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Lula e Sérgio Ccabral na inauguração da Transoeste, uma
das obras da Rio 2016 (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
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Operação
'Unfair Play' apura compra de votos para sediar os Jogos Olímpicos.
Ex-presidente Lula foi convocado a pedido Cabral, e o testemunho de Pelé foi
solicitado por Nuzman.
O ex-presidente
da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será ouvido nesta terça-feira (5),
às 10h, como testemunha de defesa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral
(MDB-RJ). Na mesma condição, Pelé também prestará depoimento a pedido de Carlos
Arthur Nuzman. Cabral e Nuzman são réus na Operação Unfair Play, desdobramento
da Lava Jato no Rio.
Se de fato
ocorre, essa será a primeira declaração de Lula desde o dia 7 de abril, quando
se entregou em São Paulo e foi conduzido para Curitiba, no Paraná.
Lá, o ex-presidente permanece preso
numa sala especial dentro do prédio da Polícia Federal. A
audiência com Lula será conduzida pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal
Criminal, por vídeoconferência.
A operação
sobre a qual Lula e Pelé vão depor investiga a suposta compra de votos para a
cidade sediar os Jogos Olímpicos. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o
esquema de corrupção montado pelo ex-governador Sérgio Cabral teria
"comprado" votos de dirigentes do Comitê Olímpico Internacional
(COI).
Ainda segundo
as investigações do MPF, foram encontrados indícios de que Nuzman teve
participação na negociação. O ex-dirigente chegou a ser preso, mas foi solto
após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Os procuradores
afirmam que um dos votos comprados foi o de Lamine Diack, então presidente da
Federação Internacional de Atletismo e, naquele momento, membro do COI. O
dinheiro teria sido entregue ao filho dele, Papa Massata Diack. Lamine Diack,
segundo o MPF, pode ter repassado parte dos valores para comprar mais votos.
Compra de
votos da Rio 2016
O pagamento aos
membros do COI teria sido feito pelo empresário Arthur Soares, também conhecido
como Rei Arthur, que está foragido. Soares tinha negócios de R$ 3 bilhões com o
Estado do Rio e era próximo ao ex-governador.
Já Cabral teria
se beneficiado de contratos firmados para as obras olímpicas. O MPF sustenta
que o ex-governador pedia 5% de propina sobre o valor de todas as obras.
Cabral nega as
acusações e afirma que jamais recebeu propina. Sobre a suposta compra de votos,
o ex-governador considera um "acinte" da vitória
"consagradora" do Rio.
"O RJ foi
eleito com uma diferença de 40 votos com relação à 2ª candidata, Madri. Pela
versão do MPF seriam todos corruptos. Não tenho dúvidas de que em pouco tempo
conseguiremos desmontar essa invencionice", disse à época.
Farra dos
Guardanapos
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Sérgio
Cabral e Sérgio Côrtes aparecem em foto que ficou
conhecida como 'farra do guardanapo'
(Foto:
Reprodução / TV Globo)
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Era setembro de
2009 quando um jantar com autoridades públicas do Rio de Janeiro foram
fotografadas com guardanapos na cabeça. O episódio acabou ficando conhecido
como "a farra dos guardanapos". Na ocasião, Cabral foi receber um
prêmio em Paris, na França, poucos dias antes da escolha do Rio como sede
olímpica de 2016.
Agora, nove
anos depois, o MPF desconfia que naquela época os votos dos membros do COI já
estavam comprados e a "farra dos guardanapos" foi uma
"celebração" antecipada da vitória da Rio 2016.
"O que nós
temos de informação é que Lamine Diack [um dos jurados da eleição que definiu o
Rio como sede dos Jogos] era um frequentador assíduo de Paris e pode ter havido
uma comemoração antecipada daqueles que mais lucraram com a Olimpíada no
Brasil", ressaltou a procuradora Fabiana Schneider.
Por Gabriel Barreira, G1 Rio


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