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Vazamento
fez com que economistas pedissem o fim dos paraísos
fiscais, que ajudariam a ampliar a
desigualdade. (Fornecido por BBC)
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O escândalo dos chamados Panama
Papers ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, quando foi disponibilizado
online mais um imenso banco de dados, com documentos sobre mais de 200 mil
contas offshore.
Os dados ficaram acessíveis online
às 15h (horário de Brasília) no siteatoffshoreleaks.icij.org . A lista traz
milhares de empresas de fachada, fundações e fundos criados em 21 paraísos
fiscais ao redor do mundo.
Quando o escândalo veio à tona,
cerca de 11 milhões de documentos confidenciais foram vazados, revelando a
forma como algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo – incluindo
diversos chefes de Estado – usam paraísos fiscais.
A posse de contas offshore em si
não é ilegal, desde que declarada ao Fisco. Mas o sistema muitas vezes serve
para ocultar fortunas, evadir impostos ou lavar dinheiro obtido por meio de
corrupção.
Os documentos divulgados pertencem
ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca e dão indícios de como a
empresa teria ajudado clientes a evitar sanções e pagamento de impostos e a
lavar dinheiro. O escritório nega as acusações e afirma que opera há 40 anos
legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime.
O vazamento foi feito por uma
pessoa cuja a identidade não foi revelada.
Na semana passada, o escritório
Mossack Fonseca emitiu uma ordem chamada "pare e desista", para
tentar evitar que o banco de dados fosse tornado público, mas a organização que
possui os documentos – o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos
(ICIJ na sigla em inglês) – parece ter decidido seguir em frente mesmo assim.
Interesse público
O ICIJ afirma que o banco de dados
disponibilizado nesta segunda-feira não é uma espécie de depósito de dados,
como o Wikileaks.
"O banco de dados não inclui
registros de contas bancárias e transações financeiras, e-mails ou outras
trocas de informações, dados de passaportes ou números de telefone. Estão sendo
publicadas informações selecionadas e limitadas de interesse público."
Ainda nesta segunda-feira, 300
economistas assinaram uma carta com um apelo a líderes mundiais para que
coloque um fim nos paraísos fiscais, argumentando que eles só beneficiam
indivíduos ricos e multinacionais, ampliando a desigualdade social.
"A existência de paraísos
fiscais não colabora com a riqueza de todos ou o bem-estar global; não são
ferramentas econômicas úteis", afirma a carta.
Desigualdade
Na semana passada, a pessoa
responsável pelo vazamento divulgou um depoimento citando a "desigualdade
de renda" como um dos motivos que o levou a divulgar os dados.
"Fracassaram bancos,
reguladores do sistema financeiro e autoridades fiscais. Foram tomadas decisões
que acabaram poupando os ricos e controlando apenas os cidadãos de renda baixa
ou média", afirmou.
A pessoa disse ainda que nunca
trabalhou para uma agência de espionagem nem para nenhum governo e afirmou que
ajudou autoridades em troca de imunidade.
Os documentos mostram ligações com
72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo, entre eles
ditadores acusados de saquear seus próprios países. Incluem também centenas de
políticos, funcionários de diferentes governos, celebridades e esportistas.
A lista traz milhares de empresas
de fachada, fundações e fundos criados em mais de 20 paraísos fiscais ao redor
do mundo. No Brasil, há menção a parentes ou pessoas ligadas a sete partidos.
No restante da América Latina, são
mencionados nos Panama Papers o presidente argentino, Mauricio Macri, o jogador
de futebol Lionel Messi, um primo do presidente do Equador e empresários
relacionados ao presidente do México, Enrique Peña Nieto.
BBC Brasil

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