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BRASÍLIA - Em
um movimento que agradou à base governista, o presidente da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), escolheu um
aliado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o tucano Bonifácio de Andrada (MG),
para relatar a denúncia contra o presidente Michel Temer e seus ministros
Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil). A escolha
reabriu a crise no PSDB.
Pacheco ignorou os apelos do líder do PSDB, Ricardo Trípoli (SP), para que,
desta vez, não escolhesse um tucano para a missão. Na primeira denúncia, o
relatório que livrou o presidente foi produzido pelo deputado Paulo Abi-Ackel
(PSDB-MG) e a bancada ficou dividida no plenário. Dos 47 deputados, 22 foram
contra o prosseguimento da denúncia, 21 a favor e quatro se ausentaram.
Nos bastidores,
parlamentares avaliam que a indicação de Bonifácio faz parte de uma operação
casada para salvar o mandato de Aécio e segurar a nova denúncia. O parlamentar
mineiro, que pertence à família do patriarca da Independência, José Bonifácio
de Andrada e Silva, foi um dos deputados que ajudaram a segurar a primeira
denúncia contra Temer por corrupção passiva, rejeitada em agosto pela Câmara
dos Deputados.
A crise no PSDB
volta à tona especialmente entre a ala paulista e a mineira. Enquanto os
paulistas não fizeram esforço para preservar Temer, os mineiros ajudaram a
barrar a primeira denúncia. Trípoli não descarta a possibilidade de tirar
Bonifácio da CCJ, o que obrigaria Pacheco a redistribuir a relatoria para outro
membro da comissão.
Experiência. No
anúncio, Pacheco disse que Bonifácio está “acima” das questões internas do
PSDB. “Tenho certeza de que o PSDB haverá de ficar contente com a decisão”,
afirmou.
O peemedebista
também minimizou o fato de Bonifácio ter votado a favor de Temer na primeira
denúncia. “É uma nova realidade e confio muito na decência e na experiência do
deputado Bonifácio”, declarou o presidente da CCJ.
Nesta
quinta-feira, 28, o Palácio do Planalto evitou manifestações a respeito da
escolha de Bonifácio. O discurso oficial segue a linha da primeira denúncia, de
que espera que seja apresentado um relatório “técnico”, favorável a Temer, com
pedido de arquivamento de denúncia.
Interlocutores
do presidente, no entanto, avisam que, caso a opção seja por relatório
“político”, contrário a Temer, um dos aliados governistas na CCJ será convocado
a apresentar um relatório paralelo, repetindo o trâmite anterior.
Perfil. Suplente
na CCJ, Bonifácio não votou no colegiado, mas fez questão de se posicionar
contra a primeira denúncia por corrupção passiva durante a fase de debates. Na
ocasião, o tucano criticou o uso das gravações do empresário Joesley Batista
como peça-chave da acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Não sou a
favor da admissibilidade. Não por razões políticas, mas puramente por razões de
ordem jurídica. Não há base para andamento do processo”, disse na comissão. Em
2 de agosto, dia da votação da denúncia no plenário, o deputado tucano votou
com o governo “em favor das instituições e do progresso do Brasil”.
O tucano tem 87
anos, é jornalista, advogado, professor de Direito Constitucional e cientista
político. Ligado ao grupo de Aécio, o parlamentar está no seu décimo mandato, tem
atuação discreta na Casa, mas é visto como uma espécie de “reserva moral” da
bancada. Embora não tenha a intenção de disputar a reeleição, Bonifácio prepara
seus filhos para a próxima eleição. A avaliação é de que qualquer deslize no
relatório sobre a segunda denúncia poderia respingar sobre as candidaturas de
Lafayette e Antonio Andrada.
“Temos muita
convicção de que é um nome que preserva a comissão, que dá o tom necessário que
nós precisávamos para a seriedade e necessidade de demonstração de imparcialidade
na condução desse trabalho”, justificou o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco
(PMDB-MG), ao anunciar seu escolhido.
Na primeira
denúncia, Pacheco indicou Sérgio Zveiter (ex-PMDB e hoje Podemos-RJ), de perfil
mais alinhado com a oposição. Em seu relatório, Zveiter afirmou que a acusação
da Procuradoria não era “fantasiosa”, como defende Temer, e deveria ser
investigada. Agora, o peemedebista optou por um relator mais palatável ao
Palácio do Planalto. “Nada melhor que alguém do PSDB, que vai convencer seus
pares de que é importante votar contra a denúncia porque ela é inócua”, disse o
vice-líder do governo, Beto Mansur (PRB-SP). / COLABORARAM TÂNIA
MONTEIRO E CARLA ARAÚJO

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