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| Duran também afirma ter participado de uma reunião com integrantes da Lava Jato, em Curitiba, na qual Miller pediu a ele que gravasse uma conversa com advogados da Odebrecht. |
Câmara dos
Deputados O advogado espanhol Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a
Odebrecht entre 2011 e 2016, é ouvido pela CPMI da JBS
O advogado
espanhol Rodrigo Tacla Duran,
que trabalhou para a Odebrecht de
2011 a 2016, acusou o ex-procurador Marcello Miller, que já trabalhou no gabinete do
ex-procurador-geral Rodrigo Janot,
de preparar “delações a la carte”.
Duran contou
aos parlamentares, nesta quinta-feira, 30, em depoimento à CPMI da JBS, por
videoconferência da Espanha, onde mora, que Miller tentou negociar com ele seu
acordo de colaboração premiada e o incitou a dizer quais políticos e
autoridades públicas poderia entregar.
“Quando esteve
comigo, Marcello Miller começou a listar parlamentares. Ele começava a falar
nomes de políticos, autoridades estatais: ‘Qual deles o senhor conhece? Qual o
senhor pode entregar?'”, afirmou antes de criticar a conduta do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato. “Estão fechando
processos penais batendo carimbo, sem investigar. Esse é o sentido da indústria
da delação”, afirmou.
Duran também
afirma ter participado de uma reunião com integrantes da Lava Jato, em
Curitiba, na qual Miller pediu a ele que gravasse uma conversa com advogados da
Odebrecht. Segundo ele, o pedido teria ocorrido durante uma das reuniões para
negociar um acordo de colaboração premiada. Ele não especifica a data desse
encontro. “Eu fui convocado para uma reunião na Odebrecht e, quando
comuniquei isso [aos procuradores], Marcello Miller sugeriu: ‘então vai lá e
grava’. Neste momento o [procurador] Sérgio Bruno disse para eu escutar a
reunião e contar para eles”.
Em seu primeiro
depoimento à CPMI, concedido aos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous
(PT-RJ), na Espanha, o advogado disse ainda que Miller e Bruno, à época
integrantes do grupo de trabalho da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República, participaram de
algumas reuniões de negociação do acordo porque havia “interesse” em saber se
ele “tinha alguma informação ou situações que envolvessem pessoas com foro
privilegiado”.
Moro
O advogado tem
um pedido de prisão expedido pelo juiz Sergio Moro, mas se mantém em liberdade na Espanha, onde vive
atualmente. Por causa do pedido feito pelo magistrado, Tacla Duran foi alvo de
um pedido de extradição para o Brasil, o que foi negado por autoridades
espanholas.
Tacla Duran se
recusou a entrar no acordo de delação que
envolveu 77 executivos ligados à empreiteira. Ele é acusado de operar, ao lado
de executivos do chamado “departamento de propinas” da Odebrecht, pagamento de
suborno de dois contratos firmados pelos consórcios Pipe Rack e TUC, integrados
pelas empresas Odebrecht e UTC, com a Petrobras para a construção do
Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Temer
No depoimento
desta quinta-feira, ele também afirmou que Janot usou documentos adulterados em
denúncia contra o presidente Michel
Temer (PMDB). Para ele, as provas são falsas.
Ele se refere
aos documentos do sistema de comunicação secreto do setor de propinas da
Odebrecht, chamado de Drousys.
O advogado disse aos parlamentares que contratou uma perícia que mostra que
sistemas internos da empreiteira foram adulterados antes de serem entregues ao
Ministério Público Federal.

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