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O presidente
da Bolívia, Evo Morales, foi derrotado em consulta
popular que
lhe daria direito a disputar um 4° mandato
(Maxim
Shemetov/AFP)
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Com 72,5% dos votos apurados, o
"Não" à reeleição lidera com 56,5% contra 43,2%. Pesquisas e
projeções apontam que a vantagem da oposição é irreversível
O presidente boliviano Evo Morales
foi derrotado no plebiscito que o autorizaria a realizar uma reforma na
Constituição para disputar a sua terceira reeleição, em 2019. Segundo o
resultado preliminar, divulgado nesta segunda-feira, 56,5% dos eleitores votaram
pelo "Não". Com 72,5% das urnas apuradas, pesquisas e projeções
apontam que o "Sim", com 43,2%, não conseguirá superar os votos pelo
"Não". Morales, que está no poder há dez anos e é o mais longevo dos
presidentes sul-americanos, caso tivesse recebido o aval na consulta deste
domingo, poderia se candidatar nas eleições de 2019, permanecendo poder até
2025 e completando duas décadas na Presidência.
A derrota de Morales frustrou uma
série de manobras de seu governo para garantir a sua perpetuação do poder. As
mudanças na Constituição, em favor do presidente, começaram ainda no seu
segundo mandato. Uma nova Carta Magna foi promulgada como sendo a
"refundação do país". Sendo assim, ele disse que o seu primeiro
mandado não poderia ser considerado, pois a Bolívia que surgia ali "era
outra". O Judiciário ignorou a manobra, apesar das reclamações da
oposição.
Reeleito para o terceiro mandato
em 2014, Morales começou a trabalhar pela permanência no poder inspirado no
modelo bolivariano de Hugo Chávez, que conseguiu manobrar a constituição
venezuelana para poder se reeleger de forma indefinida. A derrota de hoje não
coloca fim nos planos de Morales. Pela lei boliviana, no ano que vem, ele
poderá convocar um novo plebiscito como este.
Um dos fatores que corroboraram
para derrota de Morales no plebiscito está relacionado a um escândalo sexual e
de corrupção envolvendo a jovem Gabriela Zapata, com quem teve um filho.
Segundo as denúncias, a sua ex-amante ganhou um cargo de diretoria na
multinacional chinesa Camc e conseguiu a aprovação do governo em contrados
somando 566 milhões de dólares (mais de 2 bilhões de reais).
O affaire de
Morales com Zapata ofuscou a sua boa imagem para os indígenas. Quando era
questionado sobre sua solteirice, ele jogava para plateia: "Sou casado com
a Bolívia". Para emendar, dizia que quando se casasse, seria com uma
mulher de tranças e pollera - a tradicional saia com anágua das mulheres andinas.
Portanto, uma indígena. A revelação que ele teve um caso amoroso com uma mulher
siliconada, de cabelos com mechas alouradas, com a qual chegou a ter um filho,
desmontou de vez o seu discurso de homem do povo afeito às coisas simples.

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