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General
Augusto Heleno, futuro ministro do Gabinete de Segurança
Institucional — Foto: Fabio Rodrigues
Pozzebom/Agência Brasil
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"Isso aqui
tá parecendo a 25 de março!", brincou no dia 7 de dezembro o general
Augusto Heleno, futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
ao comentar o quão tumultuado estava o novo local de trabalho, onde despacha
desde que Jair Bolsonaro foi eleito.
"Isso
aqui" é a sede do governo de transição, em Brasília, no Centro Cultural do
Banco do Brasil (CCBB).
Naquele dia,
uma sexta-feira, Heleno havia se encontrado no CCBB com o embaixador da
Argentina, com quem brincou sobre o vai e vem de gente no prédio.
"Eu ia
falar ao embaixador que tava parecendo a 25 de março, mas como ele não ia
entender, falei: 'Isso aqui está pior que a Calle Florida'", referindo-se
à famosa rua de Buenos Aires, repleta de lojas e, por isso, também tumultuada.
O encontro com
o embaixador era só um dos muitos compromissos do general Heleno naquela
semana, que se encerrava com a nomeação da futura ministra dos Direitos
Humanos, Damares Alves.
Àquela altura,
Heleno não a conhecia. "Se passar por mim, não sei quem é."
Dias depois, em
12 de dezembro, o general já tinha opinião formada sobre a colega de Esplanada.
"Sabe que eu conversei com ela e me surpreendi?", relatou ao Blog.
Questionado se
ela o havia surpreendido de forma positiva ou negativa, respondeu: "Muito
positivamente. Sabia que ela salvou uma criança indígena e a adotou, salvando-a
da morte?".
General Heleno
gosta de conversar, mas, principalmente, gosta muito de ouvir. Ele passou a ser
reconhecido nas ruas desde a campanha eleitoral. O oficial diz que ainda está
tentando se acostumar com os pedidos para selfies.
Em um café em
Brasília que frequenta desde a campanha presidencial, ganhou o que chama de
"café especial". Quando ele faz o pedido, o garçom traz a xícara com
espuma com o número 17, o de Bolsonaro na urna.
Heleno é
bem-humorado e costuma responder a cenários que considera improváveis com
tiradas engraçadas. Ele tem apreço especial pela gramática.
Na equipe do
futuro governo, o futuro chefe do GSI evita criar arestas e, se for acionado ou
provocado, trabalha para apagar incêndios.
"Essa
coisa aí do PSL é briga de irmão. Agora, eu vi que já publicaram foto e tá todo
mundo se abraçando", minimizou o general, referindo-se ao bate-boca
protagonizado entre os deputados Joice Hasselman e Eduardo Bolsonaro, ambos do
PSL de São Paulo, em um grupo de WhatsApp. A discussão entre os dois deputados
do partido de Bolsonaro que vazou para a imprensa.
Heleno se
interessa por diversos temas, porém, no governo Bolsonaro vai ocupar a chefia
do Gabinete de Seguranca Institucional, um cargo estratégico dentro do Palácio
do Planalto, próximo ao presidente.
O oficial hegou
a ser cotado para o Ministério da Defesa, entretanto, acabou indicado para o
GSI exatamente porque o presidente o queria por perto. O órgão é responsável
pela segurança presidencial.
Heleno é visto
como homem de confiança do presidente, principal conselheiro e, fora do círculo
familiar, o personagem mais influente junto a Bolsonaro.
Os filhos do
presidente, por exemplo, veem em Heleno um aliado leal do pai. Uma espécie de
“pai do pai" do presidente eleito.
Heleno, que
também foi cotado para ser candidato a vice-presidente, é um dos poucos
auxiliares de Bolsonaro que contam com o respeito, inclusive, do vereador do
Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSL), terceiro filho do presidente, que já
declarou publicamente nas redes sociais que tem desconfiança com alguns
assessores do pai. Mas com Heleno, não.
O filho mais
velho do presidente, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quando
questionado sobre qual general é mais próximo do pai, costuma lembrar,
reservadamente, que Bolsonaro trata Heleno por "Helenão", brincando
com o general. No núcleo politico, Heleno é visto também como uma espécie de
perfil "moderado" dentro do Palácio do Planalto.
"Ele
[Heleno] vai cumprir o papel que o Villas Bôas cumpriu no comando das Forças
Armadas com outros poderes, mas dentro do governo também. Ele dialoga com todo
mundo, é equilibrado e discreto, e isso tudo com livre acesso ao
presidente", disse ao Blog um
presidente de poder.
"Villas
Bôas" é o general Eduardo Villas Bôas, querido dentro do Exército e amigo
de longa data de Heleno.
No ano que vem,
Villas Bôas será substituído por Edson Pujol, já indicado por Bolsonaro para o
posto. Falar em Villas Bôas, que tem uma doença degenerativa, é um dos assuntos
que emociona Heleno. "Fico arrepiado quando falo no VB", costuma
dizer o futuro ministro do GSI.
Heleno faz
elogios a "VB" e também a outros generais amigos que ocuparão cargos
estratégicos no Planalto, como o general Carlos Alberto dos Santos Cruz,
conhecido como general Santa Cruz, futuro ministro da Secretaria de Governo.
A descrever o
general Santa Rosa, Heleno destaca que o futuro ministro da Secretaria de
Governo é muito culto, lê muito e fala até russo. "Eu me ressinto disso
hoje em dia. Com essa correria, só tô conseguindo ler zap", disse Heleno.
O futuro chefe
do GSI também elogiou ao Blog o
general Floriano Peixoto, futuro secretário-executivo da
Secretaria-Geral, pasta que será comandada por Gustavo Bebianno.
"Ele
[Floriano Peixoto] tem uma história muito incrível. Ele comandava a missão de
paz no Haiti, estava fora do Haiti no dia do terremoto e só não morreu porque
estava nos EUA", destacou o futuro GSI.
Augusto Heleno
também descreveu ao Blog o
vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão. Segundo o futuro ministro do
GSI, Mourão é autêntico porque "fala o que pensa". No entanto, ele
fez questão de observar que o vice eleito é leal a Jair Bolsonaro.
Em meio à
campanha presidencial, Heleno brincava algumas vezes com Mourão quando alguma
declaração polêmica do amigo repercutia na imprensa, pedindo que ele se
segurasse.
Heleno não
gosta de ser rotulado como "principal general" de Bolsonaro. Tampouco
aceita a definição de que será o "moderado" do Palácio do Planalto, o
ponto de equilíbrio do governo e principal conselheiro do presidente.
"Não tenho
essa pretensão", enfatizou o futuro ministro ao Blog.
Ele tem ideias
que gostaria de ver em prática no Brasil. Por exemplo, a implementação de
escolas militares nas favelas. Na avaliação do general, essa medida seria mais
eficaz do que as UPPs.
Nos bastidores,
o general Heleno é da turma que avalia que "tudo que é preciso explicar é
ruim". Indagado sobre a situação do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorezoni,
Heleno diz que não é "elogiável" estar citado em uma delação,
contudo, ele avalia que a acusação de que o deputado gaúcho recebeu caixa 2 não
prejudica a imagem do futuro governo.
No caso
envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – primogênito de Jair
Bolsonaro – e um ex-assessor da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
que caiu nas garras do Coaf por ter movimentado
R$ 1,2 milhão de forma suspeita, Heleno cobra, nos bastidores,
uma explicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que atuava como motorista de
Flávio no Legislativo fluminense.
O general
lembra que Queiroz foi soldado de Mourão no Exército em 1987. Heleno,
entretanto, não conviveu com Queiroz por estarem em áreas diferentes no
Exército.
Ao comentar
pautas de costumes, e o quanto isso pesou na campanha presidencial deste ano,
Heleno diz que muitas coisas são "impensáveis" para a geração dele.
Aos 71 anos, o
general de quatro estrelas gosta de lembrar dos tempos do Exército e costuma
emendar a frase "isso é uma história interessante" quando vai
resgatar algum episódio com riqueza de detalhes.
Recentemente,
o Blog relatou a
Heleno que, ao fazer um comentário sobre o futuro governo, Gilberto Gil
relembrou que já esteve com o futuro ministro do GSI no Haiti, quando o cantor
era ministro da Cultura do governo Lula.
Heleno, após
emendar a frase de que "aquilo era uma coisa interessante", contou
que, quando o ministro e o general se encontraram, eram tempos difíceis e ele
comandava a missão de paz do Brasil no Haiti.
O homem forte
do governo Bolsonaro lembrava da visita do então ministro da Cultura à missão
do Haiti, principalmente porque ocorreu em um momento de respiro para os
soldados brasileiros, em meio à tensão no país caribenho, abalado por violenta
crise interna.
Heleno, em tom
de brincadeira, recordou ao Blog que
precisou "restabelecer a ordem" para Gil conseguir cantar na missão
brasileira no Haiti.
"Lembro
que Gilberto Gil, em clima de cidade de interior mesmo, sentou-se em um banco
para tocar e cantar, cercado pela tropa que não estava em operação. Um dos
cabos, que liderava uma banda de amadores, se entusiasmou com a presença do
ministro-artista e pediu para apresentar uma música. Gil permitiu, ouviu e
elogiou. A banda resolveu cantar outra. Quando senti que iam para a terceira,
mandei um aviso ‘incisivo’ para o cabo: 'Se você não deixar o Gil cantar, vou
prender a banda inteira'", contou Heleno.
"Na verdade,
uma ameaça fake , mas que foi levada a sério", ponderou o futuro ministro
ao Blog, em tom de
brincadeira.
Augusto Heleno
espera que o futuro governo encontre soluções para as crise econômica e de
segurança pública.
Ele também
defende a reforma da Previdência Social, mas ressalta que será necessária uma
articulação habilidosa com o Congresso para aprovar o projeto. O oficial
destacou que, apesar de reconhecer as dificuldades da pauta, não vê outra saída
para o reequilíbrio das contas públicas.
Heleno costuma
repetir a Bolsonaro que o sucesso da futura gestão se dará se o presidente
eleito seguir o tripé austeridade, honestidade e transparência, além de dar o
exemplo.
Quando indagado
sobre se o futuro governo vai dar certo, ele costuma repetir: "Pode dar
errado? Pode. Mas precisa dar certo. Senão, a única coisa que a minha geração
terá visto dar certo terá sido o Pelé jogar", ressalta o futuro ministro
do Gabinete de Segurança Institucional.
Por Andréia Sadi

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