A CPI dos Fundos de Pensão da
Câmara quer convocar o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, para esclarecer
sua ligação com o Funcef, fundo dos funcionários da Caixa Econômica Federal.
Mensagens obtidas no celular do presidente da OAS, Léo Pinheiro, divulgadas
pelo "O Estado de S.Paulo", mostram que Wagner intercedeu em favor da
empreiteira em negócios com o fundo. O presidente da CPI, deputado Efraim Filho
(DEM-PB), garantiu que vai pautar no início de fevereiro os requerimentos apresentados
na semana passada. A primeira reunião da Comissão será no dia 2.
— Começaremos fevereiro com o pé
no acelerador. A gente espera contar com a aprovação do requerimento, já que
esses desvios nos fundos de pensão são a face mais cruel desse escândalo de
corrupção — disse Efraim Filho.
O deputado afirmou que a CPI
trabalha em três frentes: aparelhamento das instituições, tráfico de influência
e direcionamento de negócios para interesses político-partidários. Uma das
descobertas da Comissão foi que, dos quatro fundos investigados, três são
presididos por filiados ao PT - o Postalis, fundo dos funcionários dos
Correios; a Petros, fundo dos funcionários da Petrobras; e o Funcef. Só o
Previ, do Banco do Brasil, não é controlado diretamente pelo partido, segundo o
parlamentar.
— Os fundos de pensão apresentam o
mesmo modus operandi do petrolão na Petrobras. Já descobrimos que atualmente
três dos quatro diretores de fundos de pensão são filiados ao PT.
O presidente da CPI disse ainda
que, com as revelações sobre Jaques Wagner e outras atuações suspeitas,
começa-se a provar a tese do tráfico de influência.
A relação do ministro da Casa
Civil com a OAS foi criticada por líderes da oposição, que apontaram a pasta
como a "sede" do tráfico de influência exercido pelo governo. Ao
mesmo tempo, parlamentares ponderaram que interceder em favor de empresas não é
condenável nem ilegal, contanto que feito de forma transparente. Líderes da
base aliada no Congresso acreditam, no entanto, que as revelações tornam tensa
a volta dos trabalhos legislativos, em fevereiro.
— Não vejo a ação dele de uma
forma isolada, é o quinto ministro-chefe da Casa Civil com o mesmo tipo de
acusação. Começou com o José Dirceu, teve (Antonio) Palocci, Erenice (Guerra),
Aloizio Mercadante, todos envolvidos em tráfico de influência claro, usando os
instrumentos do governo para favorecimento do partido - criticou o senador José
Agripino Maia (DEM-RN).
Interlocutores do Palácio do
Planalto avaliam que o ministro tornou-se um alvo político e que o impacto no
curto prazo é inevitável. No entanto, as denúncias divulgadas até agora são
consideradas frágeis.
— É uma crise que não tende a
perdurar - avaliou um interlocutor.
Assessores palacianos avaliam que
a divulgação das denúncias pouco a pouco prejudica a imagem do petista,
considerado o grande articulador político do governo e alternativa para as
próximas eleições caso o ex-presidente Lula não concorra.
Para o senador Paulo Rocha, líder
interino do PT no Senado, faz parte do papel do governante administrar
interesses de empresas. Na época das denúncias, Wagner era governador da Bahia:
— Vivemos numa sociedade de
interesses. Então, uma empresa que tem interesse de se instalar num estado
procura o governador, ou o político mais próximo dele. Essa "troca de
telefone" é um processo normal da democracia, mas tem que ser feito com
transparência. Todo mundo procura alguém para atender a seus interesses - disse
o petista, criticando o vazamento seletivo de informações.
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