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Movimentação
no check-in em Cumbica; diversos voos para
a Argentina foram cancelados (Foto: Abraão
Cruz/TV Globo )
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Transporte
público deve ser o mais afetado. Para o governo, os motivos do protesto são
políticos.
A greve geral
que começou à 0h desta segunda-feira (25) na Argentina afeta serviços como
transportes, escolas, coleta de lixo e postos de gasolina no país e reflete nos
voos que partem do Brasil para lá e vice-versa.
É a 3ª greve
geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri. Para o governo,
a paralisação é política.
Os
organizadores do protesto calculam que pelo menos 1 milhão de trabalhadores
devem aderir à greve, convocada pela peronista Confederação Geral do Trabalho
(CGT), que agrupa os principais sindicatos da Argentina.
Serviços
afetados
Os metrobus das
grandes cidades da Argentina (carros especiais para o transporte público
urbano) permanecem desertos desde meia-noite e circulam apenas táxis pelas
ruas.
A circulação de
caminhões é quase inexistente, de acordo com a agência Efe. Em Buenos Aires,
também não funciona o trem de mercadorias que liga os setores do porto.
Os portos e
aeroportos, as estações e linhas de ferrovia, as entidades bancárias, os
escritórios, hospitais (exceto urgências) e escolas públicas, os serviços de
coleta de lixo e postos de gasolina também serão afetados pela greve.
Voos no
Brasil
A greve causou
efeitos para os passageiros de companhias aéreas do Brasil. Há voos cancelados
em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.
Veja a
situação em cada capital:
A Gol informou
que todos os voos operados pela companhia de e para a Argentina nesta
segunda-feira foram cancelados, e que foram criados novos voos para atender a
demanda. A Gol disse ainda que abriu 9 voos extras entre os dias 24 e 26 de
junho para acomodar os passageiros.
Os passageiros
impactados poderão procurar a companhia para remarcar as viagens, sem a
cobrança de taxas e de acordo com a disponibilidade. Ou ainda, solicitar reembolso
ou crédito integral de suas passagens, pelos canais de atendimento: site
(www.voegol.com.br), aplicativo ou pelo telefone da Central de Atendimento 0300
115 2121 e 0800 704 0465.
A Latam
Airlines informa que cancelou todos os voos domésticos e internacionais
operados de e para os aeroportos da Argentina.
Todos os
passageiros que desejarem, podem optar por uma das seguintes alternativas:
- Alterações de data /voo (mesma origem-destino): os
passageiros que queiram alterar a data/voo sem multas ou diferenças
tarifárias (pode ser ida e volta simultaneamente) podem fazê-lo para até
15 dias após a data original;
- Mudança de rota: uma mudança de rota sem multas,
sujeita às diferenças tarifárias aplicáveis;
- Reembolso: solicitar o reembolso do bilhete não
utilizado sem a cobrança de multas.
A companhia
recomenda aos passageiros que compraram bilhetes para voar nesta segunda que
reprogramem os seus voos antecipadamente. Neste link é possível acessar a reprogramação
do voo. Ou ainda comunicar-se com a central de atendimento da Latam Airlines em
0810-9999-526 (na Argentina), para 4002-5700 (nas capitais brasileiras) ou
0300-570- 5700 (nas demais localidades do Brasil).
A Azul cancelou
6 voos de ou para Buenos Aires. São eles:
- AD8762 - Belo Horizonte/Buenos Aires (24/6)
- AD8763 - Buenos Aires/Belo Horizonte (25/6)
- AD8760 - Belo Horizonte/Buenos Aires (25/6)
- AD8761 - Buenos Aires/Belo Horizonte (25/6)
- AD8734- Navegantes/Buenos Aires (25/6)
- AD8735 - Buenos Aires/Navegantes (25/6)
Os clientes
foram acomodados em outros voos da própria empresa. A Azul disse que atenderá
os passageiros nos telefones 4003-1118 (capitais e regiões metropolitanas),
0800-887-1118 (demais localidades) e +54 11 5984-5178.
A Aerolíneas
Argentinas anunciou que também cancelou todos os seus voos. Os passageiros que
desejem reembolso poderão pedir por meio do mesmo canal que utilizaram para a
compra. Além disso, os passageiros que preferirem reprogramar seus voos, até dentro
dos próximos 15 dias da greve, poderão fazê-lo sem restrições e de acordo com a
disponibilidade de lugares.
A companhia
sugere realizar as alterações/modificações após esta segunda-feira, já que o
atendimento ao cliente durante o dia da greve poderá ser afetado.
A Aerolineas
Argentinas, solicita aos passageiros não comparecerem aos aeroportos durante o
dia da greve. Em caso de dúvidas a central de atendimento é 0800-761-0254.
Desavenças
O protesto,
convocado pela CGT, ganhou o apoio da Central de Trabalhadores da Argentina
(CTA) e da CTA-autônoma, uma das divisões da CTA.
Embora a
convocação da CGT se limite a uma paralisação das atividades, sem
manifestações, setores mais radicais anunciaram que pretendem bloquear os
acessos à cidade de Buenos Aires com mobilizações.
Os sindicatos
desejam o reinício das negociações de ajustes salariais deste ano, para um
alinhamento com a projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em
27%.
As negociações
que aconteceram em sua maioria no início do ano utilizaram como referência a
meta de inflação anual de 15%.
Para tentar
retomar o diálogo com os sindicatos, o ministro do Trabalho, Jorge Triaca,
afirmou desejar que as negociações salariais aconteçam livremente.
Esta greve
geral na Argentina é a terceira em 15 meses contra o governo de Macri. As
outras duas foram convocadas em 6 de abril e 18 de dezembro de 2017.
Crise
econômica
Os sindicatos
da Argentina se opõem ao acordo
firmado pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) devido ao
agravamento da situação econômica do país.
"A greve é
contra o programa econômico, para que se abandone esta linha de ajuste
permanente. O FMI sempre trouxe penúrias aos argentinos", disse à AFP Juan
Carlos Schmid, dirigente da CGT.
Para enfrentar
uma corrida cambial que começou no fim de abril e que provocou uma
desvalorização da moeda de quase 35% no decorrer do ano, o FMI concedeu à
Argentina um crédito de US$ 50 bilhões, o maior já estabelecido pela
instituição.
O crédito tem
vigência de três anos e, em troca, a Argentina se compromete a reduzir a zero
em 2020 seu déficit fiscal, que no ano passado foi de 3,9% do PIB.
Para isso é
necessário interromper as obras públicas, reduzir o tamanho do Estado e limitar
as transferências às províncias.
Como previsão,
o acordo contém uma cláusula que permite ao Estado elevar o gasto em projetos
sociais no caso de aumento da pobreza, que em 2017 atingiu 25%.
O desemprego
chegou a 9,1% no primeiro trimestre do ano, contra 7,2% no último trimestre de
2017.
Por G1

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