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A presidente
Dilma Rousseff: prestes a deixar o Planalto
(Evaristo
Sá/AFP)
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Sessão que selará o futuro da
presidente deve seguir até a noite. Nada indica que ela conseguirá escapar de
ser processada por crime de responsabilidade
Passados pouco menos de 24 anos da
sessão que resultou no afastamento de Fernando Collor de Mello do Palácio do
Planalto, o Senado Federal volta nesta quarta-feira a selar o destino de um
presidente da República: após uma sessão de debates que deve se estender até a
noite, os senadores deverão decidir se abrem processo contra a petista Dilma
Rousseff por crime de responsabilidade, afastando-a do cargo por até 180 dias.
Nada no horizonte indica que a presidente escapará hoje de mais uma derrota no
Congresso - num afastamento provavelmente sem volta.
A sessão desta quarta será
dividida em três blocos: um das 9 horas da manhã ao meio-dia, outro das 13
horas às 18 horas, e o último bloco, com as falas do relator na comissão
especial, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União (AGU), José
Eduardo Cardozo, das 19 horas em diante. O roteiro do impeachment prevê ainda
que todos os senadores que se inscreverem tenham até 15 minutos para se
manifestar da tribuna. A expectativa é de que cerca de 67 dos 81 integrantes do
Senado se apresentem para oferecer argumentos pró e contra o seguimento do
processo de impeachment de Dilma.
Se aprovado o afastamento, Dilma
será julgada pela Casa em até 180 dias. Quem presidirá o julgamento será o
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. A perda
definitiva do cargo exige o aval de 54 senadores. Alcançada essa votação, Dilma
será destituída e o vice-presidente, Michel Temer, do PMDB, será empossado para
governar o Brasil até as eleições de 2018. Caso contrário, a petista reassume a
Presidência imediatamente.
A possibilidade que vitória na
votação final parece hoje distante para Dilma. O clima de derrota já se
instaurou no governo. Ao longo da última semana, ministros se despediram do
cargo e houve quem se prontificasse a descer a rampa do Palácio do Planalto ao
lado de Dilma. Como mostrou reportagem de VEJA desta semana, a presidente
isolou-se como nunca: tem evitado até mesmo contato com servidores. Mas nada
deixa tão claro o desespero do governo quanto as manobras - sempre frustradas -
de barrar o prosseguimento do processo contra a presidente. Nenhuma tão
ridícula quanto as negociações que convenceram o presidente interino da Câmara,
Waldir Maranhão (PP-MA), a anular, numa canetada, a sessão que aprovou o
impeachment. Era o fim da linha - e o fim da picada. Mais: ao tentar anular o
processo pelas mãos de um deputado-fantoche, Dilma melindrou o presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma das mais velhas raposas da política
brasileira.
Ignorada por Renan, a artimanha
acabou anulada pelo próprio Maranhão. Uma chicana que serviu apenas para
envergonhar o país mundialmente. A ofensiva desastrada, capitaneada pelo
advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, é um retrato das atitudes que
levaram Dilma ao cadafalso. Um dos erros cruciais na reta final foi optar por
não abrir mão do discurso do "nós contra eles" - mesmo que
"eles" tenham sido milhões de brasileiros que saíram às ruas
voluntariamente para pedir sua renúncia.
Em 17 de abril, quando a Câmara
dos Deputados votou pela admissibilidade do processo de impeachment, já estava
claro que uma derrota do Planalto tornaria muito difícil para o governo
reverter a situação no tapete azul do Senado. E o placar foi amargo para Dilma:
367 deputados disseram sim ao processo, quinze a mais do que os votos
necessários para que o impeachment fosse encaminhado para a Casa vizinha. Uma
derrota não apenas da presidente, mas de seu padrinho político, Luiz Inácio
Lula da Silva. As negociações capitaneadas por Lula em um hotel de Brasília
deixaram escancarado o fisiologismo. Cargos foram oferecidos às baciadas. Não
adiantou.
A quarta presidente eleita desde a
redemocratização do país agora trilha o caminho do primeiro, Fernando Collor de
Melo.

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