaro:
"Eu
disse ao presidente Bolsonaro que eu também pretendo classificar o Brasil como
aliado prioritário extra-Otan, ou mesmo, se pensarmos, em um aliado Otan",
disse Trump.
No entanto, nem
o comunicado oficial da Casa Branca publicado após a coletiva de imprensa nem
outras declarações do próprio presidente Bolsonaro indicaram esse passo
adiante.
"Nesses
casos, o que vale é o documento oficial, que passa por técnicos e
assessores", ponderou o professor Gianturco.
O especialista
avaliou que a fala de Trump sobre incluir o Brasil na Otan – e não um aliado
prioritário fora do grupo – não significa, necessariamente, que isso vai
correr. "Políticos podem errar nos discursos, às vezes cometem erros e
atos falhos", acrescentou.
Além disso,
a Otan –
sigla para Organização
do Tratado do Atlântico Norte – exige que todos os países
integrantes aprovem a indicação de um novo membro. Algo que impediria uma
decisão unilateral do governo norte-americano.
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Exército
brasileiro convidaram os EUA, em 2017, para participarem
de um
exercício militar na tríplice fronteira amazônica, entre Brasil, Peru
e Colômbia —
Foto: Exército Brasileiro
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Há, a
possibilidade, no entanto, de que o Brasil participe como um aliado estratégico
dos países que integram a Otan – além dos Estados Unidos. Essa seria uma
sinalização política, segundo o professor Cortinhas, da UnB.
"Nem
tudo conversado entre os presidentes se torna definitivo. Importante lembrar da
cúpula entre Trump e Kim [Jong-un, da Coreia do Norte]. Prometeram mundos e
fundos e não se chegou a nada concreto", salientou Cortinhas.
O que é a
Otan?
A Otan foi
fundada em 1949, logo no início da Guerra Fria, como um pacto militar dos
países alinhados com os Estados Unidos. Após o esfacelamento da União Soviética
em 1991, algumas nações que antes faziam parte do bloco comunista – como
Polônia e Hungria – passaram a integrar a organização.
Um dos
princípios da organização, hoje com 29 países, garante aos integrantes o
princípio de defesa coletiva. Ou seja: um eventual ataque a um ou mais
países-membros do grupo será encarado como uma agressão a todos os demais
integrantes.
O professor de
relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, especialista em Estados Unidos,
comenta que o interesse de Trump na Otan é reticente desde a campanha
presidencial em 2016.
"Trump chegou
a chamar a Otan de obsoleta, acusou países europeus de tirarem vantagem do
acordo", relembrou Poggio.
Trump, então,
pressionou os integrantes do bloco a investirem mais em segurança – o que
foi atendido
pelas lideranças da Otan no ano passado, que firmaram um meta de gastos
de 2% do PIB com defesa até 2024. O norte-americano, então, elogiou a
medida. "A
Otan está muito mais forte agora do que há dois dias", disse
Trump, em julho.
Por Lucas Vidigal, G1



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