MPRJ ajuíza ação contra Pezão pelo suposto recebimento de mais de R$ 11 milhões da Fetranspor | Rio das Ostras Jornal

MPRJ ajuíza ação contra Pezão pelo suposto recebimento de mais de R$ 11 milhões da Fetranspor

De acordo com as investigações do MP, logo após a saída de
Sérgio Cabral  do governo, Pezão assumiu o cargo de
 governador e a liderança da organização criminosa.

Ex-governador é acusado de improbidade administrativa e manutenção de esquema criminoso. Pezão teria que devolver mais de R$ 45 milhões. Fetranspor poderá ser extinta.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou uma ação civil pública contra o ex-governador Luiz Fernando Pezão pelo recebimento de R$ 11,4 milhões que teriam sido pagos pela Fetranspor. O objetivo da entidade, segundo a ação, era que Pezão defendesse os interesses da organização durante o seu governo. Pela constante prática de corrupção, a Fetranspor pode até ser extinta.
De acordo com o MP, entre os atos de Pezão para beneficiar a Fetranspor, está o oficio de 10 de janeiro de 2017, que autorizava o acréscimo de R$ 0,27 nas tarifas de ônibus intermunicipais, além da correção da inflação pelo IPCA. Como justificativa, o ex-governador disse que o aumento seria para reembolsar os custos com gratuidades nos anos de 2015 e 2016.
Porém, segundo o MP, esses custos com gratuidades já eram pagos pelos demais usuários do sistema de ônibus, pois integrava a base de cálculo das tarifas e dos reajustes periódicos.
Para os investigadores, “não se trata apenas de um governador incompetente ou inerte, mas sim corrupto, que pautou suas condutas, seja pela omissão, seja pela prática de atos funcionais comissivos, dolosamente direcionadas para favorecer aqueles que lhe corrompiam”.
De acordo com as investigações do MP, logo após a saída de Sérgio Cabral do governo, Pezão assumiu o cargo de governador e a liderança da organização criminosa.
Dentre as empresas que pagavam propina ao Poder Executivo durante o governo Cabral, o destaque era da Fetranspor que, por ordem do ex-presidente do conselho de administração da entidade, José Carlos Lavouras, também réu na ação civil pública, manteve a rotina de pagamentos de vantagens ilícitas após Pezão assumir.
Para Luis Fernando Ferreira Gomes, promotor do Ministério Público Estadual, diversas investigações do MP estadual detectaram que a Fetranspor tem sido utilizada para corromper diversos agente públicos e por isso pode ser extinta.
“Podemos citar ações envolvendo conselheiros do Tribunal de Contas, deputados estaduais, como Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi e também o executivo. Por isso nós entendemos que a Fetranspor é uma das pessoas jurídicas que se adequa a sanção legal que prevê o fim dessa pessoa jurídica”, explicou o promotor.
Já à frente do Poder Executivo, Pezão indicou Luiz Carlos Vidal Barroso e Hudson Braga, ex-secretário estadual de obras, para controlar o recolhimento e a distribuição da propina arrecadada.
Pezão pode ter que devolver mais de R$ 45 milhões
O MPRJ pede na ação que todos os valores recebidos ilegalmente pelos envolvidos sejam devolvidas aos cofres públicos, além de aplicação de multas e outras sanções.
No caso de Pezão, que está preso desde de novembro, o MP pede a devolução de R$ 45,600 milhões, equivalentes ao suposto valor recebido (R$ 11,4 milhões) mais a multa no valor de R$ 34,2 milhões, equivalente ao triplo do acréscimo patrimonial, como determina o artigo 12, da Lei de Improbidade Administrativa (8.449/92).
Já à Fetranspor, é solicitado o pagamento de R$ 34,2 milhões, multa equivalente ao triplo do valor subtraído ilegalmente. A multa é a mesma aplicada ao ex-dirigente José Carlos Lavouras. No caso de Luiz Carlos Barroso, o MPRJ pede a aplicação de multa de R$ 27,9 milhões, seguindo o mesmo critério dos outros casos. Pelo mesmo motivo, Hudson Braga deve ter que pagar uma multa de R$ 6,3 milhões.
A condenação proposta pelo Ministério Público aos quatro acusados sugere as penas previstas no artigo 12 da Lei de Improbidade Administrativa, como perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos e proibição de contratar com o Poder Público, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.
Com base nas leis de improbidade administrativa e de anticorrupção empresarial, a Fetranspor pode ficar até cinco anos proibida de fazer parceiras com o Poder Público. A legislação prevê ainda que a entidade pode ficar proibida de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público, também por até cinco anos.
Em nota, a Fetranspor disse que “desenvolve atualmente uma profunda reestruturação interna e reafirma o seu compromisso com uma nova gestão que prioriza a transparência de seus atos. A federação disse ainda que todas as notícias recentes se referem a fatos cometidos pela última gestão. A Fetranspor reiterou o comprometimento para colaborar com as investigações em andamento e para cumprir todas as determinações judiciais, permanecendo a disposição das autoridades”
Por Globonews

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