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Ministro-chefe
da Casa Civil, Jaques Wagner
(Ueslei
Marcelino/Reuters)
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Diálogos no celular de
ex-presidente da OAS indicam que ministro agiu para obter negócio com o Funcef
As conversas obtidas no celular do
ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, mostram
indicam atuação do atual ministro da Casa Civil, Jaques Wagner (PT), na
intermediação de negócios entre a empreiteira e fundos de pensão. Em um dos
diálogos, o executivo e outro integrante da empresa não identificado falam na
atuação do ministro e então governador da Bahia para possibilitar um negócio
milionário com a Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica
Federal.
As menções ao nome do ministro e
conversas diretas entre Pinheiro e Wagner foram reveladas na quinta-feira
passada. Os diálogos indicam, por exemplo, que Wagner teria ajudado a OAS na
liberação de recursos do governo federal. Ele também teria intermediado o
financiamento de campanhas municipais em Salvador em 2012, no período em que
esteve no governo estadual. Os investigadores identificaram que, nas conversas,
os executivos usam as iniciais JW como uma das maneiras para se referir a
Wagner.
"Que ótimo, como foi na
Funcef, o nosso JW me perguntou. Bjs." O emissário da mensagem escreve de
um número não identificado pelos investigadores. A resposta, cerca de três
minutos depois, partiu de um número da OAS a Pinheiro: "Ótimo. Foi
aprovado para contratação do avaliador, deloite. Agora, precisaremos de JW, na
aprovação final. Bjo".
As conversas são de julho de 2013.
Quatro meses depois, em novembro do mesmo ano, a diretoria executiva da Funcef
aprovou a compra de cotas de até 500 milhões de reais em um fundo da OAS - o
FIP OAS Empreendimentos. A Funcef confirma ter feito um aporte de R$ 200
milhões, com participação de 11,76% no FIP. Na ocasião, além da análise
interna, a Funcef contratou a consultoria Deloitte para fazer uma avaliação
econômico-financeira da OAS, o que serviu para determinar o valor do
investimento.
Um ano antes, as mensagens já
mostravam conversas sobre "fundos" entre o ministro e o empreiteiro.
Em novembro de 2012, Léo Pinheiro enviou mensagem direta para celular identificado
como de Wagner na qual fala sobre "demanda vinda dos Fundos", sem
identificação sobre que situação específica era tratada. "Governador,
Desculpe a ? invasão?. Na semana passada houve uma
demanda vinda dos Fundos, que o Bernardo Figueiredo estaria falando para
algumas pessoas sobre nossa relação com os Fundos. Queria saber se nosso amigo
de ontem sabia de algo. Ele nunca tinha ouvido nada. Tive com o Bernardo e o
problema era o Trem Bala. Que foi esclarecido. Obrigado pela hospitalidade.
Abs.", escreveu Pinheiro a Wagner. Por mensagem, o governador respondeu:
"Voce é sempre bem vindo JW".
Bernardo Figueiredo foi diretor
geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas teve sua
recondução vetada pelo Senado em 2012, mesmo com a indicação da presidente
Dilma Rousseff. Após a rejeição dos senadores, Figueiredo ajudou o Planalto a
montar a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que presidiu desde a
criação até o fim de 2013, após uma série de rumores de divergências com o
governo. Ele foi um dos entusiastas do projeto do Trem de Alta Velocidade, o
trem-bala, que ligaria Campinas (SP) ao Rio de Janeiro (RJ) - projeto que nunca
saiu do papel.
O grupo que trabalha com o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda deverá se debruçar sobre as
trocas de mensagens para identificar a que negócio cada um dos diálogos se
refere e verificar se há indícios de irregularidades na atuação de Wagner.
Termos - Por meio de
sua assessoria, Jaques Wagner informou que "não vai se pronunciar, pois não
conhece os termos exatos do material que está sendo divulgado". Quando as
mensagens começaram a ser divulgadas, o ministro emitiu nota declarando-se
tranquilo e à disposição do Ministério Público Federal e das autoridades para
prestar esclarecimentos.
A assessoria de imprensa da
Deloitte informou desconhecer o teor da menção à empresa e, por isso, disse não
ter como se pronunciar. O ex-presidente da EPL Bernardo Figueiredo não foi
localizado pela reportagem. A defesa de Léo Pinheiro, da OAS, afirmou que não
iria se manifestar sobre o caso.
Por meio de assessoria de
imprensa, a Funcef informou que o procedimento de estudo da oportunidade de
negócio, com as devidas análises técnicas internas e externas até a finalização
do processo e deliberação pela diretoria executiva, consumiu um ano e quatro
meses, e foi realizado com "total rigor técnico".
"Refutamos qualquer ilação em
relação a qualquer interferência externa em toda cadeia do processo decisório
da Funcef. Em relação ao suposto diálogo que faz menção à Funcef, desconhecemos
o teor e a origem das citações", diz a nota da assessoria da Fundação.
(Com Estadão Conteúdo)

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