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Apresentador
comprou jatinho com dinheiro público
Marcus
Leoni/Folhapress - 22.6.2017
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Aeronave custou
valor 14 vezes maior que o capital social da empresa do apresentador, que
efetuou a compra
O empréstimo de
R$ 17,7 milhões que o BNDES concedeu à empresa do apresentador Luciano Huck
para comprar um jatinho foi 14 vezes maior que o capital social dela. A Brisair
Serviços Técnicos Aeronáuticos, que tem sede no Rio de Janeiro, pertence a Huck
e à sua mulher, a também apresentadora Angélica Ksyvickis. O BNDES financiou
85% da aeronave Embraer Phenom 300, cujo valor total foi de R$ 20.838.054,81.
Huck é cotado
para concorrer à Presidência da República e deve decidir, nos próximos dias, se
continua na televisão ou entra na disputa para o Palácio do Planalto. O
empréstimo do BNDES vence em 2023.
Segundo dados
da Junta Comercial do Rio de Janeiro, a Brisair Serviços Técnicos Aeronáuticos
foi criada em 23 de julho de 2003 por Luciano Huck, Philip Eric Haegler e Mário
Pederneiras de Faria Júnior. O nome da empresa na época era H2F Serviços
Técnicos Aeronáuticos e tinha capital social de R$ 12 mil distribuídos entre os
três sócios.
Segundo a
última atualização na Junta Comercial, em 2010, a empresa pertencia somente a
Huck e Angelica e o capital social já era de R$ 1,2 milhão – 5,7% do valor do
jato adquirido três anos depois.
O R7 teve acesso à Cédula de
Crédito Bancário (veja foto 1 da galeria abaixo) da transação do jatinho. O
apresentador usou a linha de crédito BNDES Finame PSI – Programa de
Financiamento de Máquinas e Equipamentos. O documento de 14 páginas, emitido
pelo Itaú, detalha as condições do empréstimo do dinheiro público para a compra
do jato executivo.
O BNDES aprovou
o financiamento em 29 de maio de 2013 com taxa de 3% ao ano, carência de 6
meses para o início do pagamento e prazo de 114 meses para pagamento do
empréstimo. A primeira prestação estava prevista para ser quitada em 15 de
janeiro de 2014. A Brisair conseguiu o financiamento em 2013 com intermediação
do Itaú. Huck é garoto-propaganda do banco.
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A Brisair,
de propriedade dos apresentadores Luciano Huck
e Angélica, teve 85% do valor de um jatinho
particular
financiado
pelo BNDES. A dívida vence em 2023
Foto:
Reprodução
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A matrícula foi
efetuada na Anac em 13 de agosto de 2013 na categoria Transporte Privado de
Passageiros. O jato executivo tem capacidade de 8 lugares e está alienado para
o banco até que a dívida seja quitada em junho de 2023.
Outro Lado
O R7 procurou o apresentador
Luciano Huck, mas a assessora pessoal dele não respondeu até o momento.
Em nota, o
BNDES informa que reafirma seu compromisso com a transparência de sua atuação
e, em complemento às informações já disponíveis em seu site esclarece, a
propósito da informação que circula nas redes sociais sobre o financiamento da
compra de uma aeronave por uma empresa do apresentador Luciano Huck:
"A
Brisair Serviços Técnicos Aeronáuticos Ltda. contratou junto ao Itaú Unibanco
S.A., em 2013, empréstimo para aquisição da aeronave da Embraer no valor de R$
17.712.346,00, por meio do programa BNDES Finame.
As condições
seguiram aquelas definidas pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI),
programa do governo federal operacionalizado pelo BNDES segundo condições
estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e vigente à época, com taxas de
juros fixas entre 3% a.a. e 3,5% a.a. e oferecidas a qualquer empresa que
obtivesse financiamento à aquisição de máquinas e equipamentos.
Até dezembro
de 2017, havia 1.036.572 operações registradas no BNDES com as condições do
PSI, o que demonstra a pulverização do programa entre milhares de empresas de
todo o Brasil.
O processo
de concessão de financiamento do BNDES Finame é realizado por meio de agentes
financeiros credenciados, que podem ser bancos, cooperativas e agências de
fomento, por exemplo. Os agentes analisam o risco de crédito e decidem pela
concessão do financiamento. O BNDES repassa os recursos após a verificação dos
requisitos exigidos pelo produto.
É importante
ressaltar que a principal função do BNDES Finame é fomentar a indústria
brasileira de bens de capital, criando mecanismos de crédito que estimulem a
produção, aquisição e comercialização de bens, máquinas e equipamentos
nacionais, devidamente credenciados no Finame. Este credenciamento verifica o
índice de nacionalização do bem ou se sua industrialização cumpre o Processo
Produtivo Básico (PPB).
As
informações sobre este e todos os outros financiamentos contratados desde 2002
podem ser obtidas em nosso site, em https://www.bndes.gov.br/transparencia".
*Colaborou
Marco Guedes


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