Filho de Ivo Pitanguy é condenado por atropelar e matar operário

Carro do empresário após atropelar empresário na Gávea,
na Zona Sul do Rio (Foto: Reprodução/ TV Globo)
Pena de 4 anos e 8 meses de prisão será convertida em prestação de serviços e pagamento de multa de R$ 300 mil.
A justiça do Rio de Janeiro condenou o empresário Ivo Nascimento de Campos Pitanguy a 4 anos e 8 meses de prisão por atropelar e matar o operário José Ferreira da Silva, que trabalhava nas obras da Linha 4 do Metrô. A pena foi convertida na prestação de serviços por sete horas semanais em uma clínica ou instituição, que será definida pela justiça, que trabalha na recuperação de acidentados de trânsito. O empresário também terá que pagar R$ 300 mil a uma instituição de reabilitação. A decisão é da juíza Alessandra Bilac, da 40ª Vara Criminal do Rio de Janeiro.
Além da conversão em multa e serviços comunitários, Ivo Nascimento de Campos Pitanguy terá que ficar cinco anos sem dirigir. O empresário é filho do cirurgião Ivo Pitanguy, de renome internacional, falecido ano passado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, no dia 20 de agosto de 2015, na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, na Zona Sul do Rio, o empresário teria dirigido de maneira imprudente após ingerir bebida alcoólica e assumido o risco de matar José Ferreira da Silva. A via estava molhada e o motorista estaria guiando em alta velocidade. Ivo Nascimento de Campos Pitanguy perdeu o controle do carro, rodou e subiu na calçada, atropelando o operário. José chegou a ser socorrido pelos bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos.
“O denunciado, após o atropelamento, sem que houvesse qualquer risco pessoal a sua pessoa, deixou de prestar socorro à vítima ou ainda de solicitar auxílio das autoridades públicas competentes. Ressalte-se, neste sentido, que o denunciado tentou sair do local do crime, sendo impedido por terceiros, e que o socorro médico também foi solicitado por terceiras pessoas,” destaca a denúncia do Ministério Público.
Em depoimento, de acordo com a delegada responsável pela apuração do caso, Monique Vidal, um PM e dois bombeiros que socorreram o motorista afirmaram que ele se recusou a colocar o colar cervical, não queria permitir os procedimentos de primeiros socorros, estava visivelmente alterado e com hálito alcoólico. Ainda segundo a delegada, a ficha de Ivo Nascimento de Campos Pitanguy no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ) tinha 23 folhas, com 70 multas aplicadas nos últimos 5 anos, o que dá mais de 240 pontos na carteira. Do total de multas, 14 eram por dirigir embriagado.
O empresário foi preso em flagrante no Hospital Miguel Couto e levado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. No dia 27 de agosto, Ivo Nascimento de Campos Pitanguy foi solto. Para deixar a cadeia, Pitanguy teve que pagar fiança de R$ 100 mil.
De acordo com os autos do processo, um dos agravantes da pena foi o fato do empresário não ter demonstrado nenhuma preocupação com a vítima, segundo o que contaram as testemunhas do acidente.

“Ante os depoimentos uníssonos das testemunhas, restou evidente a absoluta indiferença do denunciado em relação à vítima, cuja gravidade das lesões impressionou a todos aqueles que presenciaram a cena. Com efeito, além de não se prontificar a chamar o socorro em violação ao dever de solidariedade que incumbe a todos, a despeito de manter-se suficientemente consciente e lúcido, em nenhum momento demonstrou interesse em tomar conhecimento do estado da mesma ou remorso por ter tirado a vida de um homem que retornava de seu serviço”, destacou a sentença.
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