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Mesa da
presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto
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REUTERS/Adriano Machado
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Prestes a ser afastada do cargo, a
presidente Dilma Rousseff já limpou a mesa e as prateleiras do seu gabinete no
terceiro andar do Palácio do Planalto, em um sinal claro de que seu governo já
se prepara para descer a rampa no dia 12, acompanhada dos auxiliares mais fiéis
e para ser recebida nas ruas por representantes de movimentos sociais, assim
que for notificada oficialmente pelo Senado.
Em uma de suas últimas audiências
como presidente, nesta terça-feira, a presidente recebeu o secretário-geral da
Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, em uma sala já sem
objetos pessoais e uma mesa vazia. Seguranças da Presidência tentavam evitar
que os fotógrafos, chamados para registrar o encontro, vissem os sinais da
saída iminente de Dilma do Planalto.
A presidente deve receber a
notificação de seu afastamento na quinta-feira, dia seguinte à votação da
admissibilidade do impeachment pelo plenário do Senado. A expectativa no
Planalto é que a sessão vá até a madrugada –ou pelo menos tarde da noite de
quinta-feira. Dilma deve ser informada pelo presidente da Casa, Renan Calheiros
(PMDB-AL), do horário em que emissários do Congresso irão entregar a notificação.
De acordo com uma fonte palaciana,
a presidente ainda não decidiu se receberá a notificação em uma cerimônia
aberta, para marcar sua saída, ou em seu gabinete. Está acertado, no entanto,
que Dilma desce a rampa do Palácio do Planalto –a mesma que subiu por duas
vezes, ao tomar posse em janeiro de 2011 e de 2015.
Ao seu lado, estarão alguns de
seus principais auxiliares –entre eles, o ministro-chefe de Gabinete, Jaques
Wagner, os ministros Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), Edinho Silva
(Secretaria de Comunicação da Presidência), e o advogado-geral da União, José
Eduardo Cardozo, entre outros. Não está certo ainda se o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, que chegou na noite desta segunda-feira a Brasília, irá
acompanhá-la na saída do Palácio do Planalto.
Movimentos sociais alinhados com o
governo –entre eles a Central Única dos Trabalhadores, o Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra e a Frente Nacional dos Movimentos Populares– organizam
uma mobilização para esperar Dilma ao pé da rampa.
São esperadas cerca de 10 mil
pessoas, segundo a fonte, e chegou-se a cogitar uma caminhada de Dilma e seus
ministros entre o Planalto e o Palácio da Alvorada –uma distância de pouco
menos de 5 quilômetros. De acordo com a fonte palaciana, é pouco provável que isso
ocorra, mas se imagina que os movimentos sociais irão até o Alvorada.
O Planalto ainda negocia com o
Senado qual estrutura Dilma terá a sua disposição durante os até 180 dias que
ficará afastada, durante o período de julgamento pelo Senado.
A presidente terá o uso do Palácio
da Alvorada e o staff que o mantém, cerca de 300 pessoas entre seguranças,
manutenção, e outros funcionários de serviços domésticos.
O pedido é que também lhe seja
permitido manter entre 15 e 20 servidores de cargos de confiança. Entre eles, o
assessor especial da Presidência, Giles Azevedo, seu assessor pessoal, o
jornalista Bruno Monteiro, além de outros assessores particulares, que cuidam
da agenda de produção de informação para a presidente.
Ainda não houve uma resposta
definitiva por parte do Senado. Um dos pedidos –que devem ser concedidos– é o
de uso de um avião da Força Aérea Brasileira para possíveis deslocamentos. A
alegação é que Dilma, apesar de afastada, ainda se mantém presidente e não
poderia se deslocar sem pessoal de segurança, o que inviabiliza o transporte
comum.
MELANCOLIA
Nos corredores do Palácio do
Planalto, o clima é de melancolia. De acordo com assessores próximos, Dilma
continua trabalhando como se seus dias no cargo não estivessem contados. Há
alguns dias, segundo a fonte, questionada se manteria uma das recentes viagens
que fez, respondeu: “Vou fazer o quê? Parar de governar? Ainda sou presidente.”
Entre seus auxiliares, no entanto,
o tempo é de arrumar gavetas, separar documentos e reunir objetos pessoais,
assim como já fez a chefe. As salas já têm bem menos gente do que há algumas
semanas, e a preocupação de onde cada um vai estar a partir da próxima semana é
visível.
“O que eu mais faço nas últimas
semanas é rasgar papel”, disse outra fonte palaciana.
Dilma, no entanto, tenta manter a
rotina. Nas últimas semanas, fez pelo menos quatro viagens para inaugurar
obras, mandou anunciar iniciativas do governo, e é possível que na
quarta-feira, enquanto o Senado vota seu afastamento, ainda faça mais um
evento, com estudantes, para marcar sua despedida.
Reportagem adicional de Adriano
Machado
Reuters

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