![]() |
Deputado
Waldir Maranhao (PP)
(Foto: DANIEL
TEIXEIRA|ESTADAO)
|
Acabou ao meio-dia o prazo dado
por líderes partidários para que o presidente interino da Câmara, Waldir
Maranhão (PP-MA), renunciasse ao cargo. Líderes do PPS, DEM e PSDB dizem que
não aceitam a solução proposta pelos partidos do "centrão", na qual
Maranhão permaneceria no cargo sob "tutela" de outros membros da Mesa
Diretora. Ontem, Maranhão avisou que não abriria mão do cargo e, até o momento,
não deu sinais de que mudou de ideia.
Em conversas com líderes da nova
base aliada do governo, o presidente da República em exercício Michel Temer
pediu uma solução rápida para o impasse em relação a Maranhão e manifestou o
desejo de que a normalidade na Câmara seja prontamente restabelecida. "Ele
disse que, de fato, temos de resolver rapidamente", revelou o líder do
PPS, Rubens Bueno (PR).
Como adiantou o Broadcast Político, PTB, PSD, PR
passaram a discutir a possibilidade de aceitar a permanência de Maranhão na
presidência, desde que os membros da Mesa Diretora conduzissem os trabalhos,
deixando-o "reinando", mas sem poder de "governar". Assim,
o pepista seguiria na função, mas sob orientação principalmente do
primeiro-secretário Beto Mansur (PRB-SP).
As sessões plenárias seriam
presididas por Mansur e a pauta de votações coordenada pelos líderes. A
avaliação é que a proposta dos partidos do "centrão" tem por trás o
presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tentaria assim manter
o controle sobre os rumos da Câmara.
PSDB, PPS e DEM buscam agora
alternativas para tirar Maranhão do cargo. Uma delas é a representação por
quebra de decoro parlamentar encaminhada à Mesa Diretora e que pode chegar hoje
ao Conselho de Ética, mas o trâmite seria longo. Outra opção seria a
apresentação de uma questão de ordem em plenário ou consulta à Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) para declarar a vacância do cargo. Há também a
possibilidade de se colocar em votação o projeto de resolução apresentado ontem
pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP) para declarar a vacância do cargo de
presidente da Câmara.
"Não queremos judicializar
ainda, mas se for necessário vamos ao Supremo Tribunal Federal", avisou o
líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). O deputado do Amazonas avisou que,
enquanto Maranhão estiver no cargo, não haverá trégua.
O entendimento dos líderes é que a
Casa não pode conviver com a interinidade na presidência, principalmente no
início do governo de Michel Temer, quando são esperados projetos para retomada
do crescimento econômico.
Os deputados dizem que Maranhão
"é um vexame", que se desmoralizou com a tentativa de anular a
votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e se desqualificou
para comandar a Câmara. Eles defendem a restauração da "normalidade"
dos trabalhos legislativos e insistem que Maranhão não é uma boa solução.
"Neste momento grave da vida nacional, temos de encontrar rápido uma
solução", defendeu o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA).
Os líderes sequer vislumbram a possibilidade de Maranhão presidir as sessões plenárias na primeira semana de governo Temer. "A Casa não pode ser presidida por quem não tem condições de presidir", disse Bueno.
Estadão

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!