Defesa pede que Lula seja ouvido por Tribunal no RS sobre tríplex | Rio das Ostras Jornal

Defesa pede que Lula seja ouvido por Tribunal no RS sobre tríplex

Lula antes de entrevista coletiva à imprensa em 13 de
julho de 2017 (Foto: AP Foto/Andre Penner)
Documento de 491 páginas chegou ao sistema às 21h05, de acordo com a assessoria de imprensa do tribunal. Além de apresentarem argumentos pela inocência de Lula, advogados pedem que o ex-presidente conceda depoimento diretamente ao TRF4.
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta segunda-feira (11) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, a fundamentação do recurso contra a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em razão do triplex no Guarujá. O documento de 491 páginas chegou ao sistema às 21h05, de acordo com a assessoria de imprensa do tribunal.
Além de apresentar os argumentos pela inocência de Lula, os advogados pedem que o ex-presidente conceda um depoimento diretamente ao TRF4. "O pedido foi baseado na demonstração de que o juiz de primeiro grau jamais teve interesse em apurar a realidade dos fatos e atuou como verdadeiro acusador: enquanto o MPF fez 138 perguntas a Lula durante o seu interrogatório, o juiz formulou 347 questões ao ex-Presidente, a maior parte delas sem qualquer relação com o processo", diz nota encaminhada pela defesa.
No dia 12 de junho, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, condenou o ex-presidente a 9 anos e 6 meses, com direito a recorrer em liberdade. Os advogados de Lula ingressaram com recurso na Justiça Federal no Paraná, no dia 31 de junho, para entregar nesta segunda os argumentos que vão basear a apelação.
Ainda de acordo com a nota da defesa do ex-presidente, o documento registrado no TRF4 destaca que o próprio juiz Sérgio Moro reconheceu que não há valores de contratos firmados pela Petrobras usados em benefício de Lula. Além disso, diz o texto, o magistrado indeferiu o uso de provas da inocência do político.
A nota prossegue afirmando que a acusação julgada na sentença não foi a mesma apresentada pela Força Tarefa da Lava Jato em setembro do ano passado. Além disso, os advogados dizem que o crime de corrupção passiva depende da participação de algum funcionário público, e contestam os depoimentos dos corréus Leo Pinheiro e Agenor Magalhães Medeiros, que segundo eles serviram como base para a condenação.
"Pinheiro e Medeiros foram ouvidos sem o compromisso de dizer a verdade e com o claro objetivo de apresentarem uma falsa versão incriminadora contra Lula em troca de benefícios diversos, inclusive a diminuição substancial da pena que lhes foram impostas."
O que diz a sentença
Em sua decisão, Moro afirma que há provas de que Lula recebeu propina da empreiteira OAS no caso do triplex em Guarujá, no litoral paulista. Para o juiz, o imóvel foi entregue ao ex-presidente como contrapartida por contratos fraudulentos que a empreiteira fechou com a Petrobras.
Lula nega as acusações, e na avaliação dos advogados que o representam, Moro teve atuação política na sentença.
Por "falta de prova suficiente da materialidade", o juiz absolveu Lula das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial numa transportadora, que teria sido pago pela empresa OAS.

Por G1 RS
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