
Vice foi
questionado se embargo é retaliação à intenção do Brasil de mudar embaixada em
Israel para Jerusalém. Segundo assessoria, ao falar em 'pessoal', ele se
referiu a 'analistas de mercado'.
"O pessoal
está se antecipando ao inimigo", disse nesta terça-feira (22) o
vice-presidente Hamilton Mourão ao responder a uma pergunta sobre se a decisão
da Arábia Saudita de barrar a importação de carne de frango de frigoríficos
brasileiros seria uma retaliação à intenção do governo de transferir a
embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
Na declaração,
Mourão não deixou claro se ao falar em "pessoal" estava se referindo
à Arábia Saudita. Procurada pelo G1, a assessoria da
Vice-Presidência informou que ele se referia a "analistas e comentaristas
de mercado".
A Arábia
Saudita barrou a importação de carne de frango de cinco dos 30 frigoríficos do
Brasil que forneciam para o país, de acordo com a Associação Brasileira de
Proteína Animal (ABPA). O mercado saudita é o maior comprador desse produto
brasileiro.
Mourão, que
está no exercício da Presidência em razão da viagem de Jair Bolsonaro a Davos
(Suíça), comentou o assunto ao sair do Palácio do Planalto. O vice-presidente
foi perguntando se a posição dos árabes seria uma retaliação causada pela
discussão do governo de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv
para Jerusalém.
“A embaixada
não está mudada ainda. O pessoal está se antecipando ao inimigo, pô”, disse
Mourão.
Mudança da
embaixada
Em novembro do
ano passado, após vencer a eleição presidencial, Jair
Bolsonaro anunciou a intenção de transferir a embaixada brasileirade
Tel Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump.
O Brasil não
oficializou a transferência, considerada polêmica porque representaria o
reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.
Israel
considera Jerusalém a "capital eterna e indivisível" do país. Mas os
palestinos não aceitam e reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um
futuro Estado palestino.
A mudança gerou
o receio de retaliações comerciais de países árabes, grandes compradores de
carne bovina e de frango do Brasil.
Frango halal
Conforme a
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o governo brasileiro foi
comunicado da suspensão dos frigoríficos na segunda-feira (21). Em nota, a
associação declarou que o embargo foi causado por "critérios
técnicos".
O Ministério da
Agricultura confirmou que, no momento, 25 unidades estão autorizadas a exportar
frango para a Arábia Saudita. Em 2018, o Brasil enviou para o país 486,4 mil
toneladas de carne de frango, o equivalente a 12,1% do total embarcado no ano.
A Arábia
Saudita compra carne de países que realizam o abate de acordo com princípios do
Islã, técnica chamada de halal. O Brasil é o maior exportador de frango halal
do mundo.
As empresas
brasileiras tiveram que adaptar fábricas e funcionários às exigências deste
tipo de produção. Os animais devem ser mortos com o peito direcionado para a
Meca e os sangradores têm que ser muçulmanos praticantes.
Por Guilherme Mazui, G1 —
Brasília
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