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© Reprodução Carlos
Zavalla, ex-comandante
do submarino
ARA San Juan
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Para Carlos Zavalla, o que fica do submarino argentino desaparecido ARA San Juan é
orgulho. Zavalla foi o primeiro comandante e acompanhou a construção da
embarcação entre 1983 e 1985, na Alemanha. “Levo boas lembranças do San Juan.
Desenhei seu escudo com meu irmão já falecido”, disse a VEJA por telefone,
emocionado.
O militar
aposentado entende bem das dificuldades de buscas em alta profundidade e tem
poucas esperanças de que encontrem a embarcação. Confira abaixo os principais
trechos da entrevista:
Como foi a
sua relação com o submarino? Fui o primeiro comandante e naveguei
muitas vezes com ele. Acompanhei sua construção na Alemanha entre 1983 a 1985.
Fiz a viagem inaugural de lá até Mar del Plata, onde passei mais dois anos no
comando testando o submarino em exercícios militares internacionais e
incorporando o sistema de armas.
Chegou a
passar por algum problema? Tivemos pequenas falhas e inconvenientes,
sobretudo de comunicação e com sistemas de controle, mas nada incomum.
E ele
operava normalmente depois de tanto tempo? O equipamento foi todo
renovado e reinaugurado em 2014. Em 2017, ele já tinha feito três viagens de 15
ou 20 dias. Cada vez que o submarino vai fazer uma viagem, ele passa por um
check list feito ainda no porto que demora 48 horas. É um momento onde se
testam todos os sistemas e se corrigem pequenas falhas.
Há uma possibilidade
de que algo tenha ocorrido com a bateria. É possível? A bateria foi
trocada na reforma. Pode se comprar uma nova, o que é muito caro, ou se usa o
que está útil de cada uma como a carcaça. Este recipiente é o que foi
reutilizado, mas todo o resto é novo. E estava comprovado que funcionava bem já
que faz dois anos que estavam em operação.
Como recebeu
a informação de que estava desaparecido? Quando escutei a primeira
notícia, vi que muita gente começou a falar o que não sabia. O primeiro que
pensei foi na família dos tripulantes, pois até um primeiro momento tratava-se
de um problema de comunicação. Era única coisa concreta e deveríamos ter
esperanças.
O que o
senhor pensou quando a explosão foi confirmada? Entendi que as
esperanças de encontrar os tripulantes estavam perdidas. Compreendi que com
essa explosão, ele teria sido destruído. O que me reconforta é que os
tripulantes não sofreram na morte. Foi rápido. Não espero por um milagre. Eu
perdi as esperanças. Agora, já não há mais sinais de que podem estar vivos.
Mas o
submarino ainda pode ser encontrado? O fundo mar não é uma coisa lisa.
Está cheia de penhascos submersos. É possível que por pura sorte o encontrem
rápido, mas deve levar muito tempo. Podem não encontrá-lo. Exigirá muita
perseverança em um ambiente muito difícil.
Como se
sente pessoalmente com o destino do ARA San Juan? Sinto muita pena, me
custa a processar essa perda. O submarino estava cumprindo sua tarefa e agora
sinto que não vou mais vê-lo. Nada vai tirar de mim a felicidade de ter
construído e estado nele. De ter desenhado o seu escudo com meu irmão, que já
faleceu. É uma boa lembrança que carrego comigo. O que fica do submarino é
orgulho.
VEJA.com

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