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© Hélvio
Romero/Estadão O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ)
durante
evento realizado pela Revista Veja em novembro, em São Paulo
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BRASÍLIA - O
deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) quebrou a resistência a seu nome
dentro da cúpula das Forças Armadas. Essa mudança de posição, no entanto, não
se transformou em um apoio ao pré-candidato, que deve se filiar ao PSL em março
para disputar o Palácio do Planalto. O comandante do Exército, general Eduardo
Villas Bôas, diz que a oposição a Bolsonaro deixou de existir, mas, mesmo o
deputado sendo um capitão do Exército na reserva, ele não pode ser apontado
como candidato da corporação.
“Institucionalmente,
a posição das Forças Armadas é a mesma em relação a todos os candidatos, somos
uma instituição de Estado. Bolsonaro deixou de ser militar há 30 anos.
Atualmente, é um político, igual aos demais que estão se movimentando neste cenário
para as eleições de 2018”, afirmou o general ao Estado.
Generais,
brigadeiros e almirantes da ativa consultados pela reportagem avaliaram que o
fato de o deputado ter defendido a tropa durante as sessões da Comissão da
Verdade, no governo da presidente cassada Dilma Rousseff, ajudou a romper as
críticas. Além disso, atualmente quatro dos 15 generais que integram o Alto
Comando do Exército são colegas de Bolsonaro na turma de 1977 da Academia
Militar das Agulhas Negras.
Nos últimos
anos, o deputado também tem mantido contato informal com oficiais-generais, da
ativa e da reserva, incluindo o alto comando das três Forças e participado
constantemente das formaturas de turmas de oficiais.
Prisão. A
oposição ao nome do deputado nas Forças vinha do fim dos anos 1980, quando ele
deixou o Exército por criticar em artigos os “salários baixos” da corporação,
estando na ativa. Ainda capitão, foi preso no quartel, em setembro de 1986, por
conceder entrevistas sobre os salários e depois investigado pela acusação de
ter elaborado um suposto plano para explodir um duto do Rio Guandu.
Foi absolvido
pelo Supremo Tribunal Militar (STM). Em seus mandatos na Câmara dos Deputados –
foi eleito pela primeira vez em 1991 e está na sétima legislatura –, conseguiu
mais desafetos com discursos duros contra a cúpula das Forças Armadas. “O
passado já é passado. Então, não pesa neste aspecto”, disse Villas Bôas.
Questionado
sobre a posição do general de Exército Antônio Hamilton Mourão, que afirmou que
Bolsonaro “é um dos nossos”, Villas Bôas disse que “não encampa” essa ideia.
“Individualmente, como os militares e a família vão votar, não tenho condições
de avaliar qual é a tendência”, afirmou o comandante. Na ocasião, Mourão
afirmou: “O deputado Bolsonaro já é um homem testado, é um político com 30 anos
de estrada, conhece a política. E é um homem que não tem telhado de vidro”.
A declaração do
general Mourão foi dada em palestra em Brasília no fim do ano passado, quando
ele ainda estava no Comando Militar do Sul, de onde foi afastado por suas
declarações políticas, proibidas pelo regulamento militar.
Para oficiais
ouvidos pelo Estado, um dos pontos a favor de Bolsonaro como
candidato à Presidência é o fato de ele não ser investigado em casos de corrupção.
Os militares demonstram, no entanto, preocupação com o temperamento
intempestivo do deputado federal e a filiação a um partido pequeno.
Formaturas. Bolsonaro
compareceu no ano passado a praticamente todas as cerimônias de formaturas de
escolas militares. Foi ovacionado em algumas ocasiões e é requisitado para
selfies com os formandos. Desde seu primeiro mandato, o deputado já ouviu
gritos de “líder, líder”, em uma formatura da Academia Militar das Agulhas
Negras, e de “mito, mito”, em uma escola de formação de praças da Marinha.

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