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Este é o 14º
título da Beija-Flor de Nilópolis
(Foto: Alexandre Durão/G1)
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Com críticas
ao "Brasil monstruoso", escola falou de corrupção e intolerância e
levou seu 14º título.
A Beija-Flor de
Nilópolis é a grande campeã do carnaval 2018 do Rio de Janeiro.
O G1 acompanhou ao vivo a apuração
das notas, que aconteceu na tarde desta quarta-feira (14), diretamente da
Marquês de Sapucaí.
A escola fez um
paralelo entre o romance "Frankenstein” e as mazelas sociais brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e
intolerâncias de gênero, racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário
de "Brasil monstruoso".
A Beija-Flor
tem agora 14 títulos no Grupo Especial do Rio, atrás apenas de Portela e Mangueira
no total de vitórias.
Comandado por
Neguinho da Beija-Flor, o samba-enredo “Monstro é aquele que não sabe amar (Os
filhos abandonados da pátria que os pariu)” foi cantado em coro pelo público da
Sapucaí, que ao final do desfile ocupou a avenida, seguindo a escola.
“A Sapucaí foi
ovacionada pela alegria e emoção. A Beija-Flor fez as pessoas cantarem o samba
pelo pedido de socorro. As imagens foram muito fortes, aquele teatro todo
retratando o que o nosso país está passando. Foi um grito de socorro dentro de
um samba-enredo“, disse Raíssa, madrinha de bateria da escola, ao G1.
O desfile foi
todo de metáforas de terror sobre o Brasil. A escola levou para a avenida a
"ala dos roedores dos cofres públicos" e a dos "lobos em pele de
cordeiro", em referência aos políticos. A corrupção na Petrobras foi
lembrada em fantasias com barris de petróleo na cabeça e em um carro que
retratava o edifício sede da empresa, atrás de um grande rato.
Violência,
poluição, impostos excessivos, sistema de saúde ruim e crianças carentes também
lembraram o "terror brasileiro".
As cantoras
Pabllo Vittar e Jojo Todynho foram destaques do carro "O abandono",
representando a luta contra a intolerância de gênero e a intolerância racial,
respectivamente.
Esta não foi a
primeira vez que a Beija-Flor apostou em um samba crítico. Em 1989, a escola
levou para a Sapucaí um enredo sobre o lixo, com um "Cristo Mendigo"
que saía de dentro de uma favela.
Após uma
decisão judicial que proibiu sua exibição, o Cristo foi coberto por um saco
preto e levou uma faixa com a frase “Mesmo proibido, olhai por nós”. O desfile,
histórico, rendeu à escola de Nilópolis o vice-campeonato daquele ano.
Desfile das
campeãs
Voltarão com a
Beija-Flor ao sambódromo para o desfile das campeãs, no próximo sábado (17), as
escolas Paraíso de Tuiuti, Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade
Independente de Padre Miguel.
Assim como a
escola de Nilópolis, que levou sua crítica social para a avenida, a Paraíso de Tuiuti, que ficou com o
segundo lugar, contou a história da escravidão no Brasil e condenou a reforma
trabalhista aprovada recentemente. O destaque da Tuiuti ficou no último carro
da escola, que levou um vampiro
com uma faixa presidencial para a Marquês de Sapucaí.
A Mangueira não ficou atrás no
quesito protesto, com um samba-enredo que ironizou a decisão da Prefeitura do
Rio de cortar os recursos destinados às escolas de samba. Um dos carros
representou o prefeito Marcelo Crivella como um boneco de Judas.
Por G1

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