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© Getty
Images Nikolas Cruz, atirador que
matou 17 em escola na Flórida
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São Paulo –
Dias depois do massacre que deixou 17 mortos em uma escola na Flórida (Estados
Unidos), o casal que deu um teto para o atirador, Nikolas Cruz, após a morte de
sua mãe no ano passado, se manifestou sobre a tragédia e sobre o comportamento
do jovem de 19 anos no dia a dia da casa. Desde o último final de semana, a família
Snead vem participando de entrevistas com diversos veículos para mostrar o seu
lado da história.
“Não sabíamos
que ele tinha um passado tão diabólico”, disseram James e Kimberly Snead em uma
entrevista por telefone concedida ao jornal The New York Times, “não
sabíamos de nada”, continuaram. Ainda de acordo com eles, Cruz havia
manifestado sinais de depressão e tinha planos de visitar uma terapeuta nesta
semana.
“Tudo o que
todos sabem sobre ele era desconhecido para nós”, disseram em outra entrevista,
concedida ao jornal South Florida Sun Sentinel, “é simples assim”.
“Tínhamos um monstro vivendo sob o nosso teto e jamais vimos esse lado dele”,
continuou Kimberly à publicação.
De acordo com
os relatos do casal, Cruz era amigo de um de seus três filhos, que perguntou
aos pais se ele poderia viver com a família em razão da morte de sua mãe,
Lynda. Pensando ser possível ajudá-lo a colocar a vida de volta nos trilhos,
toparam. “O alertamos de que haveriam regras rígidas em casa e ele seguiu cada
uma delas”, disseram.
O casal tem
armas, mas todas são armazenadas em um cofre. Antes da mudança, os Sneads
fizeram questão de adquirir um cofre para que Cruz pudesse armazenar seus
itens, armas de fogos e facas. James pensava ser o único a ter as chaves que
abririam essas caixas de segurança. No dia da tragédia, 14 de fevereiro,
percebeu que o jovem havia mantido uma cópia da que abriria o seu cofre.
Os Sneads
descreveram o atirador como um jovem ingênuo, que nunca havia feito tarefas
domésticas e incapaz de lavar a própria roupa. Disseram não ter visto sinais de
que ele torturava animais, uma alegação recorrente entre pessoas que o
conheceram no passado, e alegaram que ele se dava bem com os animais da casa.
Sobre o dia da
tragédia, o casal contou que a manhã começou normal em casa e Kimberly
aproveitaria o dia para dormir, já que, como enfermeira, trabalharia naquela
noite. Minutos depois de saber do ocorrido na escola pelo filho, James logo
recebeu a ligação de um policial perguntando sobre o paradeiro de Cruz, mas
disse não ter ideia de onde ele poderia estar.
Retornou para
seu filho, que já havia ouvido de colegas e policiais a descrição do atirador:
baixa estatura, cabelo curto e vermelho, calças pretas. Na hora, a ficha caiu e
James pensou na esposa sozinha em casa. Pediu que policiais fossem checar se
ela estava bem e eles a encontraram em segurança.
Horas depois,
ao se depararem com Cruz na delegacia, Kimberly tentou agarrá-lo, mas foi
impedida por James. “Sério, Nik? Sério mesmo?”, perguntava ela ao vê-lo preso.
Cruz, por sua vez, respondeu apenas que sentia muito. “Ele parecia
absolutamente perdido”, completou James.
Investigações
As
investigações sobre as motivações do jovem para o crime, o massacre
mais violento a ocorrer em uma escola desde o registrado em Sandy Hook (2012),
continuam.
Cruz está
preso, sem fiança, com dezenas de acusações de homicídio pelas 17 vítimas que
fez na escola Marjory Stoneman Douglas, que fica na cidade de Parkland,
localizada na Flórida e a cerca de 80 quilômetros de Miami.
O caso trouxe à
tona um antigo debate sobre armas de fogo nos Estados Unidos, além de ter
criado uma crise entre as autoridades policiais do país, uma vez que expôs
graves falhas nos protocolos de segurança criados para evitar tragédias como
essa.
O FBI, por
exemplo, admitiu ter recebido alertas de um familiar do jovem sobre o seu
comportamento violento no início de janeiro. Essa denúncia, no entanto, jamais
foi repassada para o escritório de Miami da entidade, um erro que foi
duramente criticado pelo presidente Donald Trump.
A polícia local
também está nos holofotes, já que investigou Cruz em 2016 depois de ele ter divulgado
um vídeo nas redes sociais no qual aparecia se machucando propositalmente, mas
não seguiram adiante depois de constatarem que ele estava sob controle.

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