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Gestante que
decidiu doar bebê denuncia discriminação
em hospital público após o parto
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'Queria ter
passado por isso de maneira tranquila, sem ter a sensação de que eu estava cometendo
um crime', disse a mãe do bebê.
Uma mulher que
decidiu doar o filho para adoção denunciou que foi discriminada por médicos e
enfermeiros, dentro do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Aos 20 anos,
entre tantas dúvidas, ela teve uma certeza: aos quatro meses de gravidez,
decidiu entregar o bebê para adoção.
"Quando eu
descobri que estava grávida e desempregada, bateu aquele desespero. Cheguei a
comprar os remédios, mas eu não queria fazer aquilo, tirar a vida de uma
criança. Eu sabia que depois que ele nascesse, ele seria levado para uma
família substituta. E eu queria que ele continuasse recebendo amor", disse
a mulher.
De acordo com o
juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, titular da 4° vara da Infância, Juventude e
Idoso da capital, a gestante que deseja entregar o seu filho pra adoção tem o
direito de procurar a Vara da Infância e Juventude.
"Ela
também pode comunicar isso diretamente ao profissional de saúde, esses
profissionais têm que manter o sigilo da informação, e, por obrigação legal,
têm que comunicar a Vara da Infância e Juventude sobre essa decisão",
explicou o juiz. Entretanto, no dia do parto, no Hospital Municipal Albert
Schweitzer, aconteceu tudo ao contrário, segundo ela.
"Sofri
muita discriminação no hospital. Sofri da médica, dos enfermeiros. No hospital,
eles fazem muita pressão. Havia um pedido para eu não ter contato com o bebê.
Disse que eu não queria amamentar. Minha decisão, nada do que eu pedi foi
respeitado", comentou a mulher.
O hospital foi
avisado da decisão dois meses antes, segundo o juiz. "Essa criança deveria
ir pra um acolhimento e não ter contato com a mãe, por desejo dela, mas houve
ali uma série de condutas irregulares."
A mãe do bebê
contou que pessoas entravam no quarto para questioná-la. "Me olhavam como
se eu fosse um bicho. Houve um caso de uma senhora invadir meu quarto e me
pedir pra dar a criança pra ela porque ela queria muito e que eu estava dando a
criança. Queria ter passado por isso de maneira tranquila, sem ter a sensação
de que eu estava cometendo um crime".
O Hospital
Albert Schweitzer afirmou que a mãe e o bebê ficaram separados durante a
internação, que a criança foi entregue ao Conselho Tutelar assim que teve alta,
e que a equipe de saúde vai ser ouvida para esclarecer o que aconteceu.
O Ministério
Público informou que pediu ao hospital os nomes dos profissionais que atenderam
a paciente para que eles sejam interrogados.
Por RJTV

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