Futuro
ministro da Justiça comentou o assunto durante entrevista coletiva no gabinete
de transição. Presidente assinou decreto de extradição na semana passada;
Battisti está foragido.
O futuro
ministro da Justiça, Sérgio
Moro, avaliou nesta segunda-feira (17) como "acertada" a
decisão do presidente Michel Temer de
assinar o decreto de extradição do italiano Cesare Battisti.
Temer assinou o
decreto na
semana passada, um dia após o ministro Luiz Fux, do Supremo
Tribunal Federal, determinar
a prisão de Battisti, atendendo a um pedido da Interpol.
Battisti
está foragido,
e a Polícia Federal fez duas
tentativas de captura do italiano nesta segunda, em São Paulo. A
PF esteve em endereços informados por denúncias anônimas como possíveis
esconderijos.
"Na minha
avalição, o asilo que foi concedido a ele [Battisti] anos atrás foi um asilo
com motivações político-partidárias. Em boa hora isso foi revisto", disse
o futuro ministro.
"Não se
pode tratar a cooperação jurídica internacional por critérios
político-partidários, a decisão é acertada. Lamentavelmente essa pessoa se
encontra foragida", acrescentou.
Moro deu as
declarações durante uma entrevista coletiva na sede do governo de transição na
qual anunciou a nova
secretária nacional de Justiça.
A defesa de
Battisti já recorreu ao Supremo, pedindo a Fux que reconsidere
a decisão ou leve o caso ao plenário, composto pelos demais dez
ministros do tribunal. Luiz Fux ainda não decidiu sobre o pedido.
Mãos Limpas
Até então
responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro deixou de ser juiz para
integrar o governo Jair Bolsonaro.
O futuro
ministro se diz admirador da Operação
Mãos Limpas, que investigou um esquema de corrupção envolvendo
políticos na Itália.
"Os países
têm que cooperar entre eles contra a criminalidade e o senhor Cesar Battisti
foi condenado por homicídios na Itália. A Itália é um país que tem um
Judiciário forte, independente, e não cabe ao Brasil ficar avaliando o mérito
ou não da condenação", afirmou Moro.
Entenda o caso
Battisti
A polêmica em
torno de Battisti teve início durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 1993, Cesare
Battisti foi condenado na Itália por quatro homicídios na década de 1970. Ele
fugiu para o Brasil, e o governo italiano pediu a extradição.
Em 2009, o
Supremo Tribunal Federal julgou
o pedido procedente, mas entendeu que a palavra final cabia ao
presidente da República.
Lula, então, em
2010, negou
a extradição de Battisti. No ano passado, a Itália pediu ao
governo Michel Temer que o Brasil revisasse a
decisão.
Numa entrevista
concedida à GloboNews, Battisti negou ser o responsável pelas mortes na Itália,
afirmando que nunca
matou ninguém.
Por Guilherme Mazui e Roniara Castilhos, G1 e
TV Globo — Brasília
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