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Primeira-dama
Americana, Michelle Obama, fala durante evento
de campanha
da democrata Hillary Clinton, em Manchester
(Foto: Jim
Cole/ AP)
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Há oito anos morando na Casa
Branca, Michelle é formada em Sociologia e Direito em prestigiadas
universidades americanas e, no início, se opôs à candidatura do marido.
Michelle LaVaughn Robinson Obama
fez história nos Estados Unidos há oito anos, formando com Barack Obama o
primeiro casal presidencial negro na história do país.
A primeira-dama, que recentemente
foi alvo de racismo ao ser chamada de "macaca de salto alto" na
internet por uma funcionária pública de uma pequeno condado americano, em um
caso que teve grande repercussão no país, é socióloga e jurista, e se dedicou,
durante os dois mandatos de seu marido, a combater a obesidade infantil e a
defender questões como a importância do exercício físico, além de ter
trabalhado na promoção dos direitos das mulheres na esfera internacional.
Nos últimos meses, ela participou
ativamente na campanha presidencial de Hillary Clinton, dando discursos
emocionados a favor da candidata democrata, que, no fim, perdeu a eleição para
Donald Trump.
A poucas semanas do término do
mandato de Obama, a primeira-dama tem um índice de popularidade de 64%, de
acordo com o instituto de pesquisa Gallup, número maior do que o do atual
presidente.
Alguns sugerem que a primeira-dama
seria um excelente candidata à Presidência, embora ela negue qualquer desejo de
comandar os Estados Unidos.
Veja abaixo alguns detalhes que
você talvez não conhecia da vida e carreira de Michelle.
1. É descendente de uma escrava
chamada Melvinia
Um estudo da árvore genealógica de
Michelle Obama encomendado em 2009 pelo jornal "The New York Times"
revelou seu parentesco com uma escrava da Carolina do Sul.
Ela se chamava Melvinia, pertencia
a um proprietário de terras no sul do Estado, e foi enviada para a Geórgia
quando ele morreu.
Cerca de dois anos antes da Guerra
Civil Americana (1861-1865), Melvinia ficou grávida de um homem branco e deu à
luz Dolphus T. Shields, de quem descende Michelle Obama.
Embora a primeira-dama não tenha
se referido especificamente ao passado de sua família, a luta contra o racismo
foi um dos pontos focais de vários de seus discursos.
Durante sua fala na Convenção
Democrata deste ano, Michelle causou comoção ao dizer que ela e suas filhas
acordam todos os dias em "uma casa construída por escravos",
referindo-se à Casa Branca.
2. Foi vítima de racismo na
Universidade de Princeton
Michelle tinha 17 anos quando se
mudou de um apartamento em Chicago, onde vivia com seus pais, para o campus da
Universidade de Princeton, em Nova Jersey.
Apesar de seus professores do
ensino médio lhe dizerem que tinha "aspirações demais" por querer
entrar na prestigiada instituição, a jovem desejava seguir os passos de seu
irmão mais velho Craig, que se formou lá em 1983.
No entanto, os primeiros dias em
Princeton não foram fáceis.
A mãe branca de sua companheira de
quarto pediu, sem sucesso, que mudassem sua filha de lugar porque Michelle era
negra, conforme relatado por Peter Slevin, autor da biografia Michelle Obama: A
Life.
"As minhas experiências em
Princeton me fizeram muito mais conscientes do fato de ser negra",
escreveu na introdução de seu trabalho de conclusão.
"Não importa o quão liberal e
aberto sejam os meus professores e colegas brancos nas suas relações comigo, às
vezes me sinto como uma visitante no campus."
Isso não impediu que se graduasse
em Sociologia com especialização em estudos afro-americanos e, três anos mais
tarde, em 1988, continuasse sua carreira acadêmica estudando Direito em
Harvard.
3. Ela foi tutora de Barack Obama
Apesar de ser mais jovem do que
ele, com 25 anos de idade, Michelle foi tutora de Barack Obama. Barack tinha 28
anos e fazia um estágio no escritório de advocacia de Chicago, onde ambos
trabalhavam.
Obama ficaria lá apenas durante o
verão e depois retornaria a Harvard, para continuar o curso de Direito.
Na metade do estágio, o futuro
presidente dos Estados Unidos convidou Michelle para um encontro.
"Foi fantástico (...) Ele foi
definitivamente muito charmoso, e funcionou", disse a futura primeira-dama
em uma entrevista em 2004.
O casal veio de tipos diferentes
de família. Ele nasceu no Havaí, foi criado apenas pela mãe e viveu por um
tempo na Indonésia, enquanto Michelle era nativa da parte sul de Chicago e
tinha crescido com ambos os pais.
O que os dois tinham em comum era
a ambição acadêmica, que os levou a estudar nas universidades mais prestigiadas
e caras do país antes de se casarem, em 1992.
Os dois pediram empréstimos para
pagar seus estudos e conseguiram quitá-los só uma década depois da graduação,
disse o presidente em um discurso na Universidade da Carolina do Norte.
4. Foi contra a ideia do marido de
concorrer à Presidência dos Estados Unidos
No começo, Michelle Obama se opôs
a que seu marido se lançasse como candidato presidencial em 2008. "A
decisão foi repentina", disse à revista Vanity Fair em 2007.
"Eu disse 'você está brincando?
Não vamos fazer isso agora (...) podemos levar as coisas com calma?'".
A futura primeira-dama justificou
sua posição lembrando como havia sido difícil quando Barack Obama, como senador
de Illinois, viajava constantemente de Chicago a Washington.
"Minha pergunta a ele foi:
'vamos fazer algo difícil de novo, depois de ter feito algo muito duro?",
contou à revista.
Apesar de sua recente nomeação
como vice-presidente do Centro Médico da Universidade de Chicago, o anúncio de
seu marido como candidato à Presidência em fevereiro de 2007 mudou o cenário
para ela.
"Barack nunca me pediu para
deixar meu trabalho (...), mas como posso ir trabalhar todos os dias se estamos
tentando realizar algo em que acredito?", disse na época à revista.
5. Sua mãe também vive na Casa
Branca
Marian Robinson, mãe de Michelle e
secretária de banco aposentada, sempre manteve um perfil discreto e em raras
ocasiões deu entrevistas.
Mas a avó de 79 anos é uma parte
essencial da família presidencial norte-americana: ela também mora na Casa
Branca.
Marian, cujo marido morreu de
esclerose múltipla em 1991, se mudou para a residência oficial do presidente
após Barack Obama ganhar a eleição em 2008.
O objetivo, disse Michelle em
várias entrevistas, era que a mãe a apoiasse na criação de suas filhas, Sasha e
Malia.
Quando as meninas eram menores, a
avó era responsável por deixá-las e buscá-las na escola ao lado de agentes do
Serviço Secreto.
A vantagem de Robinson, conforme
relatado pelo jornal The Washington Post, é que pode mover-se com mais
liberdade por Washington, sem o forte aparato de segurança.
Em uma entrevista em 2009, Barack
Obama disse que ela "simplesmente sai pela porta da Casa Branca e vai até
à farmácia para fazer suas compras".
Da BBC

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