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O presidente
da Colômbia, Juan Manuel Santos
(Foto: AP
Photo/Ronald Zak)
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Santos diz
que governo vai reativar diálogo com grupo armado, pensando em "salvar
vidas e alcançar paz completa no país". Conversas estavam suspensas desde
janeiro, após uma série de ataques atribuídos à guerrilha.
O presidente da
Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou nesta segunda-feira (12) que decidiu
retomar os diálogos de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN). As
negociações em Quito, no Equador, estavam suspensas desde janeiro, após
uma série de atentados atribuídos ao grupo.
Em
pronunciamento na sede da presidência em Bogotá, Santos disse que tomou a
decisão "pensando em salvar vidas e em alcançar uma paz completa para a
Colômbia". "Para esse fim, dei instruções ao chefe da equipe de
negociação, Gustavo Bell, para viajar a Quito e reativar a mesa de
diálogo."
O presidente
afirmou ainda que levou em consideração o fato de o ELN ter cumprido a palavra
de não atacar durante as eleições legislativas e as consultas partidárias
primárias – para definir os candidatos para o pleito presidencial de 27 de maio
–, realizadas neste domingo no país.
"O ELN
cumpriu o cessar-fogo unilateral que decretou em ocasião das eleições. É com
gestos como esse, e não com ataques terroristas, que o grupo pode reconstruir a
confiança necessária para avançar no caminho do diálogo", declarou ele,
sem dizer quando as negociações serão retomadas.
Horas antes do
anúncio de Santos, a guerrilha já havia divulgado um comunicado afirmando ter
recebido um convite do governo colombiano para retomar as negociações em Quito.
A nota diz que
o ELN atenderá "ao chamado do presidente Santos para reiniciar as
conversas, com a convicção de que é melhor fazer o diálogo durante um
cessar-fogo bilateral, e que a agenda pactuada deve ser seguida com rigor e
rapidez".
O presidente,
por sua vez, declarou que as duas partes devem discutir um novo acordo de
cessar-fogo que seja "amplo e verificável", de forma a evitar o
ressurgimento da violência como aquela que levou à suspensão das negociações em
janeiro passado.
"Nós
avançaremos com prudência, firmeza e perseverança até concordarmos com a
desmobilização, o desarmamento e a reintegração do ELN, ou seja, a paz
completa", disse Santos. Segundo o líder, "foram muitos os mortos de
ambos os lados" desde que o cessar-fogo bilateral de 100 dias chegou ao
fim, em 9 de janeiro. Essa situação não pode continuar, afirmou o presidente.
Conversas de
paz
O governo colombiano
e o ELN começaram a dialogar em 2014, mas a fase pública das negociações de paz
só teve início há pouco mais de um ano, após meses de adiamentos. Em setembro
do ano passado, os dois lados chegaram a um acordo de cessar-fogo bilateral,
que expirou em janeiro.
A quinta rodada
de negociações deveria ter começado no mesmo mês, mas Santos anunciou a
suspensão dos diálogos depois de o grupo ter assumido a autoria de um ataque
contra forças policiais em Barranquilla, no norte do país. Cinco policiais morreram
e mais de 40 pessoas ficaram feridas.
O incidente
coincidiu com outros dois ataques ocorridos no país no mesmo fim de semana,
também deixando mortos e feridos. Autoridades acreditam que o ELN esteja por
trás dos três atentados, embora o grupo tenha assumido a autoria apenas do mais
violento.
Desde a
ratificação do acordo de paz entre o governo em Bogotá e as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016, o ELN é o maior grupo armado em
atividade na Colômbia, com cerca de 1.800 guerrilheiros.
Por Deutsche Welle

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