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Manifestantes
entoavam 'Nunca mais!' e diziam que um voto
para a postulante de centro-direita seria um
voto para o
ex-presidente Alberto Fujimori (Foto: Rodrigo
Abd/AP)
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Keiko Fujimori é líder das
pesquisas para a eleição presidencial. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre pena de 25 anos.
Dezenas de milhares de peruanos
marcharam na terça-feira (5) contra Keiko Fujimori, líder das pesquisas para a
eleição presidencial, obrigando a candidata a suspender eventos de campanha
antes da votação de domingo (10).
Os manifestantes entoavam
"Nunca mais!" e diziam que um voto para a postulante de
centro-direita seria um voto para o ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre
uma pena de 25 anos de prisão por abuso de direitos humanos e corrupção
cometidos durante seu governo, entre os anos 1990 e 2000.
Pelo menos 30 mil pessoas
participaram do protesto em Lima --um sinal da oposição acirrada que pode
tornar Keiko vulnerável em um eventual segundo turno. Projeções mostram que
Keiko deve ficar com a maior parte dos votos na eleição de 10 de abril, mas não
a maioria que precisaria para vencer de imediato.
Muitos manifestantes desdenharam a
promessa recente de Keiko de jamais repetir o "autogolpe" cometido
por seu pai no dia 5 de abril de 1992, quando ele ordenou que os militares
fechassem o Congresso e interveio nos tribunais.
Fujimori havia defendido a medida
anteriormente como algo necessário para aprovar reformas econômicas.
"Não acredito nem um pouco
nela", disse Rodolfo Lazo, universitário de 19 anos que pintou as palavras
"Sou jovem mas não sou idiota" na camiseta.
Os manifestantes também criticaram
o comitê eleitoral do país por inocentar Keiko das alegações de ter violado uma
lei contra a compra de votos ao mesmo tempo em que desclassificaram dois
adversários bem posicionados na disputa. "Júri Nacional de Eleições,
Vergonha Nacional!", dizia um cartaz.
Ainda na terça-feira, Keiko
cancelou suas aparições públicas e pediu a seus apoiadores para suspenderem as
atividades de campanha antes de comícios que estavam programados para acontecer
em várias cidades.
Seu partido clamou por tolerância
no Twitter e publicou fotos de escritórios de campanha de várias cidades
cobertos por faixas com os dizeres "Chega de Violência".
A manifestação em Lima foi
pacífica. Protestos menores fora da capital terminaram em confrontos, e oponentes
atiraram ovos em Keiko durante eventos de campanha.
A marcha de terça-feira foi o
maior protesto político em Lima desde as grandes manifestações contra Alberto
Fujimori em 2000, quando ele tentava iniciar um terceiro mandato após eleições
amplamente vistas como fraudulentas.

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