Venezuela e Bolívia são suspeitos de esquema estatal de lavagem

A polícia do Paraguai apreendeu dinheiro venezuelano na cidade
de Salto del Guairá, na fronteira com o Brasil. Detalhe das cédulas
de bolívar localizadas pela polícia. O presidente venezuelano
Nicolás Maduro e seu homólogo boliviano Evo Morales:
 corrupção bolivariana  (Rosendo Duarte /  Inti Ocon/AFP)
Carregamento de 30 toneladas de cédulas de bolívares desviados por chavistas seriam trocadas por cerca de 150 milhões dólares no mercado boliviano
Uma operação da polícia do Paraguai, que na semana passada apreendeu trinta toneladas de notas de bolívares, a moeda venezuelana, é considerada o ponto de partida para investigação internacional de uma nova modalidade de lavagem de dinheiro: a estatal.
O carregamento composto por notas de 50 e 100 ainda não foi oficialmente contabilizado, mas estima-se que supere 1,5 bilhão de bolívares. O dinheiro foi retirado clandestinamente da Venezuela e seria levado para Bolívia onde seria convertido por dólares nas casas de câmbio locais.
Segundo um consultor do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o caso revela uma nova e complexa forma de lavagem de dinheiro. “Além de envolver entes estatais, ampara-se em operações legais para limpar os recursos provenientes do crime”, diz.
Nas ruas de Caracas, um dólar vale 4 190 bolívares. Mas pela cotação oficial, imposta pelo chavismo, são necessários apenas 10 por uma unidade da moeda americana. Enquanto havia dólares disponíveis no mercado venezuelano, os criminosos valiam-se do câmbio artificial imposto pelo governo para multiplicar suas fortunas.
Em todo mundo, a cotação ficcional dos venezuelanos é considerada para informações oficiais, mas quase ninguém aceita aplicá-la. No Paraguai, por exemplo, onde o dinheiro foi localizado, nenhuma casa de câmbio opera com a moeda venezuelana, por causa da discrepância entre o seu valor oficial e real. O mesmo acontece no Brasil.
Mas na Bolívia, prevalece a ficção. A moeda venezuelana é amplamente aceita e remunerada em um valor próximo ao da cotação artificial chavista. Isso significa que gradualmente, os 1,5 bilhão de bolívares – que efetivamente correspondem a menos de 358 000 dólares – seriam convertidos em até 150 milhões de dólares aos seus detentores. Uma supervalorização de cerca de 419 vezes
“Um pequeno grupo de privilegiados da Venezuela e da Bolívia consegue multiplicar seu patrimônio em apenas uma operação de câmbio. E o mais sombrio que a pilhagem do patrimônio venezuelano é feita totalmente dentro da lei”, diz o consultor do Pentágono. O crime segundo ele, está no trânsito não declarado do dinheiro e na provável origem ilícita dos recursos: corrupção e tráfico de drogas.
 “É dinheiro da corrupção chavista que está sendo lavado nas casas de câmbio bolivianas com o aval do Estado Boliviano”, diz o economista venezuelano Antonio de La Cruz, diretor-executivo da InterAmerican Trends, com sede em Washington. “O sinal que é dinheiro roubado dos cofres venezuelanos ou resultado de propinas é o fato se serem cédulas de bolívares e não de dólares”, explica De la Cruz.
De posse dos bolívares, as casas de câmbio repassam o papel para o Banco Central da Bolívia a um preço ainda mais alto que o remunerado aos criminosos, obtendo assim o seu lucro na operação. O BC boliviano, por sua vez, utiliza o papel moeda para pagar a sua dívida externa para com a Venezuela, hoje em torno de 768 milhões de dólares. Como a Venezuela aceita a conversão pelo seu valor oficial, cada dez bolívares são equivalentes a um dólar de dívida. Caso a operação tivesse sido concretizada, o governo de Evo Morales conseguiria amortizar cerca de 20% de seus débitos para com os venezuelanos
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do planeta, mas necessita importar combustível. A razão é o estágio pré-falimentar da estatal petroleira, a PDVSA. No auge do preço da commodity, que entre 2004 e 2014 ficou acima de 50 dólares, passando de 100 por vários anos, o país experimentou um boom econômico capaz de alçá-lo ao primeiro mundo. Mas Hugo Chávez — que foi presidente de 1999 até a sua morte em 2013 — preferiu torrar as reservas de seu país na “exportação” da revolução bolivariana. A Venezuela comprou créditos da dívida externa de aliados como Argentina, Equador e Bolívia.
O pagamento da dívida boliviana por meio da compra de bolívares cotados artificialmente é mais uma forma que os chavistas e seus aliados bolivarianos se valem para sugar os últimos recursos do país. Faturam alto os apaniguados dos governos de Nicolás Maduro e Evo Morales às custas da pilhagem das parcas reservas do país.

O governo boliviano se vangloria de pagar a sua dívida e com isso ajudar os aliados no momento de crise. Mas indiretamente, Evo Morales empurra ainda mais o povo venezuelano para o abismo.
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