O conservador
Sebastián Piñera fez um forte chamado à unidade nacional, em seu primeiro
discurso após assumir, neste domingo (11), seu segundo mandato como presidente
do Chile.
"O governo
que inauguramos hoje será um governo que buscará sempre a unidade entre os
chilenos, que substituirá a lógica errônea da retroescavadeira e do confronto
pela cultura saudável do diálogo, dos acordos e da colaboração", disse
Piñera no palácio presidencial La Moneda, em Santiago.
O político já
foi presidente entre 2010 e 2014. Dessa vez, deve enfrentar o desafio de
governar com um Congresso dividido e a pressão de movimentos sociais que
desejam aprofundar as reformas que Michelle Bachelet deixou inconclusas.
Piñera tomou posse neste domingo de manhã na sede do
Congresso, em Valparaíso. Entre os presentes na cerimônia, estavam os
presidentes Michel Temer, do Brasil, Maurici Macri, da Argentina, Enrique Peña
Nieto, do México, Pedro Pablo Kuczynski, do Peru, e Lenín Moreno, do Equador,
além do rei emérito da Espanha, Juan Carlos I.
Depois, foi
para Santiago para protagonizar sua primeira atividade oficial: a visita a um
centro de crianças vulneráveis, onde anunciou um acordo nacional pela infância
e a criação do ministério da Família para melhorar a situação dos menores
acolhidos em centros do Estado.
Posteriormente,
foi para o centro da capital para receber as honras da guarda do palácio
presidencial e o cumprimento de seus apoiadores, que se reuniram em frente ao
edifício.
"Estamos
comprometidos em ser um governo de progresso e solidariedade, que nos permita,
em um prazo de oito anos, transformar o Chile em um país desenvolvido e sem
pobreza", disse a seus simpatizantes, acompanhado de sua esposa, Cecila
Morel.
Em seu discurso
se comprometeu com cinco grandes acordos em termos de infância, segurança
cidadã, saúde, paz na região de La Araucanía (epicentro de um conflito com
comunidades mapuches no sul do Chile) e derrotar a pobreza.
"Todas as
vezes que nos dividimos, colhemos nossas derrotas mais amargas e
dolorosas", acrescentou.
Piñera venceu
as eleições com a promessa de reativar uma economia que, com Michelle Bachelet,
cresceu cerca de 2% nos últimos anos.
Congresso
dividido
O novo
Congresso do Chile foi formado pouco antes da posse de Piñera. O ambiente está
fortemente fragmentado, e o novo presidente não conta com a maioria absoluta.
A coalizão
governista "Chile Vamos" conta com 19 senadores e 72 deputados,
enquanto a nova oposição de centro-esquerda tem 16 cadeiras na câmara alta e 43
na baixa. A esquerda radical, reunida na chamada "Frente Ampla",
subiu de três para 20 deputados e conta, pela primeira vez, com um senador.
A ascensão da
Frente Ampla, coalizão de pequenos partidos chefiada por ex-líderes dos
protestos estudantis de 2011, é considerada o maior chacoalhão na política chilena
desde o retorno da democracia, após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
Seu gabinete,
anunciado em janeiro, foi criticado por alguns partidos por ter um aspecto
econômico acentuado. Será composto por 7 ministras incluindo - Cecilia Pérez, a
cargo da Secretária-geral de Governo - e 16 ministros, entre eles homens de sua
extrema confiança em cargos-chave. Seis membros de seu novo gabinete já tinham
sido ministros em seu primeiro governo. Cinco são do partido Renovação Nacional
(RN), que representa setores da direita tradicional chilena.
Por France Presse

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