Paula Dolphin, de 44 anos, nasceu
em São Paulo e se mudou para Inglaterra aos 25; ela concorreu pelos Liberais
Democratas e gastou cerca de R$ 115 mil.
A brasileira Paula Dolphin, de 44
anos, que concorria a uma vaga no Parlamento britânico, foi derrotada.
Nascida em São Paulo e filha de
pai inglês, ela se candidatou pelos Liberais Democratas, que, até o momento,
vem sofrendo o pior revés de sua história nas urnas do Reino Unido.
Ela obteve 7.483 votos e terminou
a disputa em terceiro lugar, atrás do Partido Conservador - Geoffrey Cox venceu
a disputa com 28.774 votos - e do Partido da Independência do Reino Unido
(Ukip).
Paula não estava à frente nas
pesquisas, mas esperava aproveitar a disputa entre o Ukip e os Conservadores
para assegurar a cadeira pelo distrito de Devon West e Torridge, que pertenceu
aos Liberais Democratas de 1997 e 2005.
Nas últimas eleições, em 2010, o
partido perdeu por uma margem pequena de votos (2.957). A localidade tem 77 mil
eleitores.
A derrota de Paula, no entanto,
reflete a perda de espaço dos Liberais Democratas, que formam um governo de
coalizão com o Partido Conservador.
Os Liberais Democratas haviam
conquistado apenas 8 cadeiras no Parlamento até o momento da publicação desta
reportagem - os resultados de 9 distritos ainda não haviam sido anunciados.
Se o resultado se confirmar, o
partido terá conquistado 49 cadeiras a menos que em 2010.
Antes do resultado das eleições,
Paula conversou por telefone com a BBC Brasil.
Em seu último dia de campanha, ela
contou que seu plano era entregar, de porta em porta, entre 2 mil e 3 mil
panfletos explicando as propostas de sua campanha e conversando com os
moradores sobre elas.
Ela lembrou que costuma dizer aos
eleitores que nasceu no Brasil quando faz campanha porta a porta. Segundo ela,
desde que iniciou sua carreira política, há 12 anos, "só três ou
quatro" disseram para ela voltar a seu país.
Mas o tema imigração não é o mais
citado pelos eleitores que aborda, segundo ela. Os ingleses perguntam se ela
vai trabalhar em tempo integral no Parlamento, querem saber como irá melhorar o
acesso às ruas e fazer a internet chegar em todas as regiões.
"Mas essa história de falar
que imigrante rouba nossos empregos não têm sentido, eles trabalham duro.
Existem certos imigrantes que abusam de benefícios, mas são uma minoria",
diz ela.
Financiamento
Segundo Paula, a campanha ao Parlamento foi feita sem doações de terceiros. Das 25 mil libras usadas (aproximadamente R$ 116 mil), metade saiu de seu bolso e a outra metade foi bancada pelo partido. O dinheiro serviu, de acordo com ela, para pagar os panfletos, duas pessoas que trabalham na campanha e o envio de correspondências.
Segundo Paula, a campanha ao Parlamento foi feita sem doações de terceiros. Das 25 mil libras usadas (aproximadamente R$ 116 mil), metade saiu de seu bolso e a outra metade foi bancada pelo partido. O dinheiro serviu, de acordo com ela, para pagar os panfletos, duas pessoas que trabalham na campanha e o envio de correspondências.
No Reino Unido, há um limite de
gastos em campanha ─ podem ser gastas 50 mil libras entre dezembro e março e 30
mil de abril a maio, explicou.
"Usei menos porque não tenho
todo esse dinheiro. Não quero ter... como se fala no Brasil? Ter rabo preso com
ninguém", disse, com português perfeito mas um leve sotaque britânico.
Paula nasceu em São Paulo e
cresceu em Campinas, onde fez faculdade de Administração. Com cidadania
britânica, decidiu emigrar aos 25 anos para trabalhar.
Ao se mudar para uma região de
praia, se envolveu com assuntos da comunidade e acabou entrando para a
política. Foi eleita vereadora em Bude, em 2004, e, em 2012, virou prefeita da
região.
Diz, porém, que já se interessava
por política no Brasil. Chegou a frequentar reuniões do PSDB ─ que guarda
pontos de semelhança ideológica com seu partido no Reino Unido ─ mas não se
filiou.
"O que ajuda aqui é que temos
o sistema do Parlamento (parlamentarismo), as decisões são mais transparentes,
o poder é mais diluído", diz.
Para ela, o limite de gastos nas
campanha também ajuda a democratizar a política. "Não é elitista, uma
pessoa de classe média pode concorrer".
Na quinta-feira, dia das eleições
no Reino Unido, Paula não pôde fazer campanha. Mas contou que iria circular
pelos locais de votação ─ sem santinhos ou camisetas, mas usando uma espécie de
broche com uma fita das cores do partido.
"Quem sabe não consigo mais
uns eleitores indecisos para votar em mim?", afirmou ela à BBC, antes de
saber o resultado do pleito.

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