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© Foto:
Sanjit Das/Bloomberg
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O dólar pegou muito viajante de
surpresa na semana passada ao romper o patamar dos R$ 4, se estabelecendo acima
dos R$ 4,10 desde a última quinta-feira. A atual disparada fez com que as casas de câmbio, onde a moeda já era
vendida acima de R$ 4,40, encontrassem espaço para divulgar seu novo
serviço: elas hoje aceitam cartão
de crédito como forma de pagamento para a compra de dólar em espécie ou
em cartão pré-pago.
A facilidade,
liberada pelo Banco Central no último mês de março, já está disponível nas
principais redes e, além do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), é
cobrada uma tarifa extra para as compras com cartão, que vai de 2% a 3,5%,
dependendo da negociação da empresa com a bandeira (Visa, Master, Elo e
outras).
Em algumas
casas, como a Europa Câmbio, é possível até parcelar a compra do dólar. Nesse
caso, o juro é progressivo, conforme o número de vezes em que a compra é
dividida – parte dos 3,5% na compra em uma única vez para 6,5% na compra em
seis parcelas, o máximo possível.
Uma das
vantagens apregoadas pelas casas de câmbio é que, ao realizar a compra no
cartão de crédito, o consumidor consegue “travar” o valor do dólar e pagar pelo
preço da moeda na hora da compra, mesmo que só desembolse o dinheiro no
vencimento da fatura do cartão.
Especialistas,
no entanto, pedem atenção para a nova comodidade. Segundo economistas,
profissionais da área de câmbio e planejadores financeiros, os juros cobrados
podem transformar a operação em um peso ainda maior para o bolso do consumidor.
“Você vai pagar o preço da moeda, que já está alto, e mais 2%, 3,5% de juros por usar o cartão. Pode dar certo se o dólar subir mais do que isso em um mês; mas pode não dar se ele cair”, diz Estevão Garcia de Oliveira, coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação da Fipecafi. “Na verdade, a operação é uma loteria e o melhor é pagar à vista.”
“Você vai pagar o preço da moeda, que já está alto, e mais 2%, 3,5% de juros por usar o cartão. Pode dar certo se o dólar subir mais do que isso em um mês; mas pode não dar se ele cair”, diz Estevão Garcia de Oliveira, coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação da Fipecafi. “Na verdade, a operação é uma loteria e o melhor é pagar à vista.”
Compra
‘parcelada’
Segundo
analistas, a melhor forma que o consumidor com viagem marcada tem para
minimizar o impacto da oscilação do dólar é programar as operações com
antecedência – e dividir o que seria uma compra de moeda em muitas ao longo
desse período.
“Definida a viagem,
o ideal já é começar a fazer pequenas operações de câmbio e sempre optar pelo
dólar em espécie, à vista”, afirma a planejadora financeira Diana Benfatti,
especialista pela Planejar. “Não faz diferença fazer uma ou dez operações de
câmbio, já que você só paga o 1,1% de IOF. E tudo bem pagar mais caro em uma
operação em uma semana do que outra. A ideia é justamente ampliar a fase de
compras para não correr o risco de pagar muito caro no dólar em uma operação
apenas”, diz.
Para Diana, a
compra com cartão de crédito, ainda mais parcelado, tem um alto custo para o
consumidor. “Se você corrigir as taxas cobradas pelas corretoras e comparar com
as taxas anuais das operações de crédito, uma compra de dólar em seis parcelas
daria quase 30% de juros por ano. É muito caro, ainda mais para um dólar acima
de R$ 4”, afirma.
Edisio Pereira
Neto, diretor de negócios da Europa Câmbio, justifica que a compra parcelada no
cartão é indicada principalmente para quem deixou para a última hora. “Nossas
operações em aeroportos são as campeãs de venda, o que mostra que o brasileiro
ainda deixa para comprar dólar na última hora. Nesse caso, fazer a compra com
cartão e ainda conseguir parcelar faz sentido, pode dar um fôlego para o
consumidor”, destaca.
Renato
Jakitas

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