Roubos e ameaças durante ações em favelas assustam funcionários da Defesa Civil | Rio das Ostras Jornal

Roubos e ameaças durante ações em favelas assustam funcionários da Defesa Civil

Criado há 40 anos, órgão é considerado um dos mais importantes e bem-sucedidos em ações de risco. Trabalhadores têm sofrido com roubos, ameaças e são impedidos de desempenhar suas funções dentro das comunidades.
Funcionário da Defesa Civil denuncia roubos e assalto dentro de comunidades no Rio
Os funcionários da Defesa Civil do Rio, órgão que ajuda na prevenção de desastres, estão com medo. Os trabalhadores têm relatado o aumento de roubos e ameaças durante visita a comunidades. Em entrevista ao G1, um homem que prefere não se identificar, com medo de retaliações, lembrou quatro episódios recentes em diferentes favelas.
"Isso começou a acontecer de seis meses para cá. No Morro da Pedreira, o carro oficial foi tomado da equipe. No Morro do Sapê, além de renderem a equipe, fizeram ameaças, roubaram, principalmente celulares. No Complexo do Alemão, foram ameaças para equipe que estava lá, inclusive ameaças de morte. No Chapadão, também foram roubos de celulares e pertences, além das ameaças que têm causado muito estresse e problemas psicológicos nos funcionários", conta.
Criada há 40 anos, a Defesa Civil é considerada uma das mais importantes e bem-sucedidas em ações de risco. No Rio, está à disposição da população 24 horas por dia nos telefones 199 ou 1746. O carro oficial circula pela cidade com um motorista, um engenheiro e dois técnicos. No verão, onde as chuvas são mais frequentes, o número de ocorrências aumenta.
"Nesse período de chuva, a demanda é muito grande e muitas vezes à noite. Essa insegurança está deixando a gente sem saber como agir. Se é um desastre, e a gente não tem segurança de entrar na comunidade, como vamos fazer daqui pra frente?”
"Antes, nós éramos bem recebidos pelo próprio poder paralelo que existe nas comunidades, porque eles sabiam que a gente ia ajudar. Apesar de antigamente ter toda a violência, todas as armas, eles não nos incomodavam. Mas de uns tempos para cá eles alegam que a gente está indo para lá fazer levantamento para polícia ou para órgãos de segurança", relata.
Caso de polícia
Registro de ocorrência (Foto: TV Globo)
A alternativa dos funcionários foi recorrer à polícia. O G1 teve acesso a registros de outubro de 2017, na 20ª DP (Vila Isabel). O caso aconteceu em Guadalupe, Zona Norte, trabalhadores disseram ter os celulares e o dinheiro da carteira roubados. Em janeiro deste ano, na 26ª DP (Méier), funcionários denunciaram um assalto em Vaz Lobo, também na Zona Norte, onde foram recebidos por três homens armados, revistados e tiveram pertences levados.
"Eu gosto de trabalhar na Defesa Civil, todos lá gostam e querem continuar trabalhando. A gente só queria segurança, entrar na comunidade a hora que for, sem ter esse tipo de problema. E ter mais apoio das autoridades pelas coisas que estão acontecendo com a gente. A gente tem reportado às autoridades policiais. Mas o Rio vive uma crise na segurança, está inseguro para todo mundo. Mas como vamos identificados, com carro oficial, somos conhecidos nas comunidades, isso nos causa estranheza. Não conseguimos entender", conclui.
G1 entrou em contato com a Secretaria de Ordem Pública (Seop), que responde pela Defesa Civil municipal. A assessoria de imprensa informou que os funcionários são orientados a fazer o registro de ocorrência, mas que as queixas são pessoais. O órgão disse também que ainda não estuda colocar segurança para acompanhar os trabalhadores nas visitas à comunidades.
Em nota, a Polícia Civil disse que as equipes seguem investigando todos os casos com o objetivo de identificar e prender todos os autores desse tipo de delito.

Por Lívia Torres e Susan Vidinhas, G1 Rio
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