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Funcionários
terceirizados do Hemorio paralisaram as atividades
após dois meses sem receber salário
(Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
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Funcionários terceirizados estão
sem receber há dois meses. Fiscalização do Cremerj constatou irregularidades.
A crise financeira que atinge o
estado chegou a mais um serviço público prestado à população do Rio. Para
tentar contornar as dificuldades, principalmente da falta de pessoal, o
Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio) informou nesta sexta-feira (8) que
não vai abrir para captação de sangue, neste domingo (10). As internações e o
serviço de pronto atendimento para paciente com doença do sangue seguem
funcionando normalmente.
De acordo com o Bom Dia Rio, 90%
dos funcionários administrativos, o que corresponde a 180 pessoas, são
terceirizados e estão sem receber os salários há dois meses da empresa Angels.
Esta semana, eles tiveram o vale refeição e o vale transporte suspensos. Alguns
trabalhadores estão sem dinheiro até para ir ao trabalho.
De acordo com a assessoria do
Hemorio, médicos e enfermeiros estão se desdobrando em funções administrativas,
como recepção de doadores, de pacientes e almoxarifado, para que o serviço não
seja interrompido.
"Em mais de 20 anos de
Hemorio, nunca passei por uma crise tão grave. Os terceirizados pararam porque
não têm condições de vir trabalhar. Eles não recebem há dois meses e tem gente
que já está até passando fome", disse uma funcionária que preferiu não se
identificar, e que acrescentou que a empresa terceirizada vem atrasando
pagamentos desde dezembro.
O Hemorio, que é o centro de
hematologia do estado abastece de sangue cerca de 200 hospitais públicos do Rio
de Janeiro. Com os terceirizados paralisados há uma semana, os problemas
começaram a se agravar. Desde terça-feira (5), a captação de sangue teve o
horário reduzido. Ou seja, está funcionando diariamente das 7h às 16h, sendo
que neste domingo não vai abrir para coleta de sangue. As consultas
ambulatoriais também estão sendo desmarcadas.
Segundo o Hemorio, que tem 72
anos, os estoques de sangue estão baixos.
Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma redução da ordem
de 10% na coleta, que em média é de 300 doadores/ dia. Por isso, é importante
que a população continue procurando a unidade para fazer doação de sangue.
De acordo com o representante
Ricardo Del Rio Cruz, dentre os 180 terceirizados, cerca de 20%, que operam
diretamente na diretoria, na limpeza e na segurança estão trabalhando. Mas não
sabem até quando vão conseguir se manter nesta situação.
"Médicos, técnicos e
enfermeiros estão fazendo um esforço sobre humano para manter o hospital
funcionando. Estão todos se desdobrando. A direção da casa é boa para os
funcionários e estamos todos muito tristes com a situação. Mas sem salário tem
gente já passando dificuldades", disse Cruz.
A direção do Hemorio está reunida
com a Fundação de Saúde e com terceirizados dos Instituto Estadual de
Cardiologia e com o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia - que tem
funcionários terceirizados da empresa Angels e que enfrentam o mesmo problema - para buscar uma solução para o pagamento dos
funcionários. A empresa alega que não está recebendo os repasses do governo do
estado.
O Conselho Regional de Medicina do
Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) realizou fiscalização na terça-feira (5) no
Hemorio e constatou problemas, como a suspensão parcial dos atendimentos por
atrasos salariais e a falta de medicamentos básicos. O conselho denunciará a
situação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
O estado enfrenta greves em 33 categorias que interromperam total ou
parcialmente os serviços. Estima-se que 500 mil servidores públicos enfrentam
dificuldades por causa dos atrasos e do parcelamento de salários dos últimos
meses.
Nesta sexta-feira, o governador em
exercício, Francisco Dornelles, vai se reunir comcom a equipe econômica do
estado para tratar do pagamento dos salários de março dos servidores ativos,
inativos e pensionistas. Devido ao
agravamento da crise econômica do estado e consequente escassez de recursos, o
governo estuda pagar integralmente, no dia 14, os servidores de áreas de
serviços essenciais à população, como as forças de segurança, englobando as
polícias Civil e Militar, bombeiros e agentes penitenciários, além dos
profissionais da educação. Os demais deverão ter parte de seus vencimentos
depositados também no dia 14.

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