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© PA Professor
Albert Einstein
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Chineses
defenderam Albert Einstein na internet depois da publicação recente de diários
de viagem nos quais o cientista judeu chama o povo de "acelerado, sujo e
obtuso".
Trechos de seus
escritos enquanto viajava pela Ásia nos anos de 1920 foram repercutidos na
última semana, surpreendendo admiradores do criador da Teoria da Relatividade.
“Os chineses
não se sentam para comer, mas agacham-se como os europeus fazem quando se
aliviam de cócoras no mato", ele escreveu.
“Tudo isso acontece de maneira humilde e
silenciosa. Até as crianças parecem ser inanimadas e obtusas”,
prosseguiu.
O físico
notoriamente disse em uma declaração que o racismo era “uma doença dos homens
brancos”. Nos seus escritos privados, no entanto, ponderou: “Seria uma pena se
os chineses suplantarem todas as nações. Para gente como nós, esta simples
ideia é indescritivelmente horrível”.
Enquanto alguns
usuários convocaram um “boicote a Einstein” e escreveram que suas observações
provavam que “todas as pessoas, até Einstein, têm um lado estúpido e
superficial”, a maioria disse que a China mudou muito em relação ao país que
ele conheceu.
“Einstein
viajou para a China na época errada”, escreveu um usuário do Weibo, relatando
que aqueles eram os primeiros anos da república chinesa, criada em 1912, uma
época que veio após séculos de regime imperial. “Fome, guerra e pobreza
assolavam o povo chinês. Como os chineses daquela época poderiam ter o respeito
de Einstein?”, defendeu.
Muitos deram
apoio incondicional ao cientista: “um insulto à China? Ridículo. Os chineses
naquela época tinham aparência suja? É só ver as fotos da época, eles eram
mesmo sujos, Einstein fez um retrato fiel”.
Outros ainda
compararam as observações aos escritos de Lu Xun, considerado o pai da
literatura chinesa moderna, que ficou conhecido por sua ácida sátira da
sociedade chinesa do início do século XX. “Elogiamos Lu Xun porque ele apontou
nossas desvantagens. Por que deveríamos culpar Einstein por isso?”
As narrativas
históricas promovidas pelo governo chinês geralmente caracterizam os dias
anteriores ao partido comunista tomar o poder em 1949 como caóticos.
O jornal Global
Times, mantido pelo governo, publicou um editorial na sexta elogiando as
reações dos usuários chineses na internet. O autor, que assina o texto como
Gengzhige, escreveu: “teria curiosidade em saber o que Einstein escreveria hoje
se visse o que os chineses disseram sobre suas opiniões, escritas em seu diário
particular”.
O editorial
gerou dois mil comentários. Um dos mais curtidos foi: “A dignidade é uma
conquista, não uma dádiva de terceiros”.
Mas houve
algumas vozes dissidentes: “Isto é puro e simples racismo. Podemos perceber que
Einstein é forte na física, mas não entende nada de seres humanos”, disse um
usuário.
* Versão
brasileira de Hermano Freitas, da equipe do MSN Brasil (via Adecco)

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