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O estudante
Víctor Salazar corre, em chamas, após a explosão
do tanque de
gasolina de uma moto durante protesto em Caracas,
na
Venezuela, no dia 3 de maio de 2017 (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)
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Estudante
Víctor Salazar teve roupas incendiadas após a explosão do tanque de gasolina de
uma moto durante protesto em Caracas em maio de 2017. Prêmio World Press Photo
teve participação de mais de 4.500
fotógrafos de 125 países.
Como uma bola
de fogo, o jovem corria desesperado. Agitava as mãos instintivamente, tentando
apagar as chamas. Sua máscara de gás só deixava escapar alguns gritos de dor.
Atrás dele, em uma parede, uma pichação mostrava uma arma que disparava a palavra
"PAZ".
A poucos
centímetros, o fotógrafo da AFP Ronaldo Schemidt imortalizava esse instante dos
violentos protestos que sacudiram a Venezuela entre abril e julho de 2017.
Premiada como a
Melhor Foto do Ano pelo prestigioso concurso World Press Photo (WPP), nesta
quinta-feira (12), em Amsterdã, a imagem captou o momento em que Víctor
Salazar, um estudante de 28 anos, queimava como uma tocha humana, após a
explosão do tanque de gasolina de uma motocicleta militar com outros jovens
manifestantes em 3 de maio na Praça Altamira, no leste de Caracas.
A sequência
desta imagem durou dez segundos, se muito.
"Senti um
calor, o clarão. Eu não sabia o que era, só vi que uma bola de fogo vinha na
minha direção. Eu a segui, disparando a minha câmera sem parar, ouvi seus
gritos e foi aí que me dei conta do que era", disse, então, Schemidt à AFP
em Caracas.
O fotógrafo
venezuelano, de 46 anos, que deixou sua terra natal há quase duas décadas, foi
enviado do escritório do México para reforçar a equipe de Caracas na extenuante
cobertura dos protestos organizados pela oposição ao governo venezuelano em
2017.
"Não
queria mais viver"
Implorando por
socorro, Víctor, já sem sua camiseta incendiada, se jogou no asfalto,
revirando-se no chão para tentar acabar com seu suplício. Outros jovens
manifestantes conseguiram apaziguar as labaredas, usando as próprias mãos.
Com 70% do
corpo queimado, foi submetido a 42 cirurgias de enxerto de pele. "Seu
tratamento foi muito doloroso, muito traumático, gritava, não queria mais
viver. Agora está cicatrizando", relatou recentemente à AFP sua irmã,
Carmen Salazar.
As queimaduras
o deixaram, inclusive, sem algumas impressões digitais. Um ano depois, ainda
continua em tratamento em sua casa em Ciudad Guayana, no sul da Venezuela.
Víctor não quer exposição na imprensa e, segundo sua irmã, se recusa até mesmo
a ouvir falar no assunto.
Quer deixar
para trás o dia em que esteve no grupo de jovens que, com os rostos cobertos
por lenços e capuzes, deu golpes em uma motocicleta tomada como troféu de
guerra, pouco depois de ser arrastada por um blindado da Guarda Nacional, que
os militantes incendiaram parcialmente com coquetéis molotov.
Meu país
refém
Foram quatro
meses de confrontos quase diários entre as forças de segurança e opositores que
exigiam a saída do poder do presidente Nicolás Maduro, em meio a uma das piores
crises econômica, política e social que a Venezuela já viveu.
Nas ruas,
travava-se uma batalha campal sob uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo,
balas de borracha ou vidro, pedras e coquetéis molotov. Mais de 120 pessoas
morreram, muitas jovens, e milhares ficaram feridas e foram detidas.
O prêmio,
escolhido entre cinco finalistas em um concurso do qual participaram mais de
4.500 fotógrafos de 125 países, reconhece o fotógrafo que captou com
"criatividade e talento visual (...) uma imagem ou acontecimento de grande
importância jornalística ocorrido no ano passado".
Para Schemidt,
representa muito mais. "Essa foto representa a terrível situação de um
país, o meu, em desgraça: refém de uma espiral de violência política e
social", declarou à AFP Caracas de Amsterdã.
Por France Presse


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