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| Em um vídeo publicado na internet, o prefeito Marcelo Crivella, já tinha declarado que não queria a exposição lá. |
Prefeitura
alega que parte das obras tem conteúdo impróprio. Artistas e juristas defendem
a exibição da mostra e a liberdade de expressão.
Uma exposição
que seria exibida no Museu de Arte do Rio foi vetada pela Prefeitura da cidade,
que alegou que parte das obras tem conteúdo impróprio. Artistas e juristas
defendem a exibição da mostra e a liberdade de expressão.
Mais de 270
obras de 90 artistas brasileiros e nenhuma vai ser exposta no Museu de Arte do
Rio, o MAR. As negociações com os organizadores da Queermuseu, Cartografias da
Diferença na Arte Brasileira, foram interrompidas depois que a Prefeitura do
Rio vetou a vinda da exposição. O museu é municipal.
Em um vídeo
publicado na internet, o prefeito Marcelo Crivella, do PRB, já tinha declarado que não queria
a exposição lá. “Aqui no Rio a gente não quer essa exposição. Saiu no jornal
que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar, porque no Museu de Arte do Rio
não”, disse.
Na
quarta-feira (3), ele confirmou a posição: “O povo do Rio de Janeiro, majoritariamente, não
quer a exposição no Rio de Janeiro. Não queriam em São Paulo, não quiseram em Porto Alegre e aqui também não. É o povo do Rio, eu sou
apenas uma expressão desse povo do Rio. E não é censura prévia não. As pessoas
viram na internet toda questão de zoofilia, pedofilia, ninguém quer saber
disso”, disse o prefeito do Rio, Marcelo Crivella.
Na Assembleia
Legislativa, 40 deputados assinaram uma "moção de repúdio e indignação"
contra a Queermuseu. O diretor do MAR é a favor da exposição.
“Nós defendemos
essa exposição ou qualquer outra, uma vez que o museu é o espaço do diálogo, é
o espaço da escuta. É um espaço que tem que olhar para a sociedade pela ótica
da diversidade. Nesse momento, inclusive, quando se coloca, se associa, algumas
obras à pedofilia, eu acho que é uma inverdade. Porque o que ocorre de fato é
que a arte trabalha em todas as dimensões, inclusive a do corpo e nós artistas
somos, combatemos a pedofilia”, disse Carlos.
Em nota, o
Conselho do Museu de Arte do Rio reafirmou sua mais profunda crença nos
princípios da liberdade de expressão e das manifestações artísticas, no
respeito à diversidade, no diálogo e na educação. E afirmou que também é
favorável à realização da mostra.
O Conmar
entende que qualquer iniciativa do museu se realize em consonância com os
cuidados definidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pelo Ministério da Justiça e pela
Constituição Brasileira, com classificação indicativa, sinalização com
orientações efetivas sobre o teor das obras expostas e permanente mediação
junto ao visitante.
Em nota, a
Secretaria Municipal de Cultura disse que o Conselho do Museu de Arte do Rio
não tem o poder de vetar as decisões do executivo municipal, que é contra a
exposição.
A curadoria da
exposição explicou que o termo “queer” foi usado como referência à diversidade:
de gerações, de problemas sociais e políticos, de formas e questões artísticas
e de liberdade de expressão.
A Queermuseu
chegou primeiro a Porto Alegre. Algumas telas foram criticadas por
frequentadores e em redes sociais. As reclamações faziam referência ao uso de
símbolos religiosos, à pedofilia e à zoofilia.
Adriana Varejão
é autora de uma das obras. Ela rejeita a censura e defende alguns cuidados com
os visitantes da exposição. “Eu sou a favor que as exposições tenham
sinalização para alertar o público sobre o conteúdo e orientação etária. Mas
proibir que a exposição aconteça é um ato de censura inaceitável e perigoso
para a sociedade como um todo”, disse a artista.
O Museu de Arte
do Rio seria o segundo lugar no Brasil a receber a exposição. Com o veto da
Prefeitura, a Secretaria Estadual de Cultura ofereceu a Escola de Artes Visuais
do Parque Lage, que pertence ao Estado, para instalar a mostra. O argumento de
quem defende a Queermuseu é a liberdade de cada um de escolher se quer ou não
ver as obras.
Em rede social,
a atriz Fernanda Montenegro protestou
contra qualquer censura à expressão da arte no Brasil. Posição também defendida
pelo jurista Gustavo Binenbojm.
“Me parece que
há duas questões constitucionais em jogo: a primeira, a separação entre a
igreja e o estado, qualquer forma de confissão religiosa não pode colonizar as
decisões dos governantes, e, de outro lado, a garantia da liberdade de
expressão artística, que só é limitada nos aspectos pontuais em que a
Constituição permite essa proibição. O de que aqui não se trata. Se existe uma
função para a liberdade de expressão é, exatamente, para proteger a polêmica, a
controvérsia e garantir a diversidade de opiniões ”, declarou Binenbojm.

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