![]() |
© André
Dusek/Estadão Lideranças do setor acreditam que
Temer poderá
atender o pedido para não se desgastar com
a bancada
ruralista, uma das mais influentes no Congresso.
|
BRASÍLIA - Com
a perspectiva de derrota na votação da reforma da Previdência, o presidente
Michel Temer já tem pronto o desenho para a criação de um Ministério da
Segurança Pública, em março. A ideia não é nova, mas foi desengavetada agora
pelo Planalto, na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio
das eleições, desviando o foco de temas áridos e da crise política provocada
por investigações que atingem Temer.
O presidente
voltou a discutir o desmembramento das atribuições do Ministério da Justiça –
que hoje abriga a Secretaria Nacional de Segurança Pública – após o agravamento
da violência no Rio e em outras partes do País. Um dos cotados para ocupar o
novo ministério é o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do
Vale Rocha.
Pesquisas
encomendadas pelo governo mostram que a segurança é uma das principais
preocupações da população, ao lado da saúde. Antes mesmo de sair do papel, no
entanto, a pasta sofre resistência por parte dos ministérios da Justiça e da
Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que argumentam não haver
tempo hábil, no último ano de governo, para criar uma estrutura com capacidade
de operação efetiva.
O plano sobre a
mesa de Temer, em forma de medida provisória, prevê que a Polícia Federal sairá
da Justiça e ficará sob o guarda-chuva do Ministério da Segurança Pública. O
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Fundação Nacional do
Índio (Funai), por sua vez, permanecerão subordinados à Justiça.
“Tem pouco
tempo de governo, mas, em compensação, a emergência da situação é algo
gritante. Então, a criação do ministério está sendo mesmo discutida”, afirmou o
líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR). “Alguma coisa precisa ser
feita. O Brasil está em guerra civil”, disse o deputado Alberto Fraga (DEM-DF),
coordenador da Frente Parlamentar de Segurança Pública.
Crise. Outro
fator que pode atrapalhar a estratégia de jogar os holofotes sobre uma pauta
positiva é a crise instalada na PF após declarações do diretor-geral da
corporação, Fernando Segovia, sobre um inquérito envolvendo Temer.
Um dos trunfos
a ser divulgados com a criação do ministério seria a formação de uma força
policial dentro da PF, responsável pela atuação nas fronteiras. /
COLABORARAM JULIA LINDNER e FÁBIO SERAPIÃO

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!