30% dos carteiros estão sem trabalhar por problemas decorrentes de assaltos

Violência prejudica entrega de encomendas 
em algumas regiões
Moradores de bairros da Zona Norte do Rio não recebem correspondências há mais de um ano
Moradores de Brás de Pina, Penha e Olaria, na Zona Norte do Rio, reclamam que há mais de um ano os Correios não entregam encomendas e nem cartas em suas casas. E o motivo alegado é a violência. Por conta disso, os moradores precisam se deslocar até os centros de distribuição e, mesmo assim, nem sempre a correspondência chega.
“Há cinco meses que nós não estamos recebendo nossa correspondência. No primeiro mês não chegou no dia 5, achei estranho. Dia 10 cheguei, eles me entregaram um bolo, um bolo enorme de cartas”, contou o mecânico e motorista Robson Barreto.
Em função disso, muitos moradores têm ido buscar as cartas nas agências do Correios nos últimos meses. “Ainda tem um agravante, esses dias vim pegar minhas contas. Achei no bolo contas da minha irmã. Pediram para eu aproveitar e entregar as cartas da minha irmã e de um vizinho. Que história é essa?”, criticou Robson Barreto.
Carteiros afastados em função da violência
O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios diz que a origem dos problemas está na redução do quadro de funcionários na cidade do Rio de Janeiro. “Nos últimos tempos tivemos demissões incentivadas, estamos com 1.500 funcionários a menos, e vai ter mais um plano de demissão agora e vão embora mais 400”, explicou Rosimere Leodoro, do Sintect-RJ.
E tem ainda o afastamento do serviço por conta da violência nas ruas. Só no centro dos Correios da Penha, que distribui encomendas maiores, dos 44 carteiros lotados nesta unidade, 13 estão afastados. Ou seja, quase 30% dos carteiros não estão trabalhando por problemas psicológicos decorrentes de assaltos.
Como as fatura não chegam, os pagamentos acabam atrasando. “Cartões que tem que pagar atrasado, conta telefone, inclusive meu marido esqueceu de pagar por causa disso e teve que pagar atrasado”, reclamou a professora Kátia Rodrigues da Silva.
Nas agências, quando os moradores vão atrás das correspondências, falta orientação. “Falta muita informação, chego atrás das minhas cartas. Nunca chegam, vou atrás de informação ninguém nunca informa. Hoje que eu vim saber, quando não está aqui, fica lá em Benfica. Não chega em casa e você precisa adivinhar onde está? Não chega aviso nenhum. Nada, nada, nada”, disse o comerciante Ronaldo Rodrigues da Silva.
Em pouco tempo em frente ao centro de distribuição domiciliar na Penha, a equipe do Bom Dia Rio viu diversas situações na entrega correspondências e pequenas encomendas em casas e no comércio. “É o meu plano de saúde. Eu preciso dele”, afirmou a autônoma Tereza Cristina da Silva, que já teve problema e não recebeu a conta na data do vencimento. Ela entrou na agência atrás notícias, mas saiu de mãos vazias na data limite.
“Nada para mim. Disseram que não tinha nada para mim, o que tinha já saiu, e na minha casa não chegou nada”, lamentou a mulher que disse que teria de ir à empresa e imprimir novo boleto para poder pagar a segunda via na internet.
Tem morador que não sofre apenas com a correspondência pessoal. Paulo depende dos Correios para os negócios. Ele tem uma corretora de seguros e não está recebendo as apólices. Devido a isso, precisa tirar a segunda via, o que causa incômodo aos segurados. As seguradoras enviam as correspondências, mas elas não chegam.
O aposentado Edgar Bernardo de Souza contestou uma cobrança, que foi reconhecida como indevida, e está esperando um documento com a correção para encerrar de vez a questão. “Estou dependendo de uma fatura que encaminharam oito dias atrás para eu resolver um problema. E até agora não chegaram aqui. Há oito dias ligaram que já tinham colocado nos Correios. Vim hoje aqui porque já passou de oito dias. Já tem dez dias”, lamentou o aposentado.
Carteiros estão 'acostumados' com assaltos
O motorista Mauro Salvador trabalha há oito anos como motorista terceirizado dos Correios. E diz que está acostumado com os assaltos, fala até com uma impressionante tranquilidade.
“O assalto é frequente aqui. Agora mesmo acaba de chegar um colega que foi assaltado. Saiu meia hora atrás, já foi assaltado, aqui perto. Saiu daqui, eles ficam olhando e pegam a gente mais na frente. Até hoje está tranquilo. Tranquilo que eu digo, nunca ameaçaram a gente. Fui assaltado umas 20 e poucas vezes. Os carteiros podem pegar licença, motorista não. A gente tem que estar de volta no dia seguinte. É o nosso pão de cada dia”, contou o motorista.
A Polícia Militar informou que faz patrulhamento na região, com carros e motocicletas, para inibir a prática de crimes e que o novo comandante do Batalhão de Olaria já agendou uma reunião com os Correios para tratar dos assaltos.
Em nota, os Correios informam que o endereço das pessoas mostradas na reportagem é classificado como área de restrição de entrega de encomendas por causa do grande número de assaltos e que essas restrições são reavaliadas constantemente. Os Correios dizem ainda que a restrição é apenas para a entrega de encomendas e que a entrega de correspondência continua sendo feita normalmente nestes locais.
Só que o Bom Dia Rio viu que os moradores não estão recebendo em casa as suas correspondências. Sobre a denúncia do sindicato de que houve redução no número de funcionários no Rio, os Correios responderam que estão reavaliando a necessidade de cada localidade e que somente após a conclusão desse estudo será possível saber se será preciso fazer um novo concurso público para contratação de pessoal.
Os Correios disseram ainda que os carteiros que optaram pelo programa de demissão representam menos de quatro por cento do efetivo do estado.

Por Bom Dia Rio
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