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© Ernesto
Benavides Os promotores Rafael Vela e José Domingo
Pérez conversam durante entrevista coletiva em
Lima, no Peru
01/01/2019
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O procurador-geral
do Peru, Pedro Chávarry,
voltou atrás em sua polêmica decisão e invalidou nesta quarta-feira, 2, a
destituição dos promotores Rafael Vela e José Domingo Pérez, principais membros
da equipe especial que investiga o escândalo de corrupção envolvendo a
construtora Odebrecht no
país.
A nova
resolução de Chávarry foi anunciada enquanto o presidente do Peru, Martín Vizcarra, chegava ao Congresso
para apresentar um projeto de lei para uma intervenção no Ministério Público e
anulação do afastamento dos dois promotores.
O
procurador-geral destituiu ambos quando se preparavam para assinar um acordo de
leniência com a Odebrecht que aparentemente agilizaria as investigações, com
interrogatórios já programados sobre os grandes casos de corrupção no país.
Chávarry
afirmou que tomou a medida hoje “em consideração à transcendência e à
importância das investigações vinculadas com crimes de corrupção de
funcionários públicos e pessoas ligadas a eles, nos quais teria incorrido a
empresa Odebrecht”.
O
procurador-geral acrescentou que considera que devem ser “transparentes as
ações tomadas pela equipe especial de promotores”.
Chávarry
destituiu os promotores em 31 de dezembro, a quatro horas da virada de ano, o
que levou Vela e Pérez a acusá-lo de servir aos interesses da organização
criminosa que eles investigam.
Os dois
apresentaram hoje uma impugnação da resolução que os afastava para que fosse
revisada pela comissão de procuradores supremos, composta por cinco
integrantes, um deles o próprio Chávarry.
Vela afirmou
ontem que o principal motivo da decisão de Chávarry é frustrar o acordo de
leniência fechado com a Odebrecht, marcado para ser assinado em 11 de janeiro.
Além do
ex-presidente Alan García e de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto
Fujimori e líder da oposição ao atual governo, as investigações do escândalo de
corrupção envolvendo a Odebrecht no Peru também tem como alvo os ex-presidentes
Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski.
Até agora, a
Odebrecht reconheceu ter pagado milhões de dólares em propinas no Peru entre
2005 e 2014, além de doações em dinheiro aos principais líderes políticos do
país, para financiar suas campanhas eleitorais à Presidência, em troca de
facilitação na concessão de obras públicas.
Mais cedo nesta
quarta, a força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no
Paraná havia repudiado a
destituição dos promotores.
Em nota, o
órgão afirmou que a medida se tratava de “um perigoso precedente
latino-americano para o trabalho independente e imparcial de promotores na
região e no mundo”.
(Com EFE)

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