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O
ex-presidente Lula participa de seminário
(Paulo
Pinto/PT)
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Assessor de imprensa do
ex-presidente Lula recorre a Russomanno e Milton Neves em ofensiva contra o
juiz Sergio Moro e a Lava-Jato
O jornalista José
Chrispiniano, assessor de imprensa do ex-presidente Lula,
engrossou a ofensiva do chefe contra o juiz federal Sergio Moro e
a Operação Lava-Jato. Com seu nome nas páginas policiais, ele abriu
mais um flanco de ataques ao juiz, desta vez no processo que apura embaraço à
investigação de organização criminosa e violação de sigilo funcional, o mesmo
que tem como um dos alvos o blogueiro Eduardo Guimarães, ligado ao
PCdoB e ao PT, autointitulado inimigo de Moro.
Contato do Instituto Lula com
os blogs chapa-branca e jornalistas, José Chrispiniano vislumbrou
que a investigação sobre o vazamento de dados sigilosos da Lava-Jato chegou ao
seu nome. Isso porque, ao depor à Polícia Federal conduzido coercitivamente, o
blogueiro-amigo Eduardo Guimarães confirmou ter telefonado para o assessor de
imprensa de Lula quando soube da quebra de sigilo do ex-presidente, familiares,
pessoas e empresas ligadas ao petista. O blogueiro alega que estava apenas
checando dados que haviam sido vazados por uma servidora da Receita Federal.
Para os investigadores, ele avisou Lula sobre as ações cautelares que
estavam em curso e pode ter facilitado a destruição de provas. O Instituto Lula
entrou em alerta. Tudo ocorreu às vésperas de o chefe ser levado à força pela
PF, em março do ano passado. Dias depois da publicação de Guimarães, uma
funcionária de Lula recebeu e-mail com outro comunicado: os telefones estariam
grampeados. “Todo o cuidado é pouco”, dizia a mensagem.
Chrispiniano enviou nesta
segunda-feira uma petição ao juiz para ter acesso ao inquérito em que foi
citado. Aproveitou para desferir críticas ao juiz. No texto, o
advogado Anderson Bezerra Lopes, defensor de Chrispiniano, desvia da
argumentação jurídica para afirmar que Moro seleciona investigados para
tratá-los como criminosos e “há tempos impõe, sem provas, uma caçada judicial
ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abalroando tudo e todos que
estiverem pelo caminho”. A defesa ainda ironiza a investigação: “Tal como a Mani
Pulite [Mãos Limpas, operação contra corrupção na Itália], a Lava-Jato
vaza como uma peneira, mas vê-se que alguns vazamentos são mais importantes do
que os outros”.
A defesa ignora fatos como a
publicação no Blog da Cidadania, as revelações da investigação e a
confirmação, em depoimento à Polícia Federal, do próprio Guimarães. O assessor
de Lula sugere que foi 13ª Vara Federal de Curitiba – e não o blogueiro investigado
– quem vazou as informações sigilosas. A estratégia de Chrispiniano
é alegar que Guimarães publicou no blog dados sobre “quebras de sigilo
bancário e fiscal”, não sobre a condução coercitiva de Lula e as buscas em sua
residência de São Bernardo do Campo (SP) e na sede do instituto, na capital
paulista. No dia das buscas, investigadores da PF relataram indícios de que
houvera uma limpa em computadores e documentos do Instituto Lula.
“Embora a decisão de V. Exa.
decretando as buscas domiciliares tenha sido proferida em 24/02/16, ao final da
decisão consta expressamente que as determinações deveriam aguardar até
26/02/16, até que fossem prestados esclarecimentos pelo MPF. Disto decorre que,
até o dia 26/02/16, eventual vazamento de informação sobre a existência de
decisão judicial ordenando buscas domiciliares somente poderia ter partido
desse juízo. (…) O conteúdo da publicação feita por Eduardo Guimarães aponta de
modo muito claro para informações acerca de quebras de sigilo bancário e
fiscal, não havendo qualquer menção a uma eventual decretação de buscas
domiciliares. Nesse sentido, especular sobre o vazamento de informação sobre as
buscas domiciliares necessariamente implica desconfiar da lisura e correção dos
servidores desse juízo que tiveram acesso à decisão proferida por V. Exa. em
24/02/16, o que não cremos ser o caso”, argumenta o advogado. “Isto sepulta por
completo a fantasiosa tese de que teria ocorrido prévia comunicação da
ocorrência das buscas domiciliares aos investigados e de que isto teria criado
algum tipo de embaraço às investigações. Em verdade, o expediente em epígrafe
configura mais um indisfarçável instrumento de constrangimento contra aqueles
que foram previamente selecionados pela denominada Operação Lava-Jato para
receber a etiqueta de criminosos, ainda que não tenham cometido qualquer
crime.”
Russomanno e Milton Neves –
A defesa do assessor de Lula também aproveitou para acusar Moro de violar o
sigilo da fonte de Guimarães, que se autodeclara comerciante e foi candidato a
vereador em São Paulo pelo PCdoB, e não jornalista. Numa retórica pouco
convincente e que entorta princípios éticos da profissão, o advogado recorreu a
comparações com o deputado Celso Russomanno (PRB-SP) e o
apresentador de TV Milton Neves, para argumentar que eles não
deixam de ser “jornalistas” por desenvolverem atividades paralelas. Para
Bezerra Lopes, “a Constituição não condiciona a garantia do sigilo da
fonte ao exercício do jornalismo em tempo integral”.
“Ao afastar a qualificação de
jornalista do sr. Eduardo, esse juízo utilizou como ‘fundamentos’ uma
candidatura a vereador para a cidade de São Paulo e uma informação sobre
exercício de comércio constante no site do TSE. Ora, tais fundamentos não
resistem a uma brevíssima reflexão. Desde quando o jornalismo é profissão
incompatível com a candidatura a cargos eletivos? Por acaso, o Sr. Celso Russomanno
também perde sua qualificação de jornalista quando se candidata a mandatos
eletivos? Desde quando o jornalismo é incompatível com a prática do comércio?
Por acaso, como é público e notório, o sr. Milton Neves também perde sua
qualificação de jornalista por investir em diversos negócios não relacionados
ao jornalismo?”.
Veja.com

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