Prédio do campus Maracanã continua
ocupado pelos estudantes. Governo diz ter repassado R$ 14 milhões para a
universidade.
Apesar do anúncio feito pela
assessoria de imprensa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) na
terça-feira (15) de que as aulas voltariam nesta quarta (16), a situação no
prédio do campus Maracanã da Uerj continua a mesma do início do mês: alunos
ocupando a universidade e proibindo funcionários e quem não faz parte da
ocupação de entrar. Um cartaz colocado em uma mesa na entrada do prédio dizia:
"16/12/15 só entram terceirizados e segurança".
Os ocupantes não queriam ser
fotografados e nem filmados. Eles chegaram a hostilizar um aluno que, ao ser
impedido de entrar, tentou filmar a situação e o forçaram a guardar o celular.
Os alunos ocupantes tentaram ainda impedir o trabalho dos jornalistas que foram
até o campus registrar a situação, expulsando os cinegrafistas para o lado de
fora do portão da universidade.
A assessoria da Uerj havia
informado que o governo repassou R$ 14 milhões para a regularização das
dívidas. Mesmo assim, os ocupantes afirmaram nesta quarta-feira que os
terceirizados ainda não receberam e que eles estavam autorizados a entrar
porque não podem fazer greve. Os
servidores da UERJ que chegavam para trabalhar e eram impedidos de entrar se
mostraram indignados com a ocupação. Segundo eles, o salário de novembro já foi
quitado, mas ainda falta a segunda parcela do 13º salário, que está prevista
para sair entre os dias 17 e 19.
“O servidor está sendo humilhado através do
impedimento de acesso ao seu local de trabalho. É um absurdo o que eles fizeram
bloqueando as escadas de incêndio com mesas e cadeiras. Se houver um sinistro
nessa universidade, quem tem acesso? Como que sai dessa universidade? Eles
partiram para uma decisão praticamente unilateral não está tendo uma decisão da
associação e do sindicato dos professores. E a decisão que teve na reintegração
de posse pede uma negociação, mas diz que, ao mesmo tempo, as pessoas não podem
ser impedidas de ter acesso à universidade e ela também não está sendo
cumprida. Isso aí para mim é uma falta de respeito. O direito deles termina
quando começa o dos outros. Muitos desses que estão aí nem alunos da
universidade são”, disse uma servidora da Uerj que trabalha na prefeitura do
campus.
Outro servidor, que trabalhar na
parte de engenharia e manutenção da Uerj, também se mostrou indignado com a
situação presenciada nesta quarta-feira. “A gente está aqui para trabalhar, a
gente quer trabalhar, mas não conseguimos. Eu me sinto muito triste, a gente
gosta do que a gente faz, a gente gosta da universidade, quer o bem da
universidade, dos estudantes, o bem da instituição de ensino, porque a gente
trabalha para isso, e não consegue fazer isso funcionar. O salário de novembro
foi pago daquela forma, foi dividido. A gente fica até preocupado porque será
que vai ter pagamento em dezembro? Tem servidor que precisa rodar a folha de
pagamento e não está conseguindo entrar", disse o engenheiro.
Justiça negou liminar de reintegração de posse
Na terça-feira (15), a Justiça do
Rio negou o pedido de liminar de reintegração de posse do campus da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pedido pela reitoria. A ação foi
entregue na 6ª Vara de Fazenda Pública contra o Diretório Central de Estudantes
(DCE) e os ocupantes, que estão lá desde o dia 1 de dezembro. A decisão da
juíza Ana Cecilia Argueso Gomes de Almeida determina que o caso seja
encaminhado ao núcleo de conciliação do Tribunal de Justiça.
“A solução da questão de fundo não
se dará por meio de simples tutela possessória, podendo, inclusive, ser
agravada, com risco à integridade física de todos os estudantes envolvidos, bem
como de depredação do patrimônio público. Diante de todo o exposto, na busca da
conciliação de todos os relevantes interesses envolvidos, mas desde já
conclamando os estudantes a não obstar a realização das atividades docentes no
Campus Central da UERJ em paralelo à realização de sua manifestação, bem como
aos interessados a manter o diálogo, indefiro, por ora, o pedido liminarmente
formulado, determinando a imediata remessa dos autos ao NUPEMEC (Núcleo
Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos)”, justificou a
magistrada, em sua decisão.
Na ação, a reitoria da Uerj
alegava que os estudantes cometeram "esbulho, turbação, ameaça", com
"posse e utilização de bens públicos". Nesta segunda-feira (14), o
Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão aprovou o reinício das aulas
nesta quarta-feira (16).
Também nesta segunda, os
estudantes decidiram continuar a ocupação, após assembleia estudantil. Nesta
terça-feira, ocorria o evento Ocupa Uerj, com shows de Teresa Cristina, Tico
Santa Cruz e Moraes Moreira. Em nota oficial publicada no perfil de uma rede
social, o DCE da UERJ afirma que " todas as medidas legais já estão sendo
tomadas para que nossa mobilização continue. É importante dizer que os
pagamentos dos salários e bolsas da comunidade uerjiana ainda não estão
totalmente regularizados e que por isso nosso esforço ainda é necessário",
diz a nota.
Em outro trecho, o grupo diz:
"A criminalização do movimento estudantil não pode ser imposta, pois nosso
objetivo deve sempre ser proteger o patrimônio de nossa universidade enquanto
lutamos por nossos direitos", diz o texto.

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