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alliance/dpa/Bildarchiv
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Crônica: 28
anos, 2 meses e 26 dias da queda do Muro de Berlim
O Muro de Berlim dividiu a cidade entre leste e oeste por
exatamente 28 anos, dois meses e 26 dias. E esta segunda-feira (05/02) marca um
ponto de virada: o Muro não existe mais pelo mesmo tempo em que esteve de pé.
A construção,
iniciada em 1961, foi projetada para impedir a fuga de alemães orientais para o
oeste, o que forçou os fugitivos a criar métodos mais criativos para conseguir
chegar à Alemanha Ocidental. Alguns conseguiram a ajuda de prestativos
berlinenses ocidentais para tentar atravessar por onde ninguém conseguiria
vê-los: pelo subsolo.
Estima-se que
cerca de 70 túneis foram escavados por baixo do Muro de Berlim. Recentemente,
um arqueólogo encontrou a entrada de um desses túneis próximo ao parque
Mauerpark. A redescoberta desenterrou a história de um homem cuja oposição ao
Muro começou com o seu empenho em abrir uma passagem subterrânea em direção ao
leste.
"Você não
podia simplesmente escavar neste tipo de solo. Você tinha que realmente 'abrir'
o caminho", afirmou o então berlinense ocidental Carl-Wolfgang Holzapfel.
"Isso foi o que tornou tudo tão difícil e frustrante. Às vezes, eu tinha a
sensação de que não estava chegando a lugar algum."
Em 1963,
Holzapfel, juntamente com amigos, começou a escavar sob um armazém desativado
no bairro de Wedding. O objetivo do grupo era chegar a um porão a 80 metros de
distância localizado no lado oriental do Muro para que Gerhard Weinstein, um
conhecido de Holzapfel, pudesse escapar para a Alemanha Ocidental e se
reencontrar com a filha.
Após quatro
meses de trabalho árduo, as notícias do esforço do grupo chegaram à Stasi, o
serviço secreto da antiga Alemanha Oriental. Weinstein e outras 20 pessoas que
planejavam usar o túnel para fugir foram detidas. Holzapfel nunca mais ouviu
falar delas.
Holzapfel, hoje
com 73 anos, teve uma amarga decepção ao receber a notícia, mas insiste que os
esforços de seu grupo não foram totalmente em vão. "Foi um lembrete de que
sempre haverá pessoas que irão lutar contra a injustiça e que encontrarão maneiras
de miná-la", afirma.
Para Holzapfel,
o túnel marcou o início de uma luta que duraria quase três décadas. "Aos
17 anos, eu disse para mim mesmo: você lutará contra esse Muro – porque ele é
injusto – até vê-lo cair ou até fim da sua vida", lembra.
Em 1965, ele
foi preso durante uma manifestação pacífica no posto de fronteira conhecido
como Checkpoint Charlie e passou nove meses na terrível prisão da Stasi no
bairro de Hohenschönhausen. Após ser liberado, Holzapfel continuou protestando
e permaneceu convicto de que veria a Alemanha reunificada.
No 28º
aniversário da construção do Muro, em 1989, Holzapfel fez talvez o seu mais
simbólico ato de protesto. "Eu pensei: agora, eu preciso fazer algo para
mostrar claramente a loucura de se dividir uma cidade", diz.
Ele se envolveu
na bandeira alemã e deitou no chão do Checkpoint Charlie – com o coração e a
cabeça no leste e os pés no oeste – e a linha branca que marca a fronteira
parecia correr sobre seu corpo. "Assim como eu sou obviamente um corpo,
Berlim é um todo, e a Alemanha é um todo", argumentou.
Menos de três
meses depois, em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim caiu. No dia seguinte,
Holzapfel se encontrava no ponto da praça Postdamer Platz onde leste e oeste se
encontravam. "Eu estava chorando. Não havia nada melhor – e nada pode
superar esse sentimento."
Há planos para
que o túnel de Holzapfel seja preservado e integrado ao Memorial do Muro de
Berlim. Para ele, retornar à entrada do túnel é sempre uma experiência
emocionante. "Mas não é apenas a minha história. É um pedaço da história
de Berlim", diz.

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