![]() |
© picture
alliance/dpa/Eidon/MAXPPP/F. Frustaci
|
O
ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi, que lidera a coalizão
conservadora favorita para vencer as próximas eleições gerais, afirmou nesta
segunda-feira (05/02) que os italianos "não são racistas", mas têm
sua segurança ameaçada pela imigração descontrolada ao país.
No fim de
semana, o magnata da comunicação prometeu que, em caso de vitória da coalizão
entre seu partido e legendas extrema direita, mais de 600 mil ilegais serão
deportados da Itália.
A questão da
imigração domina o debate político no país antes das eleições, marcadas para o
dia 4 de março, poucos dias após um homem envolvido com movimentos radicais de
direita abrir fogo de dentro de um carro na cidade de Macerata, ferindo seis
migrantes.
"Há uma
angústia social difundida que se origina da presença na Itália de um número
enorme de imigrantes ilegais", disse Berlusconi à emissora estatal RAI. O
veterano político de 81 anos de idade disse que o incidente em Macerata não
teve "nada de político", afirmando de tratar de um ato isolado
perpetrado por um indivíduo "insano".
No domingo,
Berlusconi afirmou ao grupo Midiaset, de propriedade de sua família, que existem
na Itália "ao menos 630 mil irregulares" que seriam "uma bomba
social pronta para explodir, porque vivem de trabalhos clandestinos e
crimes". Berlusconi disse se tratar de "prioridade absoluta
reconquistar o controle da situação".
O partido de
Berlusconi, o Força Itália, forjou para as eleições deste ano uma aliança com
duas siglas de extrema direita, o nacionalista Liga Norte e o neofascista
Irmãos da Itália.
Mesmo banido da
política após ser condenado por fraude fiscal, o ex-premiê, que governou o país
em três ocasiões, poderá ter ainda algum poder no novo governo, caso sua
aliança saia vencedora em março.
"Quando
estivermos no governo investiremos muitos recursos na segurança", afirmou,
ecoando os sentimentos de uma parte significativa do eleitorado italiano.
"Reforçaremos a presença da polícia. Nossos soldados patrulharão as ruas
ao lado dos policiais."
Berlusconi
apelou também para os sentimentos de rejeição à política migratória da União
Europeia (UE), que fracassou ao tentar compartilhar entre os Estados-membros o
grande número de migrantes que chegam ao país. "Hoje em dia, a Itália não
pode contar com nada de Bruxelas e do mundo. Faremos com que possamos contar
com eles novamente", disse.
O ex-premiê e
seu parceiro de coalizão Matteo Salvini, da Liga Norte, defendem a deportação
de todos os imigrantes ilegais, apesar das incertezas quanto aos custos e a
viabilidade de um processo dessa magnitude.
Cenário
político indefinido
A Itália é o
principal ponto de entrada de imigrantes rumo à Europa que se arriscam na
perigosa travessia do Mar Mediterrâneo. Entre 2015 e 2017, mais de 450 mil
pessoas chegaram por mar ao país, das quais ao menos 40% receberam alguma forma
de proteção ou refúgio.
Em 2017, a
média anual de chegadas através do Mediterrâneo foi reduzida a menos de um
terço, graças a um acordo de controle migratório com a Líbia – pais de onde
parte a maioria das embarcações de refugiados rumo à Itália. O tema, porém, não
deixou de estar no centro das preocupações dos eleitores italianos.
É bastante
provável que nenhum dos grupos que concorrem às eleições consiga maioria no
Parlamento, o que poderá permitir que Berlusconi tenha um papel decisivo num
futuro governo de coalizão.
Pesquisas
recentes apontam que a coalizão de centro direita estaria com 35% das intenções
de voto, contra 28 do eurocético Movimento Cinco Estrelas (M5S) e 25% do
Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. Os resultados, porém, sugerem que
ainda há milhões de eleitores indecisos.
Análises
apontam para uma ampla variedade de possíveis coalizões, ainda que com poucas
possibilidades de que alguma destas possa atingir uma maioria segura. Parece
que até o M5S, criado a partir da rejeição dos partidos tradicionais, estaria
disposto a negociar com outras legendas.
O partido, que
ganhou um grande número de adeptos nos últimos anos, parece ter suavizado o
discurso, diminuindo a pressão pela realização de um referendo sobre a
permanência da Itália na União Europeia.
Caso a maioria
não seja de fato atingida e fracassem as tentativas de coalizão, o presidente
Sergio Mattarella poderá manter o governo atual, liderado pelo
primeiro-ministro Paolo Gentiloni, até que seja encontrada uma nova solução, o
que pode incluir a convocação de novas eleições. Mas, num país que teve 64
governos diferentes desde 1946, isso não chega a ser novidade.
"Temos
alguma proficiência na arte de encontrar soluções para a instabilidade
política", afirmou Mattarella

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!